Brasil, nossa vivência política: uma crítica e um convite

Como tem sido enriquecedor participar das atividades do Núcleo Preservação da Memória Política junto com o Memorial da Resistênciaque proporcionam cada vez mais vivências incríveis e boas aulas de história e compartilhamento de experiências políticas necessárias para nossa maturidade e aprendizado. Ontem, eu tive o prazer de estar novamente em uma palestra com Estela Carlotto, presidente das “Avós da Praça de Maio – Argentina” que tem a capacidade de nos impressionar e muito.
Assistimos ao filme ” Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela”. Certamente nada fica do mesmo jeito, impossível não te tocar lá no fundo aquelas histórias narradas tanto pessoalmente tanto na forma sintagmática. As imagens… Em mim, há vários efeitos, um é o incentivo enorme para essa luta tão difícil que é a luta pela memória política do Brasil, que tem, entre outras finalidades, o propósito que nunca mais aconteçam os crimes de lesa-humanidade.
Mas, para não mais acontecer, acho necessário que a sociedade brasileira tenha uma atenção especial para essas histórias que estão vindo à tona a respeito do nosso passado recente. Todos precisamos identificar as marcas da Ditadura. E não diz respeito só aos torturados, presos, mortos ou desaparecidos. As marcas da Ditadura estão em vários lugares.
Um projeto político
Observe nossas instituições, muitas precisam de reformas urgentes, principalmente aquelas que estariam zelando pela nossa segurança. Nossa Educação, nossa Economia, nossa Cultura, nossos Povos, tudo isso foi afetado. É preciso que se atente a isso. A ditadura militar foi um projeto político. Isso precisa estar claro para todos.
Veja em que estágio nós estamos, ainda precisamos provar que a Ditadura existiu. Avançaremos quando tivermos em larga escala um número de pessoas conscientes, que possam repelir com veemência esse conceito absurdo de “Ditabranda”. Só assim poderemos aproveitar esse novo momento que nos proporcionou a instalação da Comissão Nacional da Verdade. A participação de todos é fundamental.
Não adianta ficar chamando de “Comissão da Mentira” e ficar compartilhando frases prontas. Procurem saber da história do seu país. Avalie bem o que significa uma Ditadura para poder entender as pessoas que se rebelaram e ousaram lutar. Esse texto é uma reflexão, é uma crítica, mas também é um convite. Abra-se para esse novo momento e entenderás porque nossa Constituição ainda não funciona de forma plena, já que ela simboliza o texto de amparo da nossa Democracia, que ainda está em fase de consolidação.
Fonte: Blog da Thaís Barreto.

Deixe uma resposta