A vitória de Dilma e as novas vozes do país

Bartolomeu Campos Queiroz,escritor mineiro,proferira que a educação se processa no exercício do reconhecimento do outro enquanto universo infinito, ser desconhecido com o qual nos confrontamos no exercício diário da convivência. De fato,educar é comunicar,estabelecer uma ponte,uma possibilidade de diálogo com outro emaranhado de simbolismos e representações de mundo… Crianças e adultos, jovens e idosos, cabe a todos dar o primeiro passo na aventura de abrir as portas ao novo, deixando de lado velhos preconceitos e crenças que não levam mais a lugar algum.
Estamos na era da informação e é preciso que entendamos que, mais importante do que o incontrolável fluxo de dados com os quais somos confrontados todos os dias, é fomentar o constante dialogar com nossos semelhantes, iguais que somos frente a essa patente revolução. De todas as partes surgem novas vozes, livres dos moldes tradicionais, reforçando o barulho intenso na seara social, não pela força do discurso único mas pela diversidade de seus tons e ritmos, onde cada um encontra seu espaço e sua forma de fazer-se ouvir.
A eleição de Dilma é a vitória dessas múltiplas vozes, da constante e interminável tarefa de trazer à luz os fatos, quando a grande mídia perdeu o tempo e a voz reforçando a ausência de argumentos dos grandes conglomerados de comunicação. A quem interessa que voltemos ao estágio anterior de desenvolvimento, no “rame-rame” do colonialismo cultural, desse povo que pedia licença para adentrar na sala dos grandes senhores, chapéu na mão e olhos baixos, sem voz e com medo de errar?
Esse país que se afirma hoje (31), na eleição da candidata do PT, grita ao mundo que não quer mais moldar-se aos padrões externos, quer estabelecer suas próprias regras, andar por seu próprio passo. As redes sociais e a democratização do acesso a internet têm grande responsabilidade nisso, na tarefa de difundir a cidadania que antes nos chegava apenas quando e da forma que os jornalões nos impingiam. Nunca antes na história desse país um candidato foi execrado em rede nacional, sua máscara posta ao chão pelo povo que o elegeu. E sem que as grandes emissoras possam interceder, contando lendas em contrário. Índio da Costa, vice do Serra, quase apanha na comunidade da Rocinha e foge.
A comunicação não precisa mais de gatekepeers, fiscais de conteúdo de acordo com os critérios economico-editoriais. Faz-se direta, sem curvas, dos dois lados da linha, onde emissor e receptor se revezam na construção de um discurso colaborativo. Cabe a cada um de nós, profissionais de mídia ou não, garantir que esse meio jamais volte a ser interrompido, no dia a dia de nossas atividades e no exercício de nossa cidadania, que, agora, pretendemos que seja cada vez mais coletiva e dialógica.

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