A serviço da caridade: incidência no dia-a-dia diaconal

Cada encontro nosso, qualquer que seja seu propósito específico – de caráter de coordenação, avaliação, planejamento, retiro ou outro) comporta sempre, de algum modo, um traço formativo. É neste plano que talvez melhor se insira a reflexão fraterna que ora ousamos compartilhar com os irmãos diáconos, candidatos ao Diaconado e respectivas esposas aqui presentes, em Parnamirim, tão bem acolhidos pelos irmãos da Província do Rio Grande do Norte.

Como sugere o título desta reflexão, nosso propósito, visando a atender ao convite da Coordenação Executiva da CRD, é de nos atermos mais diretamente a como vem sendo exercido por nós o Ministério da Caridade, nos distintos âmbitos de nossa atuação diaconal, incluindo os macro e os micro-espaços do nosso dia-a-dia. Ao socializarmos nossa reflexão, valemo-nos de dois momentos: inicialmente, compartilhamos inquietações a partir de situações concretas, observáveis no cotidiano diaconal; em seguida, buscamos problematizar alguns casos, esboçando possíveis pistas.

  1. Incidências formativas do apelo do Amor, no cotidiano diaconal

Nos pontos que seguem, tratamos de sublinhar alguns aspectos que julgamos mais desafiadores ao nosso processo formativo contínuo, na atual conjuntura sócio-eclesial.

Um primeiro aspecto a pontuar tem a ver com o lugar que, na tríplice dimensão do nosso Diaconado (a Palavra, a Caridade e a Liturgia), ocupa a Caridade. Do ponto de vista do Seguimento de Jesus, não parece haver dúvida a esse respeito: assim como em 1Cor 13, também na tríplice dimensão do Diaconado, a prevalência deve ser a do Amor, alimentado pela Palavra de Deus e celebrado na Liturgia, ainda com maior razão na liturgia da vida. Era assim que Paulo e seus irmãos viviam a “Ekklesía”, empenhados na formação de um povo, o Povo de Deus: “Paulo sabia que não vinha estabelecer na cidade uma religião, um culto. A religião, o culto não interessavam. Para ele, o culto dos discípulos de Jesus era a própria vida.” (José Comblin, “A Igreja e os carismas segundo São Paulo”, in Vida Pastoral, n. 270, jan. e fev. 2010, p. 29).

Exercitar a primazia do Amor não exclui nem nos isenta do cuidado com as demais dimensões do Diaconado. Ao contrário, fortece-as, plenifica-as. O Amor, tal como o descreve Paulo, implica exigências e condições nem sempre fáceis de ser cumpridas, e nomeia quinze de suas características: a paciência, a disposição de servir, não é invejosa, não se exibe, não se incha de orgulho, nada faz de inconveniente, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, regozija-se com a verdade, tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Cor 13, 4-7). Parece-nos missão impossível? Sim, aos nossos olhos, mas a Deus nada é impossível, bem o sabemos. Se achássemos que tudo isso cumprimos sem falta, não teríamos necessidade de Jesus, que veio para os pecadores… Essa, porém, é a meta para a qual nos chama, e nos fornece as condições necessárias. Estamos dispostos a correr atrás dessa Boa Notícia?

Um segundo ponto: o Amor de Deus, presente no outro, em especial nos pobres e sofredores, deve impregnar todo o nosso viver. Nosso esforço de viver a Caridade deve, com efeito, impregnar todas as esferas da vida (econômica, política, cultural) e dimensões (relação subjetiva, intersubjetiva, cósmica, afetiva, de gênero, de etnia, de trabalho, de geração, relação com o Sagrado…). Do mesmo modo que nos esforçamos por emitir sinais convincentes nas relações familiares, o mesmo esforço deve se refletir em outros espaços vitais: no ambiente profissional, no exercício da Cidadania (desde nossa corresponsabilidade nos destinos de nossa País, do nosso Estado, do nosso Município, até nos minúsculos espaços do cotidiano (inclinação ao tratamento privilegiado, nas repartições públicas ou privadas; ou na tendência – ativa ou passiva, pela omissão – à privatização dos espaços públicos, inclusive mediante bem-intencionadas “parcerias” com o Estado; desrespeito às regras de trânsito…); na (in)justa repartição dos trabalhos caseiros, de modo a sobrecarregar alguém, em geral a mulher; nas relações com a Mãe-Natureza e com o Cosmo…

