Carta aberta para a Light Rio

Foto: http://www.light.com.br/ (Divulgação)Quinta-feira, 16 de setembro de 2010 – 22h43
Com cópia para @lightrio

1. No dia 14/09/2010, por volta das 16h, eu fiquei sabendo, por meio de uma das duas pessoas que moram comigo, que a nossa luz havia sido cortada.

2. Imediatamente, eu me dirigi à agência da Light Rio na Av. Marechal Floriano, a principal, que por coincidência fica ao lado do meu local de trabalho. Deixei meu local de trabalho, apesar da grande quantidade de tarefas que tinha nesta semana em questão, para tentar evitar o pior em casa.

3. Fui atendido inicialmente por uma moça que ouviu minha preocupação com o ocorrido. Informei que eu havia colocado, por orientação da própria Light, a conta em débito automático, pois poderia “relaxar” em relação à cobrança, cujo valor era sempre pequeno.

4. Informei que não estava com a conta em mãos, para checar o problema, mas alertei que seria problemático este corte, visto que moram na nossa residência três pessoas e que uma delas estava trabalhando em casa, as três dependiam da Internet e do computador em casa para seus respectivos trabalhos e que, além disso, havia muitas compras na geladeira. Após o atendimento, fui para casa recuperar a conta para checar o problema.

5. A primeira atendente me informou que havia um débito em aberto do dia 28/07/2010, no valor de R$ 50,88. Eu informei que não tinha conhecimento. Ela compreendeu a situação, mas, sem autonomia para decidir o que fazer, chamou uma outra pessoa, que parecia decidir sobre estas questões. A segunda pessoa, bem mais ríspida, me informou novamente sobre o débito e disse que nada poderia fazer, solicitando à primeira atendente que me desse um “protocolo”.

6. Eu argumentei que tinha colocado a conta em débito automático, justamente em decorrência da comodidade oferecida pela própria Light Rio, e por isso mesmo não tinha notado a cobrança. Informei que reconhecia a dívida, que não havia sido paga pela falta momentânea de reserva naquele dia específico (meu salário cai no dia 30), mas que em contraposição sempre fui um bom pagador e, em quase 10 anos que tenho relações com a empresa, nunca deixei de pagar uma conta sequer. A resposta: “Não posso fazer nada”.

7. Em outras oportunidades, recebia ligações para avisar de um eventual problema com o débito, mas, desta vez, o único aviso foi uma notificação dentro da conta do mês posterior, num canto do documento, com uma letra de tamanho aproximadamente 6, quase imperceptível, a ponto de três pessoas não terem notado o débito. Observo ainda que a conta do mês posterior foi paga, como sempre, no débito, demonstrando que havia vontade de pagar.

Diante destas questões, perguntei: “Vocês acham certo isso? Cortar assim, a conta.”

8. A resposta da superior da primeira atendente foi a seguinte: “Eu não posso fazer nada. Este é um serviço. Se você não pagou, não o recebe”.

9. Saí muito chateado da agência, me considerando claramente constrangido, tido como “caloteiro”, coisa que nunca fui. Além disso, no breve exercício dos estudos em Direito que fiz em uma universidade pública no Rio de Janeiro, pude constatar que a energia, enquanto bem essencial, merece um tratamento diferenciado em relação às demais “mercadorias”, ou seja, não é uma relação comercial fornecedor-consumidor ordinária.

10. O corte, a meu ver arbitrário e sem privilegiar o diálogo, interrompeu a atividade diária e intensa de três pessoas, que precisam trabalhar muito para honrarem seus compromissos financeiros. Por duas noites consecutivas e três dias úteis (14, 15 e 16/09/2010), ficamos sem energia.

11. Ressaltamos que a Light Rio enviou, como pode comprovar um empregado do nosso prédio, um funcionário na tarde do dia 14/09/2010 e, sem qualquer tentativa de diálogo e sem moradores presentes, desligou a nossa energia.

12. Durante os três dias, não só eu como as demais pessoas da casa, bem como a mãe de uma delas, ligamos e insistimos para a importância da luz em uma casa de pessoas trabalhadoras e sem reservas financeiras consideráveis, que perderiam todo o alimento da geladeira e seriam extremamente prejudicadas em suas atividades, devido a um problema que não era decorrente da nossa má vontade em pagar a conta. Muito pelo contrário: assim que fiquei sabendo do débito, paguei imediatamente a conta atrasada.

