Associação de Moradores não comparece à inauguração da UPP no morro da Providência

Sede da UPP próxima a entrada da comunidade, no edifício onde o Grupamento de Policiamento em Áreas Específicas (Gepae) se istalado em 2002. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Sede da UPP próxima à entrada da comunidade, no edifício onde o Grupamento de Policiamento em Áreas Específicas (Gepae) se instalou em 2002. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Muitos historiadores dizem que a comunidade do Morro da Providência foi a primeira favela a ser construída no Rio de Janeiro, e décadas depois da sua formação ainda existem moradias feitas com estuque e madeira no local. Nos arredores da favela surgiu o samba carioca, tendo como berço a casa da Tia Ciata, gênero musical que hoje é patrimônio cultural do país e já gerou muito lucro aos cofres públicos. No entanto, o abandono do poder público é visível na região.  
Nesta semana (26/04) muitas autoridades estavam presentes na comunidade para a inauguração de mais uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), mas a presidente da associação de moradores local se negou a participar da solenidade. Vera Lucia, em entrevista ao Fazendo Media no mês passado (leia aqui), critica o estado por entrar com armas no Morro da Providência enquanto há pais de família desempregados, esgoto a céu aberto, e crianças nas ruas da comunidade.
O governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse estar levando a paz para o território e que o metro quadrado da região será valorizado. “O que vai mudar nessa região é extraordinário, virão negócios para cá, um fundo vai financiar as obras de infraestrutura”, falou em seu discurso da inauguração da UPP. Segundo o governador, além da segurança pública o estado levará projetos sociais, limpeza das ruas e esportes, além de outros serviços.
Poucos moradores comparecem à solenidade
Dentre os poucos moradores que compareceram à solenidade, poucos aceitaram a falar a respeito da ocupação. Valdir Lima, de 44 anos, foi um deles. Valdir mora na comunidade desde que nasceu, tem dois empregos como vigia nas proximidades, e denunciou arbitrariedades dos agentes policiais e até invasões aos domicílios.
Uma das habitações precárias no Morro da Providência, numa das escadas ao lado da UPP. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Uma das moradias precárias no Morro da Providência, numa das escadas ao lado da UPP. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

“Quando eles tiverem rodando o morador que vai ser prejudicado, porque eles vão querer vir com atitude e a gente não pode falar nada. Nesses dias estavam expulsando morador para casa, batendo nos outros. A única diversão nossa é lá embaixo, como é que quando dá 11h vai expulsar o morador? Eu tenho que transitar de madrugada. Me abordar é um direito deles, eu vou ter de me explicar, tudo bem, mas sempre vem um mais alterado que o outro. Meia noite e pouca ninguém está na rua”, criticou o morador.
“Não sou conivente, não convivo com o pessoal do tráfico, vivo a minha vida e entrava e saía a qualquer hora. Está dando problemas em outras áreas da UPP também, tem morador reclamando da abordagem com arrogância, arrombando porta de morador”, complementou. Valdir afirma ainda que os roubos, que antes não aconteciam, começaram a ocorrer. “Antes no morro ninguém estava sendo roubado. Isso tem acontecido direto. E como a gente tem prova de falar quem foi? Minha casa mesmo, pegaram a máquina da minha enteada”, relatou Lima.

A solenidade de inauguração da UPP ocorreu na Praça América Brum, no topo do Morro da Providência, e contou a presença do governador, o prefeito, secretários, dentre outros reporesentantes. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
A solenidade ocorreu na Praça América Brum, no topo do Morro da Providência, e contou com a presença do governador, o prefeito, secretários, dentre outros reporesentantes do Rio. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

UPP veio para ficar por tempo indeterminado
O secretário de segurança pública do estado, José Mariano Beltrame, foi procurado pelo Fazendo Media ao final da atividade para falar sobre as críticas da presidente da associação e denúncias dos moradores a respeito de arbitrariedades dos policiais. 
“Nós temos que entender que esses lugares não viviam sob a ordem, a ordem era imposta pelo tráfico. Quem decidia se o pagode vai até as 4h ou 2h da manhã não era o estado, eram os traficantes que eram o tribunal. A sociedade daqui tem que começar a interagir com a polícia e passar a viver o ordenamento público, ou seja, respeitar o direito de vizinhança, a pessoa saber que tem um vizinho que acorda cedo e chega tarde. Isso é um processo que vai ser retroalimentado e resolvido através da convivência, da atitude da polícia e da compreensão da comunidade. Eles estão há 40 anos fora do processo de socialização, têm motivos de sobra para não acreditar na polícia”, disse o secretário.
Para o capitão Glauco Schorcht, responsável pela UPP inaugurada, ela é mais completa que o Gepae. “Nós viemos para ficar efetivamente no terreno. Foi feito um trabalho do Bope junto com o choque e aí entra a UPP. Mudamos toda a administração, serão aproximadamente 250 homens divididos em turno, durante 24 horas. Viemos para ficar em tempo indeterminado”, afirmou o capitão.
Além disso, na opinião de Schorcht, a formação da Polícia Militar já vem mudando há algum tempo, e inclui policiamento comunitário e os direitos humanos como foco. O capitão negou as denúncias feitas pelos moradores: “Eles podem sair sempre. A partir do momento que se tem uma determinada suspeita, é procedida uma revista dentro do padrão de técnica de abordagem. Eles não estão proibidos de sair à noite, só o baile funk está proibido. Quanto a essas reivindicações de outros serviços e manifestações, nós poderemos servir como elo para repassar aos outros órgãos públicos sem problema nenhum, mas não é uma função da UPP que veio para manter o terreno”, afirmou.