Um outro aspecto aqui compartilhado tem a ver com o desafio de mostrar-nos, menos por palavras e mais por ações concretas, o que nos remete, aliás, ao oportuno alerta feito pelo Papa Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi: “Os homens de nossa época escutam antes as testemunhas do que aos mestres; e se também escutam a estes, é que também eles são testemunhas.” (EN, nº 41). E isto não se dá por méritos nossos. É um dom, e, por ser dom, vem de Deus, mas, por outro lado, a ninguém é imposto. O Deus da Liberdade não impõe nada a ninguém. Propõe. Convida-nos, por força do Seu Espírito, a vivermos o dom da Caridade. Isto implica, de nossa parte, a necessidade de incessante renovação do nosso compromisso de responder positivamente à Graça que paira em nós. Renovação que se verifica a cada momento, diante dos grandes e pequenos desafios do cotidiano, seja nos macro, seja nos micro-espaços, nos gestos moleculares, quase imperceptíveis aos olhos do mundo. É mais fácil que, diante de um público, mesmo o público de casa, nos disponhamos mais facilmente a esboçar gestos generosos. Difícil é tomarmos a mesma atitude diante de situações minúsculas, fora da vista de qualquer público…

Refontizar-nos continuamente na Palavra de Deus, inclusive pela leitura orante da Bíblia, tem sido um caminho fecundo de enfrentamento exitoso de nossos desafios. A esse respeito, há muita estrada a ser feita. Não raro, temos tido uma motivação extraordinária a acompanhar de perto as demandas institucionais de nossa Igreja, seja em relação a normas e recomendações administrativas, ao próprio Direito Canônico, enfim, às exigências da Diocese, da Paróquia, etc. Menor disposição sentimos quando se trata de exercitar uma familiaridade mais íntima com a Palavra de Deus, por vezes até com a inclinação de tomar o primeiro caso como suficiente e capaz de secundarizar um propósito de maior intimidade com a Palavra de Deus, correndo até o risco, em situações de claro conflito, de fazer ouvidos moucos à advertência de Pedro e dos demais apóstolos, de que “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens.” (At 5, 29). Sem descuidar-nos de acompanhar com atenção a evolução da palavra do magistério da Igreja, a exemplo da recente encíclica social Caritas in Veritate, de Bento XVI, importa que exercitemos uma atenção ainda maior ao que o Espírito nos tem a dizer, a todos e a cada um de nós.

Mais um ponto: as diversas circunstâncias de incidência da Caridade no dia-a-dia diaconal, que nos interpela e apela à conversão incessante, diante dos enormes desafios enfrentados. Tomemos aqui apenas alguns poucos casos como referência, sempre a partir, em primeiro lugar, da Palavra de Deus, como, por exemplo, é o caso do alerta que, em diferentes situações, nos é feito por Jesus, acerca dos sedutores caminhos e sinais apresentados pela grade de valores dominantes: “Sabeis que os que governam as nações, as oprimem, e os grandes as tiranizam. Entre vós, porém, não deve ser assim. Ao contrário, quem de vós quiser ser grande, seja vosso servidor; e quem quiser ser o primeiro, seja o servidor de todos. Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos.” (Mc 10, 42-45).

Quando nos colocamos diante do quadro de valores da moda (o individualismo, a famigerada “lei do Gerson” (tirar vantagem em tudo), o oportunismo, o carreirismo, a busca de poder e prestígio, o exibicionismo, a concorrência desenfreada, o imediatismo, a instrumentalização da natureza, em breve, o império do deus Mercado), continua vigente o alerta de de Jesus, segundo Marcos, reiterado, ainda que em outra situação, em Lucas. “Videte ne seducamini” (Cuidado para não vos deixardes seduzir) (Lc 21, 8).

  1. Problematizando situações de apelo à nossa conversão contínua: em busca de possíveis pistas

Em nosso dia-a-dia de vida diaconal, com que situações concretas nos defrontamos, e que inspirações colhemos em busca de superá-las?

