A república do galeão e sua vergonhosa herança

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Até quando a população irá creditar que o avanço moral do país se encontra nas investigações da Lava-Jato ou na recente operação triplo x? Essa turma, que dia a dia, faz discursos moralistas e seletivos, apostam todas as fichas nessas investigações, que já deixaram bem claras suas intenções: prender Lula.
Essa gente que bate palma para o juiz Sergio Moro e que torce para que Lula seja preso, são falsos moralistas que fazem escolhas selecionadas dos casos e nomes os quais irão se indignar. Se for alguém do PSDB, não vem ao caso. Se for Eduardo Cunha, deixam para depois. Mas se for alguém do PT, ganham vigor e coragem fora do comum. Não é preciso que haja fatos, um mero indício oriundo do disse me disse já é o suficiente para botar o bloco da moralidade na rua.
Tratando-se de Lula então, essa gente vira bicho feroz. Essa turma não engana mais ninguém e deixam cada vez mais óbvio que o grande incômodo não é a corrupção e sim a ascensão social das classes mais pobres e o risco do maior estadista brasileiro, junto a Getúlio Vargas, voltar à presidência.
Antes de voltar a falar do tríplex e da abjeta investigação, voltarei ao passado. Talvez assim, algumas mentes dispostas a ouvir, possam repensar o apoio a todas essas ações ignóbeis que tentam tornar Lula inelegível e consequentemente atravancam o crescimento e desenvolvimento do país, trazendo desemprego e recessão.
No último governo de Getúlio, quando este voltou nos braços do povo, a oposição sedenta de poder dividia-se entre fazer sangrar o governo e operar pelo impeachment. Como não havia meios legais para o impeachment, um golpe militar também passou a ser opção.
As estratégias de alguns líderes da oposição ficaram marcadas na história: Afonso Arinos era um dos udenistas que defendia a posição de deixar o governo sangrar em praça pública. Já o Brigadeiro Eduardo Gomes afirmava que esgotando os recursos por vias institucionais, somente a luta armada derrubaria Getúlio. Carlos Lacerda, outro udenista, foi o que operou em todas as frentes. Através de um programa de televisão, Lacerda não poupava adjetivos a fim de demolir a imagem do presidente. Alguns dos termos se parecem muito com os usados atualmente: protetor de ladrões, caudilho, corruptor, protetor da impunidade dos negocistas.
Depois do atentando sofrido contra o jornalista Carlos Lacerda, que teve como vítima o Major Ruben Vaz da Aeronáutica, a oposição conseguiu instalar um IPM (inquérito policial militar) na base aérea do galeão para investigar o caso. Pela amplitude de poder da operação, esta ficou conhecida como República do Galeão e muito se parece com a atual República do Paraná. Era uma chance ímpar de derrubarem Getúlio.
Nesse período, Lacerda intensificou seus ataques, usando não somente a tevê, mas também o seu jornal, Tribuna da Imprensa. “Perante Deus, acuso um só homem como responsável por esse crime. Este homem chama-se Getúlio Vargas” – foi uma das frases que Lacerda usou para induzir o povo a voltar-se contra Vargas, que inclusive aparece no filme Getúlio, produzido há pouco tempo.
Diante dos indícios de envolvimento da guarda pessoal do presidente, passaram a exigir a deposição de Getúlio. O exército entrou de prontidão, Aeronáutica e Marinha entraram em estado de alerta. Restavam duas opções ao presidente: ou renunciava ou seria deposto. O fato culminou no suicídio. A comoção nacional tomou conta do país e acabou prorrogando em dez anos o golpe.
E, assim como a República do Galeão queria atingir Getúlio, a Lava Jato e a triplo x, deixam nítida a sua intenção de tornar inelegível ou quem sabe prender o ex-presidente Lula.
Vale lembrar, que na Lava Jato já foram quase noventa delações premiadas e até então nada contra o ex-presidente. Mas, na falta de provas contra ele, aproximam o nome dos envolvidos, qualificando-os como “amigos de Lula”, coisa que a grande mídia adora estampar nas capas de jornal.
Agora, chega uma nova fonte de esperança dos golpistas: a operação Triplo x, em alusão a compra não realizada de um tríplex, pela família de Lula.
Os depoimentos colhidos nas investigações mais se parecem com aquelas fofocas cabeludas e descabidas, típicas de quem não tem o que fazer. Algumas delas saíram no Estadão dessa semana.
E assim, o jornalismo brasileiro se farta com os “ouvi dizer”, “comentaram por aqui”, fortalecendo a eterna política golpista da direita brasileira, que mais uma vez é incapaz de ganhar as eleições no voto.
Enquanto isso, Eduardo Cunha continua a presidir a Câmara dos Deputados, as denúncias contra o PSDB não vem ao caso e parte do povo acredita ou quer acreditar nessa ladainha para boi dormir.
E por ai segue o grande espetáculo dessas operações, sob os aplausos de uma elite mesquinha e a cobertura sensacionalista e partidária da nossa grande mídia.
(*) Texto publicado originalmente no blog do Pablo Gomes.

Um comentário sobre “A república do galeão e sua vergonhosa herança”

  1. Não há como fazer comparação entre Getúlio Vargas e Lula. Um erudito o outro desprovidos de letras.
    Houve corrupção no Governo de Getúlio. Gregório, chefe da guarda pessoal de Vargas, compra uma fazenda no Rio Grande do filho do presidente, Maneco. Lacerda abriu fogo cerrado contra Getúlio que pouco sabia o que se passava nos porões do Catete. Nos governos do PT aparelharam o Estado para corromper tudo. Nunca na história do Brasil ouviu-se falar de valores exorbitantes como agora. Sou, portanto, a favor que se apure quem quer que seja. O Brasil precisa ser passado a limpo.

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