Além da credibilidade, a ‘Folha’ perdeu o senso de ridículo

Na última 4ª feira (15), certo de que a Folha de S. Paulo continuaria escamoteando as boas práticas jornalísticas, postei e divulguei o artigo Caso Battisti: a ‘Folha’ driblará de novo o direito de resposta?.

Resumindo:

  • o jornal publicara na 2ª feira um panfletinho canhestro, de viés escrachadamente direitista, perpetrado por uma nada ilustre desconhecida para pressionar o presidente Lula a decidir de maneira injusta e indigna o caso da extradição do perseguido político italiano Cesare Battisti;
  • no mesmo dia o companheiro Carlos Lungarzo detonou tal falácia parágrafo por parágrafo, produzindo uma refutação exemplar e enviando-a à Folha lá pela hora do almoço;
  • o pasquim da  ditabranda começou a enrolar o Lungarzo na própria 2ª e continuou na 3ª, com o editor de Opinião finalmente prometendo uma resposta… para a 5ª, quando o assunto estaria frio como um iceberg;
  • antes disto, na 4ª, publicou no Painel do Leitor uma refutação do advogado Barroso, fiel à sua prática de fornecer tribuna privilegiada para as piores aberrações e relegar as contestações à seção de leitores, que o Paulo Francis apropriadamente definia como “muro das lamentações”;
  • cantei a bola no meu artigo, antecipando que este seria o pretexto utilizado pela Folha para não publicar o artigo do Lungarzo, negando-lhe o direito de resposta no mesmo espaço e com o mesmo destaque, como era praxe no jornalismo de verdade, mas deixou de sê-lo quando os jornais ficaram submetidos a banqueiros credores ou a filhinhos de patrões.

Errei: o pretexto que o editor de Opinião utilizou para tapar o sol com a peneira, desta vez, foi de que eu publicara o artigo do Lungarzo no meu blogue e, provavelmente, o espalhara pela minha rede…

Esperei até hoje para ver se a ombudsman, em sua coluna dominical, cumpriria seu dever de abordar este caso. Também se omitiu.

Então, só me resta dividi-lo com vocês.

É hilário constatar que, da forma como o editor de Opinião da Folha colocou a questão, euzinho fui colocado em pé de igualdade com o autoproclamado maior jornal do País: o que sai no blogue do Lungaretti, a Folha não publica.

Foi a homenagem que o vício prestou à virtude, pois, modéstia à parte, nos meus espaços se pratica um jornalismo inexistente na Folha desde os idos dos ’70, quando tinha um diretor de redação de verdade, Cláudio Abramo.

Da mesma forma que o Gabeira e o Serra abdicaram da própria identidade, tornando-se o avesso do que eram, a Folha hoje não passa de um ex-jornal que virou mero  house organ da direita golpista, obcecado em fabricar factóides políticos, no afã de fornecer munição eleitoral para tais e quais candidaturas em detrimento de outras.

Seu compromisso não é mais com a informação, e sim com a manipulação.

3 comentários sobre “Além da credibilidade, a ‘Folha’ perdeu o senso de ridículo”

  1. Eu penso que todos esses escândalos, embora possam ter acontecido de uma forma ou de outra, têm sua divulgação encomendada. Nada é novidade, apenas o momento das eleições favorece o surgimento dessas informações, muitas das vezes deturpadas, tais como as editadas por VEJA, ESTADAO,FOLHA etc, que tem, na minha opinião como pano de fundo, duas situações bem distintas: uma é a eleição pp dita, e a outra é o receio de que evolua a discussão sobre a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Aqui no Brasil temos talvez seis (6) grupos que controlam as comunicações: são proprietários de jornal escrito e falado, TV aberta e fechada, revista, estação de rádio, enfim uma rede de comunicacão cruzada. Isso é muito ruim para a democracia.
    A informaçao fica ao bel prazer de suas interpretações. Quem pode dizer o contrário? Qual é a verdade?
    Att,
    Fernando

  2. Fernando, concordo em gênero número e grau contigo. As “crises” e “escândalos” noticiados pela mídia condescendente com o status quo são apenas (e nunca passam disso) matérias de gaveta, descobertas há meses (se não anos) e plantadas como minas terrestres nos terrenos onde possam provocar dano calculado e estrategicamente inoculado. Nada mais.

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