Aos jovens petistas!

ptjovemOutro dia fui convidado para participar de um evento organizado pela Juventude Petista. De certa forma foi um retorno aos meus tempos de jovem, quando era militante do PT e acreditava piamente que este partido mudaria o Brasil e, quiçá, o mundo. Enquanto ouvia aqueles jovens petistas expressarem esperanças e sonhos, tentava compreendê-los.

Para mim parece lógico a opção dos da minha geração que assumiram a luta política, estimulados pela ascensão dos movimentos sociais e influenciados pela Teologia da Libertação. O PT era, então, não apenas uma promessa e esperança, mas também o espaço “natural” aos que, como dizíamos na época, superavam a alienação política e assumiam a luta pela democratização e contra as injustiças sociais. Não tínhamos outra experiência de participação política anterior ao PT. Portanto, simplesmente, oPTávamos.

O tempo não pára! Envelhecemos, nós e o PT. Muitos se adaPTaram muito bem à metamorfose do partido. Alguns se tornaram parlamentares ou ocupam posições importantes no aparato estatal. Muitos se desiludiram e até abandonaram as esperanças de outrora e passaram a defender o status quo.

O PT não apenas envelheceu, mas negou-se a si mesmo e rompeu definitivamente com as suas origens. Lógico, continua existindo a legenda que se chama Partido dos Trabalhadores, mas tornou-se um partido como outro qualquer. Pragmaticamente, aceitou jogar o jogo e tornou-se exímio na arte de praticar a política que combatia. Consolidou-se com o abandono de qualquer veleidade que faça lembrar seus primeiros anos. Os que não se adaPTaram nem venderam seus sonhos, é impossível se reconhecer no PT do presente.

Não obstante, aqueles jovens petistas ainda acreditam. O que os movem? Quais seus interesses? O que querem ao aderir à militância partidária? Qual a ideologia deles? Sim, é outro tempo, outras condições históricas. Eles não viveram a experiência que a minha geração viveu. Conhecem-na pelos livros, teses, artigos e pela convivência com os mais velhos, os que permaneceram no partido e tentam, de todas as formas, justificar o que antes era injustificável. A cultura política desses jovens é outra; eles foram forjados noutra prática e contexto político. O que os seus líderes fazem em Brasília e por este país afora talvez até pareça “natural”, uma necessidade da política. Se são críticos, rendem-se à realidade e ao discurso dos líderes. Estes enfatizam as “realizações” para justificarem a práxis política.

Contudo, que direito tenho de questionar a opção deles? Nem mesmo sou militante da política partidária. E, apesar de tudo, parece-me melhor que vivam a experiência da política do que resignarem-se ao medíocre cotidiano dos que passam pela vida. Eu tive este direito, foi uma escolha, uma decisão. Que também façam suas escolhas; eles têm o direito de errar.

Contudo, silenciar a crítica não seria ético da minha parte. Até porque minhas posições políticas são públicas e não fui convidado por engano. Pareceu-me, portanto, que o respeito àqueles jovens exigia também que a minha reflexão crítica sobre o PT fosse pronunciada claramente. Embora tente compreendê-los, não posso concordar com a prática política do partido que eles defendem. Alguns setores deste partido podem até manter a retórica crítica ao capitalismo ou mesmo socialista, mas a práxis mostra o quanto este discurso é vazio. Aliás, não entendo porque os que ainda se consideram marxistas, os que insistem na falação do “PT das origens”, permanecem no partido. Compreendo-os menos ainda depois do que vi e ouvi nestes dias. Que espetáculo triste o PT nos ofereceu! Fez-me pensar naqueles jovens petistas. Será que eles também se envergonharam?

2 comentários sobre “Aos jovens petistas!”

  1. Caro Ozaí, numa frase sucinta q se encontra no meu perfil do orkut, eu me defino, e ao mesmo tempo respondo a suas indagações: “Socialista, ex-petista, mas ainda votaria no PT”
    Já não creio em ‘mudar o pt por dento’, como alguns amigos. Mas também TATICAMENTE n deixarei a direita retornar, ok?

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