A Terapia Comunitária Integrativa e a recuperação do sentido da vida

Não é muito fácil dizer o que seja a Terapia Comunitária Integrativa. Ela é muitas coisas. É um espaço de escuta e acolhimento. É uma estratégia de diminuição do sofrimento mental. É uma ferramenta de mobilização social, de participação, e de inclusão social. Tudo isto porque, sendo uma prática complexa que integra diversos saberes científicos e populares, age no sentido de trazer a pessoa de volta para ela mesma. A pessoa retoma contato com o que ela é, com a sua história de vida, com os seus valores.

Recupera uma auto-estima positiva, ao se ver vencedora de muitas dificuldades ao longo da sua caminhada. A pessoa se descobre parte de uma rede de relações positivas, parte de um coletivo com um projeto de vida, de construção em comum. Ao se perceber na sua singularidade e se aceitar tal como ela é, a pessoa ganha uma força existencial muito grande. Ao invés de se auto-depreciar e tentar ser o que não é, o que os outros querem que ela seja, percebe a unicidade da sua existência, o seu caráter único.

Desta individualidade única e integrada em um coletivo que respeita as diferenças, que faz da diferença uma riqueza e não uma depreciação, emerge uma vontade de viver renovada. Muitas pessoas na sua integração à teia da TCI, voltaram a querer viver novamente. Saíram de uma sensação de abandono, de cansaço vital, e tiveram outra vez desejo de viver.

A TCI é uma prática simples na sua execução, embora complexa na sua constituição. Provoca uma mudança de percepção da pessoa acerca dela mesma, do mundo em volta, das outras pessoas, do sentido de estarmos vivos. De uma existência mecânica, voltada para o atendimento de expectativas alheias, passa-se a exercer o direito de ser feliz do modo como cada um de nos é. Isto é uma revolução, em meio a uma sociedade que pressiona para a homogeneidade, embora sob o manto de um individualismo isolante e alienador.

Na TCI, você recupera a noção do seu próprio ser. E isto ocorre de maneira concreta, não é uma atividade meramente intelectual. Quanto o ser autêntico entra em cena, a pessoa passa a ocupar o seu lugar na rede relacional, seja na família, nos contextos de ação comunitária, profissionais, na escola, na Igreja, etc. Ao invés de tentar ser o que não é, o que é um dispêndio enorme de energia, infrutífero, a pessoa vai se deixando ser. Vai se permitindo ser o que ela é. Não esgota a sua energia na condenação nem dos outros nem de si mesma. Vai aprendendo a valorizar as suas competências, ao invés de lamentar a falta.

Na TCI, não há um modelo de como a pessoa deve ser. A pessoa vai sendo desafiada, ao contrário, para deixar de ser o que não é, e ser o que ela verdadeiramente é. Isto ocorre a partir da internalização de algumas perguntas que constantemente vão nos trazendo de volta para o nosso ser autêntico.

A TCI é uma contribuição para a geração de relações humanas mais plenas. Não pretende mudar o mundo, mas sim, fazer a vida humana mais feliz.

A prática da TCI começa em alguma roda da qual você fez parte, e continua nos diversos espaços em que a vida se realiza. Nasceu numa favela do nordeste brasileiro, e se expandiu por todo o Brasil, chegando até a Europa, África e América Latina de fala espanhola. Faz parte das ações que a humanidade desenvolve para se ter de volta a si mesma.

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