Ainda há esperança

Foto: EBC
Foto: EBC
Sou fruto de um Pré Vestibular Comunitário (PVC) e dou aula em uns desses núcleos como forma de obrigação moral retribuindo tudo que ele fez por mim.
Há duas semanas estava no complexo de favela da Penha (o Morro do Cruzeiro) fazendo a divulgação da abertura de mais um PVC. Distribuindo folhetos com meu parceiro de luta Melque da Silva. Adentrando nas vielas da favela ainda assistimos cenas pertinentes de um país desigual. Deparamos com esgotos a céu aberto nas entradas das casas. Caminhando, vi jovens na flor da idade que ainda não sabem ler nem escrever o próprio nome. O mais triste da história: sem expectativa de um amanhã melhor. Os motivos são muitos, desde péssimos serviços do poder público que olha a educação e a saúde como luxo e não dever até a estrutura familiar (não exclusividade dos pobres). No entanto, os jovens com quem conversei questionaram-me: pra quê estudar? Com os percalços que a educação nos oferece, ela ainda é umas das pouquíssimas saídas para sairmos dessa situação critica .
Nos confrontamos noutra viela da comunidade com outra cena muito parecida com guerra: De um lado policiais atrás de barreiras e armados até os dentes, e do outro jovens muito bem armados. Ambos num jogo psicológico do tipo quem atira primeiro.
Aí, pergunto: Qual é a expectativa de um morador ou desses jovens sobre o futuro dentro da favela? Que esperança resta-lhes? Haverá aqueles que esperam a intervenção divina como solução. Outros responderam que não há esperança nenhuma.
Sou uma exceção entre eles, e não gosto de ser exceção. Sou ferrenho em dizer que sou a favor de um Estado FORTE na vida social do cidadão. Pagamos os nossos impostos e em nada somos retribuídos, pelo contrário. Em áreas menos favorecidas, como as favelas de todo o país, a única presença do Estado é o seu braço opressor e ideológico: a polícia.
Num país onde o mérito ainda é referência para garantir espaços privilegiados, a palavra igualdade chega a ser aberração para mentes fechadas.
Sou uma pessoa otimista. Ainda acredito numa sociedade justa para todos. Acredito numa educação libertária, muito parecida a que o professor Paulo Freire pregava. Para mim, este modelo de educação já nasceu atrasado e excludente: está saturado. Se não viver até lá, posso dizer que lutei junto com outros companheiros para ver este mundo mais justo para todos. Quanto aos rapazes da favela da Penha, espero que um dia eles possam rever os seus conceitos.
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” – Paulo Freire
PS. Infelizmente o PVC não foi a frente, teve que fechar por falta de alunos ou pela má vontade de religiosos que pensam que as ovelhas vão se descarrar.

Um comentário sobre “Ainda há esperança”

  1. Caro Fabio, primeiramente parabens e obrigado pelo esforco. Os negros tem que aprender a violar a segunda lei de Newton e se erguerem puxando o proprio cabelo. Um negro que ascende leva consigo varios outros.

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