No domingo (5), bombeiros de vários quartéis do Rio de Janeiro se reuniram nas escadarias da Assembléia Legislativa para protestar. Além do reajuste de seus salários, considerados os piores do Brasil, a categoria exigiu a libertação dos 439 bombeiros presos no protesto na madrugada do dia anterior. Na ocasião, cerca de 5 mil bombeiros ocuparam o quartel central da corporação exigindo que o gerente Sérgio Cabral negociasse com o movimento. No entanto, horas depois da ocupação, nenhuma posição foi tomada pelo gerenciamento estadual. Por volta das 6h da manhã, cerca de 150 policiais do BOPE e da tropa de choque invadiram o quartel disparando bombas, balas de borracha e até tiros de fuzil. Utilizando paus e mangueiras de água, os bombeiros resistiram corajosamente, mas foram cercados pela mais letal tropa da PM do Rio. A esposa de um dos bombeiros, que estava grávida, abortou durante a correria das famílias, que fugiam das bombas de gás.
Horas depois, Sérgio Cabral foi à TV e chamou os bombeiros de “vândalos e criminosos” e prometeu mantê-los encarcerados. Em resposta, cerca de dois mil bombeiros passaram a noite em vários pontos do Rio e se reuniram na manhã do domingo (5) na porta da Assembléia Legislativa para protestar. Nossa equipe de reportagem esteve no local durante o final de semana e acompanhou os depoimentos emocionados de bombeiros e de familiares dos presos.
Dentre as pessoas feridas na invasão do BOPE estava o bombeiro Rui Menegelli e sua esposa, Cleia, que abortou o filho que esperava. Ela estava dentro do quartel invadido e começou a sangrar durante o ataque da tropa de elite da PM.
A maioria dos bombeiros presos foi transferida na manhã do sábado (11) para um quartel na praia de Charitas, em Niterói. O resto dos grevistas ocupou o Centro do Rio durante toda a semana. Na tarde de domingo (5), quando nossa equipe voltava da manifestação, panos vermelhos podiam ser vistos nas janelas dos prédios e várias pesquisas de opinião apontavam o unânime apoio da população do Rio à justa luta dos bombeiros. Professores da rede estadual também entraram em greve por melhores salários na terça-feira (7) e, vestindo vermelho, engordaram a luta dos bombeiros. Na sexta-feira (10), uma grande manifestação dos profissionais da educação saiu da Candelária e seguiu em direção às escadarias da Alerj, onde mais uma vez, o movimento saudou os bombeiros.
Após uma semana de prisão, na madrugada do último sábado (11), a justiça mandou libertar os 439 presos políticos. Uma manifestação com 35 mil pessoas percorreu a orla de Copacabana no dia seguinte reforçando ainda mais o apoio da população à justa luta dos bombeiros que, segundo eles, só vai acabar até que os presos políticos sejam anistiados e um piso salarial decente seja dado à categoria.
O video acima foi gravado durante os protestos no final de semana em que os 439 bombeiros foram presos.
