As matérias de El País sobre a Venezuela seriam deliciosas para amantes de ficção científica

 

(Imagem: tercerainformacion.es)


Espanha: o jornal El País fala duma Venezuela que não existe e sonha com uma “transição” sem Chávez; na realidade, porém, a única transição que existe é a que caminha rumo ao socialismo.
Por tercerainformacion.es – traduzido do portal Aporrea.org, postagem de 05/01/2013
El País tem mentido tanto sobre o que acontece na Venezuela que suas informações parecem relatar fatos duma Venezuela localizada num universo paralelo.
O que o diário espanhol publica não corresponde à realidade. São mais os sonhos neoliberais dos donos de El País, o que eles gostariam que estivesse acontecendo nesse momento. Assim, para eles, não é outra coisa senão uma “transição” – sem Chávez com certeza – que desembocasse num novo assalto aos recursos naturais da Venezuela e na privatização das funções do Estado, para voltar a converter os direitos do povo num rentável negócio.
Mostra disso é a capa com a qual El País fechou o ano 2012, que tinha como manchete “Os militares se convertem em árbitro da transição venezuelana”. El País se esforçou muito no último mês dando forma ao argumento que apresenta os militares como um ente alheio – ideologicamente – à Revolução Bolivariana. Tinham que fazê-lo assim para justificar uma inexistente “luta pelo poder” entre os militares, com seu candidato Diosdado Cabello (ex-oficial do Exército reeleito no sábado, dia 5, presidente da Assembleia Nacional), contra Nicolás Maduro (vice-presidente e chanceler, apontado por Chávez como candidato no caso de nova eleição presidencial).
Se El País estivesse interessado no que ocorre realmente na Venezuela, ao invés de criar uma realidade paralela com suas mentiras, saberia que um dos principais anseios do presidente Chávez, já tornado realidade há vários anos, é a “união cívico-militar”, base da Revolução Bolivariana. Muito antes de chegar ao poder democraticamente, o presidente Chávez falava da importância da união entre o Exército e o povo, concebida na consigna os militares são para servir ao povo.
Logo ao chegar ao poder Chávez mobilizou o Exército para tarefas de proteção social. O militar venezuelano não era para reprimir o povo, era para ajudar a consertar sua casa ou para lhe trazer alimentos. Depois de 14 anos esta união cívico-militar está bem assentada.
El País sabe muito bem a opinião que a sociedade espanhola tem sobre os militares, e aproveita para apresentar o Exército venezuelano como uma instituição oportunista que apenas se interessa pelo poder e não pela ideologia. No entanto, há muitos exemplos que desmentem isso. Roland Blanco La Cruz foi governador do estado de Táchira – na Venezuela – desde o ano 2000 até 2008, ardoroso admirador da Revolução Cubana, se destacou pela construção de moradias entregues gratuitamente às camadas sociais de baixos recursos. Ramón Rodríguez Chacín, outro militar venezuelano, expulsou a agência antidrogas estadunidense em 2006. Os militares venezuelanos têm o socialismo como ideologia e a fidelidade à Revolução Bolivariana liderada por Chávez como bandeira.
Para o jornal El País há muito tempo a objetividade não tem a mínima importância. Está aí para proteger os interesses da oligarquia a quem pertence e a isso se dedica. Se tem que inventar que há uma luta pelo poder na Venezuela, então se inventa uma história que sustente a mentira da melhor forma possível.
El País justifica no seu noticiário a importância que vai adquirindo o Exército baseado numa carta escrita por Chávez que Maduro leu num ato celebrado com militares. Para o rotativo, é evidente essa importância do Exército porque Diosdabo Cabello esteve presente. Que pode ter de especial que o presidente da Assembleia Nacional – Cabello – participe dum ato do Estado?
Não se pode justificar que exista uma luta pelo poder baseando-se no fato de que os altos funcionários do Estado participaram dum ato de Estado. El País o sabe. Por isso força a ligação na matéria dizendo que “Desta vez a data foi demonstração de indícios explícitos sobre a importância que as Forças Armadas vão adquirindo como árbitro na luta pelo poder que se gesta no interior do chavismo”, uma ligação com outra matéria sua na qual não se fala de nenhuma luta interna. É um argumento vazio que não se pode realçar nem com mentiras.
Porém se pode aparentar credibilidade. Quem melhor do que um analista convertido como Heinz Dieterich, que passou de apoiador da Revolução Bolivariana a porta-voz da direita. Na matéria se lê “O diário brasileiro Folha de S. Paulo dava a conhecer uma entrevista com um antigo ideólogo da revolução bolivariana, o acadêmico alemão Heinz Dieterich, que desde o México, onde reside, assegurou que “os cubanos não têm influência na sucessão. Os militares leais a Chávez, estes sim são o fator chave”. Pena que a citação fique por aí e não possamos ler uma explicação do por quê.
El País não o diz porque ocultando o giro à direita feito por Heinz Dieterich nos últimos anos, pode apresentá-lo como uma pessoa de esquerda que se desvinculou de Hugo Chávez devido ao desacertado rumo político dado à sua revolução. A direita midiática se encanta com os convertidos por esta razão, se serve deles para atacar seu inimigo tanto pela esquerda como pela direita.
Heinz Dieterich defendeu o governador do estado de Lara, Henry Falcón, quando este saiu do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) porque não lhe pareceu correto que Chávez ordenasse a expropriação duma empresa privada que estocava alimentos para aumentar seu preço. Ele criticou Chávez por se aproximar tanto do “regime cubano” e previu o fim da Revolução Bolivariana no prazo de dois anos devido à desvalorização do bolívar (moeda venezuelana), dentre outras coisas.
Outro dado que usa El País é que os militares controlam três ministérios dum total de 31, 9% do total. O engraçado é que o próprio jornal diz que “em qualquer cenário, a aprovação militar parece imprescindível. Não tanto por seu poder de fogo, mas pelo controle logístico e administrativo que as Forças Armadas mantêm sobre funções vitais do Estado”.
Enquanto isso, na Venezuela que realmente existe, Nicolás Maduro está fazendo um bom trabalho como vice-presidente, sendo a cara visível do governo da Venezuela enquanto Chávez se recupera com algumas complicações em Havana. El País sabe que o PSUV e seus aliados estão unidos e que a única “transição” será a que já está em marcha há quase 15 anos, a que caminha rumo ao socialismo.
Talvez por isso o diário espanhol tenha inventado uma história de ficção científica, porque somente na imaginação, os que assaltaram os recursos da Venezuela poderão voltar.
(*) Tradução: Jadson Oliveira

Deixe uma resposta