7 comentários sobre “Associação de Moradores não comparece à inauguração da UPP no morro da Providência”

  1. As UPPs são ótimas e têm melhorado muito a vida de todos.
    Cabral tem investido e tenho certeza da satisfação de todos pelas unidades.
    Mas, com certeza Cabral vai apurar esse tipo de abordagem alterada que o morador diz, afinal, uma das intenções é que os moradores tenham confiança nos policias.

  2. Ahhhh!!!!!!
    Esse negócio de UPP esta por fora.
    Bom mesmo é ficar sob o comando da “firma”. Eles promovem baile funk, cervejada e pagode até o amanhecer, sem essa de ter que respeitar o sono da grande maioria de moradores ordeiros e trabalhadores. Com eles podemos comprar a nossa paradinha fiado e até ganhar um presentinho se esconder-mos alguma coisa para eles. Mas, agora com essa tal de UPP, teremos que nos comportar como cidadões ordeiros…..Pô…..Assim não dá, assim não pode.
    Assinado: AVT.
    Associação das viúvas do tráfico.

  3. Depois que Sérgio Cabral entregou-se ao seqüestro de seu governo pela máfia midiático-militar no Rio de Janeiro, submeteu-se à pauta de extensão do plano Colômbia para cá.
    Se antes, com a oportunidade da organização do PAN, justificando-se a tentativa paramilitarista era: “milícia ou tráfico”?. Com a desmoralização escandalosa desta máfia ligada ao PMDB/DEM/TV Globo, feita pela polícia federal e CPI na câmara estadual, agora, passou a ser: UPPs ou tráfico?
    Como se o tráfico dependesse de favelas para sobreviver. Muito pelo contrário: O custo do tráfico com armamentos vai cair e os lucros da máfia vai subir. Tudo se prepara para um consumo de alto nível, conjugado com a ocupação militar por tempo indeterminado; controle implacável das periferias, aos megaeventos que virão.
    Uma nova firma está se montando, transversal aos aparelhos de Estado!
    Aos poucos, a nova farsa vai sendo desmascarada. Já há notícias, vindo de comunidades, de que estão fazendo acordos com o tráfico para continuar vendendo as drogas e deixar os armamentos: são todos amigos! Ou, amigos dos amigos… quem não está familiarizado nesses contextos jamais compreenderá como fazem as simulações.
    Como todos podem constatar, não está havendo resistência armada da tão decantada “guerrilha urbana”. Se houvesse guerrilha, mesmo, prefeito e governador já teriam ido pra vala, ou , no mínimo , seqüestrados para se negociar uma outra política no Rio de Janeiro sem o exterminio da juventude negra e favelada!
    Os nossos “bravos heróis” adentram o território do suposto “inimigo da pátria” com bandeira do Brasil e a caveira do Bope em punho, sem nenhuma resistência!
    O que se revela, na verdade amordaçada, é que: o grande inimigo é o pobre!
    Está, agora, numa verdadeira prisão a céu aberto!
    E tudo em nome do tal “Estado democrático de direitos”, expressamente negado a esta parcela da população apartada, à ferro e fogo.
    A tranqüilidade das classes médias está sendo garantida, enquanto o pobre está sendo sitiado em suas casas e preso em suas comunidades.
    O fascismo tem soluções muito práticas. Democracia dá trabalho e ninguém se entende, dizem.
    A solução então é a força, o amor à força!
    É sempre uma república sem republicanos.

  4. UPP éo caralho quem manda é nóiis
    bonde do SP , a provii é CVRL .. aqui no morro é tudo nosso é nosso bonde nao o deles ,e BAALA NELEES upp vai se fude NÓIS VAI VOLTA PRA CASA MANEEE

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