Atentado da Rua Tonelero, tiro no pé e Sérgio Cabral.

Por Maximiano Laureano

Na madrugada do dia 5 de agosto de 1954, ocorreu um crime na rua Tonelero, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, que viria a mudar a história do país. Dois homens armados  dispararam contra Carlos Lacerda, o mais conhecido opositor do presidente Getúlio Vargas, e contra o seu segurança, que lutou com o agressor numa tentativa frustrada de desarmá-lo. Lacerda ficou ferido, atingido por um tiro que acertou de raspão o seu pé. Já o Major não teve a mesma sorte e morreu a caminho do hospital.

No dia seguinte, o jornalista relatou no editorial da Tribuna da Imprensa a emboscada que tinha sofrido e acusou o seu opositor, Getúlio Vargas. Com a tensão política gerada pelo atentado, e outras tantas, Getúlio acaba se suicidando. O que, segundo o brasilianista Thomas Skidmore, levou ao caos político, culminando com o Golpe de 64.

Esse ficou conhecido como o mais famoso tiro no pé da História recente brasileira. Outro “tiro no pé”, metaforicamente falando, cometeu o governador Sérgio Cabral, ao ordenar e/ou autorizar que elementos da sua polícia se infiltrassem nas manifestações. Denúncias com base em depoimentos e vídeos nas redes sociais afirmam que seriam policiais infiltrados que efetivamente começam a violência e o vandalismo nos atos. Um destes  inclusive teria jogado um coquetel molotov, o qual acertou um colega do Batalhão de Choque, no ato na recepção ao Papa Francisco nas Laranjeiras.

As imagens  do policial envolto em chamas chocou a população. Mas olhares mais atentos gravaram com câmeras, de vários ângulos, a pessoa jogando o artefato, e após isso, correr para o cordão de isolamento da PM, com máscara, trocar de roupa e sair incólume.

No mesmo ato, houve a prisão arbitrária dos jornalistas independentes da MÍDIA NINJA, os quais foram logo liberados, livres da acusação de incentivarem a violência dos manifestantes. Houve também a prisão de outras pessoas, dentre eles um acusado de portar uma mochila com artefatos explosivos. Mas de novo as imagens feitas por manifestantes e até de um grande veículo de comunicação mostraram que o rapaz não portava a mochila até ser preso.

A divulgação desses vídeos nas redes sociais gerou questionamentos e revolta por parte das pessoas que assistiram. O assunto foi parar na grande mídia, com respostas desencontradas por parte da secretaria de segurança, da PM e do governador Sérgio Cabral, sobre a participação de policiais infiltrados nos atos.

Será esse o maior ” tiro no pé ” de um governador, o qual vem despencado nos índice de popularidade, ou virão outros mais?

No resto do país diminuiu o ritmo das manifestações, passeatas e atos. Mas, no estado do Rio de Janeiro, parece ainda haver bastante fôlego para uma escalada ainda maior de mobilizações. O que demonstra uma insatisfação por parte da população em relação a seu governador. O helicóptero de Sérgio Cabral nunca acumulou tantas milhas como nos últimos dois meses, pois este parece evitar ao máximo o contato com o povo nas ruas.

  Será que a “Maldição da Rua Toneleiro”, lugar bastante perto de onde aconteceu a recepção ao Papa, atacará o Governador? Somente as manifestações na internet e nas ruas poderão dar as respostas.

Com a palavra o governador. E as ruas.

Deixe uma resposta