Boal é homenageado com prêmio João Canuto de Direitos Humanos

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Alessandro Conceição, curinga do Teatro do Oprimido, recebendo o prêmio João Canuto das mãos do ator Osmar Prado. Foto: Ney Motta/CTO.
No dia 22 de outubro, no auditório Manoel Maurício, na Praia Vermelha-RJ, o Movimento Humanos Direitos (MHuD), cuja diretora geral é a atriz Dira Paes, concedeu o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos à Augusto Boal. Estiveram presentes na cerimônia, que foi presida pelo ator Eduardo Tornaghi, cerca de 200 pessoas.
O ator Osmar Prado realizou o discurso em homenagem a Boal e entregou o prêmio aos curingas Alessandro Conceição, Monique Rodrigues e Ney Motta, representantes do Centro de Teatro do Oprimido – CTO. A homenagem foi realizada durante a 3ª Reunião Científica do Trabalho Escravo e Questões Correlatas, promovida pelo Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo, do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos da UFRJ, com apoio do MHuD, como parte do Painel Direitos Humanos no Brasil Hoje.
Na ocasião foi apresentada a peça “Anseios de liberdade” pelo Liberarte, grupo popular de Teatro do Oprimido composto por detentos do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, antigo Presídio Frei Caneca. A peça tratou da longa permanência dos internos no Hospital Penitenciário, tempo que se perpetua para muito além do determinado pela medida de segurança. Foca-se esta questão nos casos que possuem como causa a lentidão do aparato judiciário, a ineficiência do tratamento das equipes do hospital, a falta de apoio familiar e a escassez de instituições que possam acolher estes casos (como as residências terapêuticas).
João Canuto
Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula.
O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.
Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de João Canuto, três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram seqüestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de João Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.
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O grupo popular de Teatro do Oprimido Marias do Brasil, integrado por trabalhadoras domésticas com nome Maria, participa neste sábado, dia 24 de outubro, do Seminário Nacional de Trabalhadoras Domésticas, que vai reunir trabalhadoras de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.
No evento será discutida a situação das trabalhadoras domésticas, uma categoria constituída em sua maioria por mulheres negras, a maioria sem carteira assinada, que sofre com a falta da equiparação dos direitos e busca a superação dos preconceitos racial e profissional.
O Seminário acontece a partir das 10h no Colégio Assunção, que fica na Rua Almirante Alexandrino n° 2023, em Santa Teresa, Rio de Janeiro. À noite, às 20h, no encerramento do Seminário, as Marias do Brasil apresentam a peça teatral “Eu também sou mulher”. Com direção de Claudete Félix e Olivar Bendelak, curingas do Centro de Teatro do Oprimido, a peça conta as angústias do assédio pelo patrão e a luta pela obrigatoriedade do FGTS. A apresentação da peça “Eu também sou mulher” é aberta ao público, a classificação é livre e os ingressos são gratuitos

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