Bom dia

Começa o dia, e te perguntas se será, de fato, um novo dia. Algo te diz que sim, que foste construindo um espaço dentro e fora de ti, ao ponto de que hoje, ao olhar as nuvens, ao ver o céu aberto do lado do nascer do sol, viste de fato as nuvens e o céu clareando. Quando já viviste um  certo número de anos, o bastante como para ter dentro e fora de ti tanta história, que tudo ou quase tudo é como que uma evocação, deverás ter cuidado para que o presente não se pareça tanto ao passado, que creias que já tenha passado, ou que tu já passaste, ou que o tempo que tens, esta raridade de estar hoje de novo, ainda, todavia, por aqui, possa vir a ser algo comezinho, sem valor. Agora ha pouco, vi a as nuvens cinza, e percebi que não as via como muitas vezes as vira, como uma espécie de coisa que não deveria estar ali, como se o dia pudesse ser bom apenas se fosse de sol. Por que não dia nublado? Vendo as nuvens, vendo-te vindo, vens vindo, bem-vindo, ou bem-vinda.

 

 

Deixe uma resposta