Ausência do debate

Em virtude de vários tabus, o Brasil peca muito ao fazer silêncio sobre alguns assuntos que de uma maneira ou outra fazem parte de nossas vidas.
Em uma decisão inédita, o STF (Supremo Tribunal Federal) deu como ganho o aborto para fetos sem cérebros ou parte deles. Independente de quem ganhou, o debate sobre o assunto foi muito escasso. Não houve como desenvolvê-lo de modo democrático, já que vários pontos de vista são éticos, morais e religiosos. Principalmente o último. Isso é apenas uma amostra de como estamos imaturos para certos assuntos, como:
1)      A legalização da maconha: O que significa legalizar?  Por que somos tão tolerantes com o álcool e o tabaco? Pois os dois matam mais que a maconha, e sabemos que esta tem seu uso terapêutico .
2)      O racismo: Somos um povo mestiço, porém são muitas as diferenças sociais entre brancos, negros e índios. Somos um país que a cada século e meio continua a eliminar milhões de índios e toda uma juventude negra por pessoas que deveriam nos proteger. Mas ainda assim eles existem e resistem.
Pessoas insistem em dizer que não existe racismo no Brasil, você acredita nessa conversa?  Ignoramos os fatos ou jogamos o problema para outras pessoas, alegando que nunca somos racistas e sim os outros.
3)  Homossexualismo: Em nosso país não existe nenhuma lei que puna com rigor crime  de homofobia . Os conservadores acreditam que seria uma ameaça à raça humana a união civil de pessoas do mesmo sexo, e a família correria o risco de extinção. Uma mentira.
4) Intolerância religiosa: Dizem que religião não deve ser discutida, mas pode ser atacada principalmente ser for de matriz africana ou espírita. Quem segue essas duas, ou outra que não seja do agrado, muitas vezes é perseguido.
São quatro exemplos de como nossa sociedade ainda é conservadora, e não está apta ao debate honesto e franco. Quem perde com isso? Todos nós, sejamos contra ou favor. O debate nos ajudará a chegar num denominador comum. Não vale apenas calar a voz do outro, e somente pensar que sua opinião está correta. Ouvir outras vozes sempre será bem-vindo, pois nunca haverá uma verdade absoluta, mesmo em situações que não nos agradam.
O Supremo Tribunal Federal tomou a decisão que lhe cabia, não se deixou influenciar pelo lado eclesiástico. Nesses momentos sempre surgem aqueles religiosos, em sua maioria não praticantes ou hipócritas, achando-se sempre do lado do bem. Acreditam que os favoráveis ao aborto ou qualquer opinião contrária à deles estão errados, a ponto de os chamarem de assassinos. Aquele que é a favor da legalização da maconha é chamado de maconheiro, ou aquele que é defensor das cotas raciais é considerado racista. Todos esses exemplos revelam o quanto somos ignorantes em determinados assuntos. A cura para isso tudo se chama EDUCAÇÃO.
Em entrevista para uma rede de TV, a ex-candidata a presidente Marina Silva, foi questionada sobre temas considerados polêmicos. Ela respondeu que era contra alguns temas, mas, sabiamente, Marina disse que era dever dela ouvir outras pessoas favoráveis a tais assuntos, deixando assim aberto o diálogo ou debate.
Oxalá que um dia todos nós passemos a nos respeitar mesmo com nossas diferenças.
(*) Fabio Nogueira é coordenador de pré–vestibular comunitário e militante da Educafro. E-mail: fabionogueira95@yahoo.com.br.

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