Tal é o poder de penetração dos valores dominantes, que de repente também nos flagramos a introjetá-los e a reproduzi-los, inclusive como diáconos. Mais complicado ainda: não são poucas as vezes em que os introjetamos e reproduzimos, sem nos darmos conta.Vejamos alguns casos dignos de uma problematização crítica e autocrítica, sempre em vista de um empenho contínuo de conversão, até porque esta deve ser tomada, não como algo acabado, mas como um processo incessantemente renovado.

No plano econômico, aqui sublinhamos apenas duas situações embaraçosas. Por um lado, a tendência a nos conformarmos com a situação de extremas desigualdades sociais, sob a forma de uma esdrúxula concentração de riquezas, de rendas e de terras, feita à custa de um número sempre crescente de pessoas e nações cada vez mais postas à margem das conquistas da Globalização, ao estilo capitalista. Passo relevante – ainda que não suficiente – é o de tomarmos consciência dessa realidade, desde que tal tomada de consciência venha em nós acompanhada de um firme compromisso de mudança radical dessa realidade. Não parece ser a situação mais freqüentemente observada entre nós, com raras exceções. Na maioria das vezes, a tendência dominante entre nós é de nos limitarmos à mera constatação da mesma, e nos contentarmos  com uma expressão de desabafo, de desaprovação e até de indignação. A isto poderíamos chamar de uma manifestação de um sentimento de indignação estéril, à medida que não se faz acompanhar de gestos concretos, ao nosso alcance.

Em outros casos, conseguimos, sim, ir além da mera constatação, a ponto de esboçarmos algum tipo de gesto concreto. Então, tratamos de empreender iniciativas de caráter assistencial, mantendo e até ampliando o jeito mais tradicional que a Igreja pós-constantiniana tem encontrado de lidar com os pobres. Aqueles a quem buscamos servir como alvo de nossa comiseração ou de nossos gestos caritativos. Por certo, trata-se de um serviço de socorro aos pobres. Iniciativas que são (quase) sempre bem-vindas, especialmente naquelas situações pontuais de agravamento conjuntural de sofrimento dos pobres. Menos eficazes, por outro lado, quando se trata de enfrentar efetivamente as raízes do empobrecimento, numa situação de agravamento estrutural, daquelas a que o Evangelho se refere como a tentativa de se pôr remendo novo em pano velho (cf. Mt 9, 16).

Na experiência do Seguimento de Jesus, os pobres são tratados bem mais do que como alvo de gestos caritativos. Em alguns documentos do Concílio Vaticano II, encontramos certa inquietação quanto a freqüentes equívocos e confusões entre atos de justiça e atos de caridade. O Vaticano II estava preocupado com evitar que “se ofereça como dom de caridade aquilo que já é devido a título de justiça.” (Apostolicam Actuositatem, nº 8).

 No espírito do Evangelho, os pobres são chamados por Jesus a serem protagonistas de sua libertação. É assim que Jesus lida com os enfermos curados:“Minha filha, tua fé te salvou. Vai em paz.” (cf. Lc 8, 48). E o quê dizer da palavra de Jesus dirigida aos discípulos que lhe pediam para despedir a massa faminta: “Dêem vocês mesmos de comer”, Mt 14, 16). É Jesus quem chama os pobres a fazerem sua parte no processo de libertação, simplesmente por serem os primeiros destinatários do anúncio da Boa Nova, como lemos em Lc 4, 18-19: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, pois Ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos.”

Não é por acaso que não poucos se reportam a essa passagem do Evangelho, nela vislumbrando o Programa de Jesus. Tem sido também o nosso, nas atividades diaconais?

