Em resposta a nota publicada no jornal O Globo, na última semana, a respeito do atraso nas obras da Cidade da Música (atualmente chamada de Cidade das Artes), na Barra da Tijuca, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, limitou-se a criticar seu antecessor, César Maia, em cuja gestão foi aprovado tal empreendimento, por ter feito uma “verdadeira lambança no projeto”. E concluiu: “Não trato essa obra desnecessária e superfaturada como minha prioridade”.
É até compreensível dizer que existem investimentos mais importantes a serem feitos do que direcionar ainda mais recursos para a Cidade das Artes, um elefante branco que, desde que começou a ser erguido, em 2002, já consumiu mais de R$ 500 milhões – quando o orçamento inicial era de R$ 80 milhões – e, mesmo assim, ainda não está pronto, embora tenha sido ficticiamente inaugurado em uma apresentação da OSB em 2008. Detalhe: o cronograma inicial previa inauguração do edifício em 2004.
No entanto, essa não é a resposta que os cidadãos cariocas merecem ouvir de seu prefeito, principalmente em se tratando de um projeto que possui enorme valor cultural e que, em paralelo, simboliza a corrupção escancarada resultante das promíscuas relações entre políticos e empreiteiras no Brasil – um país onde fazer obras significa garantia de votos para políticos e dinheiro para empresas de engenharia civil.
Ao invés de apenas bater no representante do partido que o antecedeu em seu mandato, adotando a velha tática utilizada por políticos para justificar problemas enfrentados em sua gestão, Eduardo Paes poderia ter sido proativo e informado quando serão concluídas as obras e, finalmente, inaugurada a Cidade das Artes. Poderia ainda ter atualizado os leitores quanto às investigações feitas pelo Tribunal de Contas do Município a respeito do desvio de verbas que seguramente ocorreu ao longo da execução do projeto.
Como sempre acontece, contudo, ninguém, até o momento, foi punido pelo mau (péssimo seria o adjetivo mais adequado) uso de verbas públicas para construção do complexo. O placar do jogo não é surpreendente: Sociedade 0 x (R$) 500 (milhões) Política & Negócios.