13. Destaco ainda que, mesmo estando presente na agência da Marechal Floriano imediatamente depois do ocorrido, o pedido de religamento não foi realizado imediatamente. Demorou ainda 24 horas para que solicitassem o religamento. Com isso a luz só voltou na noite do dia 16/09/2010, causando diversos problemas para os três moradores da casa e a perda de todo o alimento que estava na geladeira.

14. Creio que este tipo de comportamento não condiz com o caráter público e essencial da energia elétrica, muito menos com os valores que a Light Rio expressa em seu site: “Foco nos Resultados, Mérito, Coragem e Perseverança, Comportamento Ético e Solidário e Alegria”.

15. Eu conversei com uma dezena de atendentes e a cada ligação precisava me explicar novamente. Na noite do dia 15/09/2010, quando eu tentei explicar o caráter emergencial da falta de sensibilidade da Light Rio, a atendente simplesmente desligou na minha cara. Outras duas continuaram a argumentação inicial de que eu não havia pago a conta, focando no assunto de modo puramente comercial e como se eu fosse um caloteiro, fato que não conseguia contra-argumentar, por mais que explicasse o ocorrido e minha intenção de honrar, sempre, compromissos de pagamento. O monopólio do fornecimento de energia é da Light Rio, não nosso.

16. Um dos moradores teve que enfrentar alguns problemas por conta da falta de luz em casa, a começar pelo fato de ficar impossibilitado de trabalhar, visto que usa a residência como local de trabalho frequentemente. Isto o fez atrasar alguns compromissos, o que gera prejuízos não só financeiro como em relação à eficiência de seu trabalho. Além disto, ele destacou que teve um perda considerável de alimentos, recém-comprados no supermercado. E teve que ir para casa de conhecidos para passar as noites nas quais a casa esteve sem luz.

17. Uma outra moradora teve de se deslocar por dois dias para uma lan house mais voltada para os games para fazer um trabalho que costumava fazer de casa, de apuração jornalística, o que foi extremamente desconfortável. Também teve que passar estes dias fora de casa.

18. Por acreditar que ninguém deveria passar por esse tipo de coação, e entendendo que o fato de a Light Rio ter o monopólio da energia elétrica no meu bairro não a torna “dona” desta energia – que é um bem público e essencial -, eu não aceitarei a humilhação, o constrangimento e as perdas econômicas que tivemos e vou acionar a empresa na Justiça, visto que ela responde apenas de forma protocolar meus sinceros pedidos de diálogo para tentar resolver o problema. É uma tentativa de obrigá-la, por força da lei, a conversar com os humildes moradores de nossa casa.

19. Nós não detemos o monopólio de nada, mas ainda assim mantemos nosso senso de Justiça, “Perseverança, Comportamento Ético e Solidário e Alegria”. Irei até onde for preciso para processar a empresa Light Rio, que não demonstrou qualquer respeito a um cliente que sempre honrou a relação de consumidor e nunca foi caloteiro, de modo que outras pessoas, quem sabe, não precisam mais passar por esse tipo de humilhação.

Gustavo Barreto de Campos
Carioca, 28, morador do Bairro de Fátima.

2 comentários sobre “Carta aberta para a Light Rio”

  1. Pelo que lembro, ele só poderia ter cortado a luz, se tivesse se comunicado com algum morador da casa, no momento do corte. Funcionava desse jeito, na época q eu morava no Rio. Quem dera que todo brasileiro tivesse a NOÇÃO de direitos já que somos cumpridores dos nossos deveres…

  2. oi eu morei numa casa que eu tinha que colocar a conta de luz no meu nome eu entrei em 2005 e sai em 2005 mas eu não sabia que tinha que da baixa eu soube agora por que eu descobri que o meu nome esta no spc eu fui na ligt e eles me formou que eu tinha que da baixa mas quem morou na casa deixou as conta sem paga des de 21/12/20011 a te 21/09/2012 o que eu faço eu tenho que pagar ou eu tenho que recorre

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