Nesse sentido, que pistas poderíamos ensaiar, de modo a dar um salto qualitativo (do ponto de vista do Seguimento de Jesus), em relação aos procedimentos mais convencionais de cuidarmos dos pobres, hoje? Será que não somos chamados a reavaliar certas práticas de cuidado dos pobres? Não se trata de desconhecer as boas intenções e os bons propósitos aí observáveis. Há muita generosidade e dedicação aos pobres, por aí afora. Graças a Deus por tanta gente dedicada à assistência aos pobres. A imagem que nos acorre é a de uma grande multidão de enfermeiros e enfermeiras a acudirem tantas vítimas desprotegidas. Trabalho por certo indispensável. Desafio é percebermos o quê fazer, quando observamos o incessante crescimento dessas vítimas, num ritmo alucinante, como se estivéssemos numa guerra de enormes proporções, de modo a inviabilizar nosso gigantesco esforço de dar vencimento a esse trabalho. Quanto mais nos desdobramos, conseguimos aliviar a dor de muita gente, por um lado, e, por outro, sentimo-nos impotentes para atender a uma quantidade incontável de outros enfermos tombados nessa “guerra”. É bem o caso que se passa em nossa sociedade globalizada nos padrões do  Capitalismo. Neste caso, somos chamados a rever nossas práticas, de modo a que possamos atender a todos os necessitados.

A partir de tal constatação, vamo-nos convencendo de que precisamos, sim, manter os serviços de assistência aos caídos, e, ao mesmo tempo – e com prioridade – dispor de não menos gente a buscar conter a máquina de guerra de fazer feridos aos milhões… É aqui que se impõe o dever de combater o mal pela raiz. A essa altura, surgem vários caminhos e possibilidades, a partir do levantamento de questões do tipo:

– De onde estão vindo tantas vítimas, bem além daquelas que conseguimos cuidar?

– Que máquina ou que mecanismos são esses, geradores de mortes e feridos aos milhões?

– Quem está por trás dessa máquina?

– Apesar de multiplicarmos as nossas atividades de assistência, constatamos que as vítimas não cessam de crescer e de se multiplicar. Será mesmo porque não há comida para todos? Será que as riquezas hoje disponíveis não são suficientes para garantir vida digna para todos? Será que é preciso apoiar os governantes de tantos países que prometem distribuir riquezas somente depois de conseguirem crescimento econômico? Será que já não vimos esse filme, como no tempo da Ditadura empresarial-militar, em que o então Ministro Delfim Netto defendia o “Primeiro, vamos fazer o bolo crescer, para depois distribuir”…

– Será mesmo necessário um aumentar tão alto de ONGs (só no Brasil, fala=se em mais de 250 mil…), para receberem recursos públicos e privados, para depois repassarem aos necessitados? Isto não significa, em parte, dispensar o Estado de cumprir suas políticas públicas, com os meios financeiros e infraestruturais de que se acha dotado?

– Ou, em vez disso, devemos mudar radicalmente nossas atitudes, em busca de uma mudança eficaz?

– Será que, em vez de confiarmos às instituições particulares – inclusive as igrejas – a missão de dar conta das demandas dessas multidões abandonadas, como ovelhas sem pastor, recorrendo também a parcerias com o Estado e instâncias privadas, não seria mais eficaz juntarmos forças na organização das vítimas, no sentido de ajudá-las a serem protagonistas de mudanças efetivas e de longo alcance nas políticas públicas?

– Ao longo de séculos do regime do Padroado (aliança entre o trono e o altar ou parceria entre a Igreja e os reis), cujas conseqüências trágicas foram bem sentidas pelos povos indígenas e pelos africanos reduzidos à escravidão, e apesar do alerta evangélico de que a árvore se conhece pelo fruto (cf. Mt 17), a tendência dominante ainda hoje continua sendo a de apostar e investir em “parcerias” com o Estado, em suas diferentes esferas. Não bastassem as duras lições de um passado sombrio, não valeria ponderar essa prática, tomando em conta que os vícios dos espaços governamentais não cessam de se multiplicar, de um lado, e, por outro lado, que força ética e profética teríamos para denunciar tantos escândalos, se nos achamos financeiramente dependentes? Afinal, como diz a sabedoria popular, “Quem come do meu pirão, prova do meu cinturão”…

É claro que uma decisão desse tipo requer toda uma caminhada (pessoal e coletiva), que passa por um incessante processo de formação (também pessoal e coletiva). Implica, por exemplo, fazer uma experiência alternativa junto a pessoas e grupos que propiciem uma visão alternativa de sociedade, bem como de nossas práticas habituais. E aqui já começa o enfrentamento de um primeiro obstáculo: em geral, temos a tendência a restringir nossos contatos apenas a espaços, pessoas e grupos que sentem, pensam, querem e agem de modo muito semelhante a nós mesmos. Privamo-nos, com freqüência, de necessárias e fecundas experiências do diferente, por comodismo, por insegurança, por medo, por omissão e, pior, às vezes até por nos acreditarmos melhores do que os outros… E assim deixamos de aprender “coisas velhas e novas”. O Espírito que sopra onde quer, não se deixa enjaular em nossas gaiolas privativas. Insufla seus conselhos para bem além de nós. Precisamos estar antenados e abertos também a esses influxos.

