O semanário Brasil de Fato vai terminar 2013 de cara nova, após completar dez anos no último mês de janeiro. Mudança no projeto gráfico para a edição nacional e edições regionais em formato tabloide (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília) são algumas das novidades, além do aumento da tiragem e a distribuição gratuita. Os cariocas foram premiados com a primeira edição regional no último 1º de maio, dia do trabalhador, durante as manifestações que ocorreram nas ruas da cidade.
Houve um balanço sobre a trajetória do jornal junto às forças sociais que lhes dão sustentação financeira e política, sobretudo os movimentos e sindicatos, e foi avaliado que apesar das vitórias e da resistência é preciso avançar mais, explicou Nilton Viana, editor do veículo. Segundo ele, o objetivo é tentar chegar mais próximo à classe trabalhadora, com edições massivas de linguagem mais simples e enfoque mais direto.
“Vivemos um momento extremamente delicado no país com avanço tecnológico nas comunicações, mas as elites continuam com o monopólio. Avaliamos que precisamos interferir mais na conjuntura. É um governo contraditório, com políticas progressistas, que não rompeu com esse modelo. É um momento propício, com respaldo dos movimentos sindical e social. Com esses novos desafios vamos tentar fazer com que o Brasil de Fato seja efetivamente um veículo de comunicação que consiga definitivamente influenciar a opinião pública e, assim, elevar o nível de consciência da classe trabalhadora para que façamos as mudanças estruturais tão necessárias que o país precisa”, afirmou o jornalista.
As edições regionais do Brasil de Fato serão semanais, em formato tabloide, distribuídas gratuitamente nos centros de aglomeração de trabalhadores, como metrô, central de ônibus, trens, universidades e nas aglomerações da juventude trabalhadora das grandes cidades. A expectativa é que seja ampliada para outras capitais, contando também com o apoio, através de anúncios, de prefeituras progressistas. Alguns jornalistas foram contratados, mas o projeto continua sustentado pelo apoio de colaboradores e dos movimentos.

De acordo com Vivian Virissimo, correspondente do jornal no Rio de Janeiro, a publicação será distribuída gratuitamente nas estações de barcas, metrô e trens da Supervia, além de escolas, universidades e espaços de ampla circulação. A edição regional do Brasil de Fato, segundo ela, vai disputar hegemonia com os veículos tradicionais de comunicação cariocas.
“Com 100 mil exemplares por semana, vamos disputar a atenção dos trabalhadores (as) que estão se deslocando de casa para o trabalho e receberão o jornal de graça. Nossa intenção será abordar o cotidiano sempre com uma visão popular dos fatos. Nos dias de distribuição, quinta e sexta-feira, será uma das maiores tiragens da cidade. Isso é um feito muito significativo para a comunicação popular, que antes ficava muito restrita. Ao dialogarmos com grandes parcelas da população, em curto e médio prazo, poderemos trazer avanços em diversas lutas dos trabalhadores e dos movimentos sociais”, afirma a jornalista.
A edição mineira foi lançada no último dia 04, em Belo Horizonte, durante o Encontro Estadual de Formadores do Plebiscito Popular pela redução das tarifas de energia elétrica e do ICMS na conta de luz. Cerca de 700 pessoas receberam com entusiasmo a nova edição estadual, ressaltando a importância da iniciativa devido ao grande controle do governo estadual sobre a mídia comercial. Em seu editoral é destacada a “ousadia” e “coragem” do novo projeto, “um grito de liberdade”, e que o povo mineiro sonhava há muito tempo com um veículo de comunicação comprometido com uma visão popular de Minas, do Brasil e do Mundo.
Histórico do Brasil de Fato
O Brasil de Fato nasceu em 25 de janeiro de 2003, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. As primeiras edições de 4 páginas foram experimentadas como encarte no jornal Sem Terra, do MST, com 2 milhões de exemplares distribuídos nos grandes centros para divulgar a luta dos trabalhadores e suas versões contadas por eles mesmos. Algumas edições especiais com temas específicos circularam nesse período.
O semanário cresceu com apoio das forças sociais, como as pastorais sociais, a Via Campesina e os sindicatos. Por isso, é uma publicação essencialmente popular. Sua principal dificuldade continua sendo financeira. No início houve uma campanha que arrecadou R$ 400 mil para rodar as primeiras edições em todo o Brasil, com tiragem de 100 mil exemplares. Nessa trajetória foram realizadas campanhas de assinaturas e doações entre a militância, além de debates para dar visibilidade à iniciativa e suscitar o debate público, que resultou na auto sustentação do projeto. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder o jornal adequou seu projeto gráfico, editorial e político, e conseguiu sanar todas as suas dívidas.
Antes da atual reforma, circulava com tiragem de 50 mil exemplares (16 páginas coloridas tamanho standard). Reúne jornalistas, intelectuais, lideranças sociais do Brasil e do mundo. Entende, de acordo com o seu editor, que a democratização da mídia é fundamental na luta por uma sociedade mais justa e fraterna, daí sua contribuição no debate de ideias e na análise de fatos do ponto de vista da necessidade mudanças sociais em nosso país.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/

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