Audiência pró-conferência estadual de comunicação no Rio

No dia 22 de junho foi realizada, no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a audiência pública pela Conferência Estadual de Comunicação, com cerca de 150 pessoas presentes. O encontro ocorreu em função da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, prevista para os dias 01 , 02 e 03 de dezembro.
A mesa foi mediada pelo deputado Alessandro Molon, presidente da Comissão de Cultura da Alerj, e composta por dois integrantes da Comissão Rio, Oona Castro, do Coletivo Intervozes, e o professor Marcos Dantas, da PUC-Rio. Estiveram na mesa também o deputado estadual Gilberto Palmares e a deputada federal Cida Diogo, integrante da comissão organizadora nacional da Confecom.

Da esquerda para a direita: a deputada federal Cida Diogo; Oona Castro, do coletivo Intervozes; Alessandro Molon, presidente da Comissão de Cultura da Alerj e Marcos Dantas, professor da PUC-Rio. Foto: Rafael Duarte/APN.
Da esquerda para a direita: a deputada federal Cida Diogo; Oona Castro, do coletivo Intervozes; Alessandro Molon, presidente da Comissão de Cultura da Alerj e Marcos Dantas, professor da PUC-Rio. Foto: Rafael Duarte/APN.

Alessandro Molon, após fazer a recepção à Assembleia, afirmou que a Conferência Estadual é uma etapa fundamental para a Conferência Nacional de Comunicação e ressaltou a necessidade do envolvimento da sociedade não só para discutir a democratização da comunicação mas também qual a sociedade que queremos em relação a ela.
O professor Marcos Dantas relatou sua experiência na constituinte de 1988 na área da comunicação, indicando que “é uma disputa que não tem acordo, o ponto da comunicação não tem consenso”. Para ele trata-se de um processo duríssimo devido à relação desse setor com o poder e que é preciso qualificar o debate para o final do ano. Será “uma grande reorganização dos negócios da comunicação”, referiu-se às mudanças estruturais que vêm ocorrendo com a convergência de diversos meios através da tecnologia.
“Quando você não resolve as questões pelo consenso tem que se preparar para o confronto democrático. É preciso pressionar para que esse sistema se democratize”, afirmou o deputado Gilberto Tavares, complementando a fala do professor. Gilberto destacou que grande parte da população ainda não tem acesso à Internet, o que quer dizer, segundo o deputado, que uma série de serviços como educação e saúde não são de fácil acesso aos cidadãos.
Para contextualizar o processo de mobilização no Rio de Janeiro, Oona Castro observou que mais de 30 entidades estão participando no estado e que é essencial a conscientização e participação da sociedade: “É preciso mostrar como a comunicação afeta a todos no nosso cotidiano”, destacou, avisando que o empresariado já está se organizando em função dos seus interesses na manutenção do mercado. Ela lembrou que uma carta foi elaborada em seminário recentemente e está disponível no site do comitê, em www.proconferencia.com.br
Cerca de 150 pessoas estavam presentes. Todos os palestrantes ressaltaram a necessidade de mais participação da sociedade. Foto: Rafael Duarte/APN.
Cerca de 150 pessoas estavam presentes. Todos os palestrantes ressaltaram a necessidade de mais participação da sociedade. Foto: Rafael Duarte/APN.

A última a falar antes das intervenções do público foi a deputada federal pelo PT, Cida Campos, que passou as informações da organização nacional orientando como será o funcionamento da convocação das conferências estaduais (veja aqui). Para ela, é “um marco histórico de poder, na democratização de espaços e interferência na discussão de outros poderes, da democracia brasileira”.
Alguns temas foram colocados em questão pelas pessoas presentes, tais como: a importância do gênero dramático na televisão brasileira, devido ao alcance que tem na sociedade, e o grau de investimento que lhe é conferido; o vencimento das outorgas de rádios e canais comerciais em paralelo ao sistemático combate às rádios comunitárias pela mídia hegemônica; as concessões públicas como moedas para interesses políticos e particulares; a reprodução do modelo analógico com a TV digital, permanecendo concentrado o setor, com a mesma linguagem e conteúdo; dentre outros fatores.
Manifestação cultural em Niterói, com muita música, esquetes, poesia, mostra de jornais alternativos, sempre entremeadas de falações e panfletagem em defesa de uma conferência de comunicação ampla, democrática e transformadora. Foto: Gilka Resende.
Manifestação cultural em Niterói, com muita música, esquetes, poesia, mostra de jornais alternativos, sempre entremeadas de falações e panfletagem em defesa de uma conferência de comunicação ampla, democrática e transformadora. Foto: Gilka Resende.

À noite foi realizado um ato cultural pró-conferência em Niterói, com muitos artistas, estudantes, representates de entidades e movimentos, e o público em geral. Foi montado um palco na Praça São Domingos, com faixas e banners pela conferência, onde rolou muita música, poesias, mostra de jornais alternativos e apresentações teatrais.

Deixe uma resposta