Visando a divulgação do centenário da rebelião que ficou conhecida como A Revolta da Chibata, a Funarte, com apoio da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), convidou o grupo paulista Tuov (Teatro Popular União e Olho Vivo para encenar), no próximo sábado (20), às 17h, no Auditório Oscar Guanabarindo, na ABI, com a peça “João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata”. A entrada será gratuita.
A peça conta a história da liderança do marinheiro gaúcho e afro-descendente João Candido Felisberto que fez com que o movimento rebelde conhecido como A Revolta da Chibata ultrapassasse o episódio ocorrido na marinha de guerra do Brasil, que se desenrolou em novembro de 1910, no Rio de Janeiro, para uma ampla conotação social.
Sobre o trabalho, o autor e diretor César Vieira diz que “o espetáculo estreou em novembro de 2001, no Teatro Municipal de Santo André como resultado de dois anos de pesquisas. Foram mais de 50 obras que direta ou indiretamente, abordaram o tema da rebelião dos marujos negros que em 1910, no Rio de Janeiro, içou a bandeira encarnada, símbolo da luta por melhores condições de vida. Livros sobre o tema, bem como jornais e revistas da época foram demoradamente estudados. Foi feito um levantamento minucioso dos costumes, músicas e principalmente foi levantada a situação sócio, econômica, cultural e política do período. Mais de 200 fichas levaram ao quadro dramático que resultou no roteiro de encenação, privilegiando o trabalho coletivo”, diz o diretor.
Com esta encenação, o Tuov dá continuidade à sua busca de um teatro popular, ajudando a levantar o véu de esquecimento sobre uma das mais importantes páginas de nossa história e reforça o debate sobre a questão racial em nosso país.
O Almirante Negro
A Revolta da Chibata ocorreu durante o governo de Hermes da Fonseca, em 1910. Foi um levante de cunho social, realizado em subdivisões da Marinha, sediadas no Rio de Janeiro. O objetivo era pôr fim às punições físicas a que eram submetidos os marinheiros, como as chicotadas. Os marinheiros requeriam também uma alimentação mais saudável e que fosse colocada em prática a lei de reajuste de seus honorários, já votada pelo Congresso. De todos os pedidos requeridos, o que mais afligia os marujos eram os constantes castigos a que eram sujeitos. Esta situação revoltou os marinheiros, que eram obrigados, por seus comandantes, a assistir a todas as punições aplicadas, para que elas servissem de exemplo. Os soldados se juntavam e ao estampido de tambores traziam o rebelado, despido na parte de cima e com as mãos atadas, iniciando o castigo.
A sublevação deu-se quando um marinheiro de nome Marcelino Rodrigues levou 250 chicotadas no convés do navio de guerra Minas Gerais.
O presidente Hermes da Fonseca percebeu que não se tratava de um blefe e decidiu ceder diante do ultimato dos insurgentes. Os marinheiros confiaram no presidente, entregaram as armas e os navios rebelados, mas com o término do conflito o governante não cumpriu com a sua palavra e baniu alguns marinheiros que haviam feito parte do motim. Os marinheiros não se omitiram diante deste fato, estourando outro levante na Ilha das Cobras, o qual foi severamente abafado pelas tropas do governo. Muitos marujos morreram, outros tantos foram banidos da Marinha. Quanto a João Cândido, foi aprisionado e atirado em um calabouço na Ilha das Cobras, sendo depois internado no Hospital de Alienados da Praia Vermelha. Em 1912 ele foi julgado e considerado inocente. Historicamente ficou conhecido como o Almirante Negro, aquele que aboliu o uso da chibata na Marinha brasileira.
Sobre o Tuov
O Tuov – Teatro Popular União e Olho Vivo é uma companhia paulista de teatro popular fundada na década de 1960, a partir de várias reuniões na Faculdade de Direito no Largo de São Francisco – USP. É um dos mais antigos grupos de teatro do Brasil e tem objetivo de se apresentar para as comunidades carentes da grande São Paulo, tendo atingido um público estimado de três milhões de pessoas. Suas encenações se inspiram na arte popular brasileira: o carnaval, o bumba meu boi, o circo, o futebol, a literatura de cordel. Para saber mais sobre o Tuov visite o site www.itaucultural.org.br e/ou www.cesarvieiratuov.com.br.
SERVIÇO
Nome do espetáculo: João Cândido do Brasil – A revolta da Chibata
Local: ABI – Associação Brasileira de Imprensa
Endereço: Rua Araújo Porto Alegre 71, Centro – RJ
Data: 20 de novembro, sábado, às 17h
Capacidade de público: 500 pessoas
Classificação: Livre
Ingressos: Grátis

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