Bom dia, periferia

Moro na parte pobre do Cabo Branco, em João Pessoa.

Isso nos obriga, aos moradores e a mim, a convivermos com mazelas próprias dos segmentos marginalizados da sociedade, em certa medida.

Os inconvenientes não são muitos, e não os alinhavo aqui em caráter de queixa ou reclamação e, sim, para ter consciência para mim mesmo, do local em que vivo.

Haver prostitutas na rua, com a sua algazarra e gritos, por vezes agressões de clientes, me aproxima de um bispo católico que e as chamava de as irmãzinhas prostituídas, e a elas se dedicou durante anos, recebendo o fogo cruzado da hierarquia e da oligarquia.

Haver uma oficina mecânica do lado, que interrompe com marteladas ou vozes em alto volume, me lembra das minhas origens, a casa onde passei boa parte da minha vida, antes de vir para o Brasil em 1977.

Haver a Rua Padre Jose Trigueiro, na lateral da Pousada Maresia, sem condições de transitabilidade, me lembra das dificuldades que muitas vezes necessitamos passar para chegarmos à nossa casa ou a qualquer lugar.

Esta casa, por fim, me lembra da morada pobre em que Dom Fragoso viveu e onde ontem estivemos reunidos, na que para mim foi a primeira vez que participei de uma missa em que o sacerdote partilha o pão e o vinho com os fiéis.

Aqui tem vindo e ainda vêm o meu cunhado, que é pedreiro e mora na Cidade Verde, e sua esposa, que estão ampliando a sua casa a pulmão, com esforço e ajuda de muitos.

Ontem Matheus, o filho, ajudava Romero e seu Manoel a colocar os alicerces de uma ampliação que aumenta a casa para os fundos do terreno.

Depois do ofício em memória de Dom Fragoso voltamos para lá, já que seu Chico e D. Marieta necessitavam da nossa presença, e nós da deles, nessa troca constante que é o viver, em que tu es rico no que me falta, e eu tenho em muito o que a ti te falta. É a vida. Bom dia.

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