Em 1939, a voz absoluta de Billie Holiday entoava uma canção mais que de protesto, um testemunho profético conta o preconceito racial. Tratava-se de “Strange Fruit” de Abel Meeropol:
“Árvores do sul dão uma estranha fruta
Folha ou raiz em sangue se banha:
Corpo negro balançando, lento:
Fruta pendendo de um galho ao vento”
Assim começa a música que faria história na luta pela causa negra nos EUA. Na época da música, o país da democracia era também o país de uma brutal discriminação racial. Esta pérola da musica mundial seria cantada por uma série de interpretes, mas jamais seria superada pela gravação de Billie Holiday. Ficou como um marco na sua curta carreira. Mas a história dessa composição e da sua gravação em 1939 estava faltando. Temos agora em português um pequeno livro que conta esta história de maneira detalhada. O livro “Billie Holiday e a biografia de uma canção. Strange Fruit” é de autoria de David Margolick e foi publicado entre nós pela editora CosacNaify. Não é só a história de uma música, mas um testamento de uma época que pode ser sentido/entendido pela letra da música e pela voz marcante de Holiday. O texto violento tinha endereço certo, como disse o autor da letra: “Eu escrevi Strange fruit porque detesto linchamentos, detesto injustiça e detesto as pessoas que a perpetuam”.
“Eis uma fruta para que o vento suge,
Pra que um corvo puxe, pra que a chuva enrugue,
Pra que o sol resseque, pra que o chão degluta,
Eis uma fruta estranha e amarga”.
Assim termina a canção… E segue a vida.
