A renovação do Canal Universitário no Rio

Emílio Gallo, superintendente da UTV. Foto: Aquivo pessoal.

Em processo de renovação, o Canal Universitário do Rio de Janeiro (UTV) está repaginando seu site, reformulando sua grade de programação com novas produções, modernizou sua logomarca e conquistou sua primeira sede, que antes era em salas emprestadas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Novos equipamentos foram adquiridos e sua equipe renovada em busca de melhorar sua qualidade, mas sem perder seu lema: “Liberdade, Ética, Educação e Atitude”. Após 13 anos trabalho, é um dos poucos canais sem fins comerciais e de programação totalmente nacional. Suas transmissão ocorre no canal 11 da NET-Rio.
Para explicar esse momento do projeto o Fazendo Media conversou com Emílio Gallo, atual superintendente do canal. Ele é jornalista e documentarista, formado em televisão, e ficou encarregado de tocar essa nova empreitada. Segundo ele, os jovens universitários estão inovando a produção audiovisual e a TV universitária está com uma programação cada vez mais qualificada. Isso é muito importante porque, na sua opinião, a televisão brasileira nos últimos anos foi invadida por programas estrangeiros que defendem seus próprios interesses.
Conte a história do Canal Universitário, incluindo o porquê e as características da atual reforma.
O Canal Universitário do Rio de Janeiro, UTV, foi criado há 13 anos, por uma Associação de 13 grandes Universidades e Institutos do Rio de Janeiro, com a finalidade de difundir o conhecimento gerado dentro de suas instituições para o grande público. A mudança se deu para que o Canal tivesse uma identidade mais moderna e mais jovial, uma vez que seu público prioritário é de universitários, e são eles, junto com seus mestres, que produzem a maioria dos programas do Canal.
Por que o destaque de não ser um canal comercial?
A UTV é um canal educativo e cultural, mantido por suas associações, e além de não ser um canal comercial, é o único, atualmente, no Rio de Janeiro que exibe conteúdo 100% nacional, isso para nós é motivo de orgulho, nós não “vendemos” nada, estamos totalmente voltados a prestar serviços a nossa comunidade, levando até ela uma opinião verdeira, livre e democrática.
Como se dá a participação das instituições na construção da programação e seu funcionamento?
Cada uma das instituições produz uma série de programas para o Canal, elas utilizam o Canal como um grande laboratório, de técnica, conteúdo, formato e expressão. Não podemos esquecer que são nas Faculdades que estão sendo preparados os futuros formadores de opinião pública, os profissionais que farão nossa comunicação na próxima década. Por isso, temos na nossa programação uma variedade enorme de conteúdos e opiniões que se complementam, a maioria traz um conteúdo inédito de altíssimo nível.
Liberdade, Ética, Educação e Atitude?, de que forma se traduz esse lema na prática da emissora?
Este lema, cunhado pelo presidente atual do Canal, o reitor Mario Veiga de Almeida Júnior, com o apoio de todo o nosso Conselho de Programação, são as diretrizes básicas do Canal, eu diria que não somente do Canal, mas são conceitos que podem colaborar afirmando isso na formação de nossas próximas gerações. São valores essenciais não só para uma instituição ou universidade, mas para qualquer indivíduo ou sociedade que se pretenda mais justa e humana.
Vocês têm uma proposta de programação 100% nacional. A televisão brasileira deixa a desejar nesse quesito?
Bom, posso falar como profissional, e não como Canal. Como profissional de televisão há mais de 20 anos o que posso dizer é que em meu ponto de vista, a qualidade do conteúdo produzido empobreceu, ao passo que a tecnologia enriqueceu, afinal estamos às portas da televisão em 3 dimensões, um salto enorme em uma década. Mas, a programação foi invadida por uma série de programas vindo de fora, que espelham outras realidades e difundem seus próprios interesses de origem. Veja que somente agora o governo, através da Ancine conseguiu passar uma Lei que torne obrigatório a exibição de 2 horas de conteúdo nacional nas tevês, diariamente, e isso já foi uma luta em defesa do conteúdo nacional.
Os universitários têm ousado na inovação da TV Brasileira? Há uma consciência crítica na geração que participa da programação de vocês?
Sem a menor sombra de dúvida, não são outros senão os jovens valores que estão ajudando a moldar o processo de integração das mídias, fundindo linguagem das redes sociais ao da televisão, são eles quem  vão descobrir os caminhos do futuro de cada veículo e como se dará sua  interlocução, sua linguagem. No Canal, nossa preocupação e incentivar a liberdade de conteúdo e a criatividade, que é a mãe da limitação de recursos, queremos preservar o caráter revolucionário e o papel que os universitários sempre representaram nos grandes movimentos sociais e transformações que a sociedade assistiu ao longo da história moderna.
Do ponto de vista jornalístico, de que forma vocês trabalham e qual análise fazem da imprensa nacional?
Nossos programas trazem sempre uma grande diversidade de opiniões e conceitos, e eles são determinados pelos valores a que cada instituição produtora defende e difunde, mas basicamente todas elas estão alinhadas com a missão do Canal, ou seja, defendem sempre a Liberdade, a Ética, a Atitude e a Educação.

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