Muitas vezes, necessitamos de apoio, de contenção. Temos necessidade de nos sentirmos parte de alguma coisa. Então, a rede. No meu caso, a rede da Terapia Comunitária Integrativa. Uma rede nos sustenta e nos contém, e também nos comunica. Estas necessidades que experimento em mim mesmo, são também necessidades experimentadas por muitas outras pessoas. Poderiamos dizer que são necessidades humanas básicas.
O propósito destas linhas é o de tentar reconstruir, de uma maneira coerente e objetiva, como é que a TCI, enquanto uma rede relacional, enquanto uma rede social e comunitária, age no sentido de sustentar uma pessoa, proporcionando uma sensação efetiva de pertencimento, de capacidade (eu posso), de sentido, de projeto, e, por que não dizer, de imortalidade.
Na medida em que me integro como rede, na medida em que começo a me ver novamente como alguém que faz parte da existência, alguém que não apenas está no mundo, mas é o do mundo, sinto uma sensação de perenidade, de imortalidade.
Não mais me vejo quebrado, partido, fragmentado. Esta sensação de ser parte de um todo, a pessoa começa a recuperar na medida em que pode começar a se ver nos demais. Isto ocorre nas rodas de TCI, e também nos cursos de Cuidando do Cuidador, nos encontros de terapeutas comunitários, e aos poucos, começa a ser algo mais permanente na vida da pessoa.
A partir do momento em que começo a me ver e a ver a minha história de vida como uma história que me pertence, que foi e é feita por mim mesmo e que não me foi imposta, volto a ter uma sensação de pertencimento muito prazerosa e forte. Deixo de me sentir vítima das outras pessoas, do destino, dos acontecimentos. Percebo que eu sou, sobre tudo, uma criação de mim mesmo.
E esta criação é comunitária. Começou no seio da minha família, foi prosseguindo pelos meus grupos de amigos e colegas, nas diferentes fases da minha vida, e continua hoje. Quando busco a minha força interior, fecho os olhos e vejo a rede da Terapia Comunitária Integrativa. Vejo esses laços que foram sendo construídos ao longo do tempo, com pessoas, mas sobre tudo comigo mesmo.
Na medida em que fui me tendo de volta, em que deixei de me sentir vítima de pessoas e de acontecimentos do passado ou do presente, fui recuperando a noção da minha responsabilidade no processo que me faz ser a pessoa que sou hoje.
Então, quando necessito me sentir parte, sentir que faço parte de algo maior que me contém e me envolve, me sustenta e me comunica, volto o olhar para meu interior e para o meu redor. E encontro ali, dentro e fora de mim, a rede da TCI.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