É o chão do processo formativo contínuo (pessoal e coletivo) que nos vai propiciando essas aventuras ao novo, ao diferente, ao alternativo. Por meio de convivência, de conversas, de leituras, de aprendizado com os diferentes, vamos tendo acesso a outras possibilidades de organização social, de exercício político não=convencional, de vivência de outros valores.

Aos poucos – e continuamente -, vamos percebendo que outro mundo é possível; que não existe apenas um único modo de se fazer política, de organizar a sociedade, de nos conduzir nas coisas miúdas do dia-a-dia, inclusive na esfera do Diaconado. Passamos, com a graça de Deus e com o nosso empenho, a ver coisas novas, a ouvir o que antes não alcançávamos, a sentir de um jeito novo, alternativo, a queerer e a dar passos nessa direção..

 Toda a grade de valores hegemônicos vai sendo sacudida e desmontada, cedendo terreno a outros valores. Contra a ideologia do individualismo  e competitividade acirrada, vamos aprender – não de boca para fora – a exercitar o altruísmo e a cooperação. Contra a mania de tirar vantagem em tudo, vamos aprendendo a ensaiar passos no universo da gratuidade, fazendo do bem, não uma tática de obter vantagens, cargos e prestígio, mas um fim em si mesmo – a alegria de dar sem esperar receber.

Felizmente, isto já acontece, ainda que molecularmente, inclusive em nosso meio. Quantas pessoas conhecemos por aí, que têm o bendito hábito de visitar, sem estardalhaço, outras pessoas, de preferência, pessoas mais sofredoras e esquecidas? Quantas pessoas já conhecemos que, diante da moda de se isentar das tarefas caseiras e outros trabalhos manuais, tratam de assumi-los, sem prejuízo de suas suas atividades outras? É nessa ação molecular, portadora de sementes de uma nova sociabilidade e de uma Igreja servidora e pobre, que vamos dando passos de conversão, também no cotidiano diaconal.

Obs. Por conta de minha limitação de vista e da disponibilidade de tempo, optei por desenvolver os pontos acima, por meio do seguinte itinerário:

A SERVIÇO DA CARIDADE:

incidência no dia-a-dia diaconal

– Assim como em 1Cor 13,  também na tríplice dimensão do Diaconado, a prevalência deve ser a do Amor alimentado pela Palavra de Deus.

– Nosso esforço de viver a Caridade deve impregnar todas as esferas da vida (econômica, política, cultural) e dimensões (relação subjetiva, intersubjetiva, cósmica, afetiva, de gênero, de etnia, de trabalho, de geração, relação com o Sagrado…)

– O contínuo exercício da escuta da Palavra, como se dá na leitura orante, torna-se visível por meio de gestos concretos, moleculares ou mais visíveis.

– O dia-a-dia diaconal nos interpela e apela à conversão incessante, diante dos enormes desafios enfrentados:

– com relação à grade de valores dominantes;

– sofisticadas formas de fuga da cruz

– dificuldade de nos relacionarmos com os pobres (tentação docente, atitudes assistencialistas, relação de dependência, relação pragmática, indisponibilidade de agenda, tratamento diferenciado…)

– tendência ao reducionismo dos pobres aos “de casa”

– Pouca confiança nas apostas de transformação, vistas como utópicas e algo distante…

– Tendência ao conformismo com as estruturas deste mundo.

– Tendência a reduzir o nosso trabalho aos “de casa”

– Indisposição de tomar como prioridade efetiva nosso processo de formação contínua (ou a reduzi-lo à dimensão intelectiva)

– Pouca sensibilidade aos trabalhos manuais

 

Parnamirim/Natal, 16 de janeiro de 2010

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