“A profecia na Igreja”, de José Comblin

Anoche el Padre Comblin presentó su libro A profecia na Igreja no Centro de Direitos Humanos Dom Oscar Romero, no Tibirí. Obviamente, alguém questionará, como de fato um questionou ontem à noite, por qué o livro não fazia referência à profecia fora do âmbito da Igreja Católica. Muito pacientemene, com classe, el padre Comblin explicó, en su tono maduro y sereno, jocoso, sin duda, pero muy respetuoso, que el libro se refería a dos mil años de profecía, que su vida está terminando, y que otros sin duda podrían continuar su tarea, yendo hacia el campo de las iglesias protestantes. Alder Júlio, diácono y sociólogo, tomó la palabra para recordar en el texto, extensa e intensa mención a la profecía protestante: Lutero, Calvino, etc. Pensaba, con mis botones, por qué no se habría dedicado el libro a la profecía hindú, maya, azteca, quichua, guaraní, kogui, egipcio antiguo, esto sin desmedro de los huarpes, araucanos, comechingones, pampas y otras tribus que, sin duda, deben tener o haber tenido, o aún tendrán, si tuvieran la suerte de sobrevivir, sus propios profetas. Mas não cita Luther King, bradou, com justeza, o protestante reclamante, o que já é, de per si, uma redundância. O livro fala, de fato, da profecia nos dias de hoje, e não apenas no âmbito da Igreja Católica, cuja hierarquia é, de fato, insistente, consistente, lúcida e eruditamente criticada à luz da Igreja de Medellín, de Puebla, del Concilio Vaticano II, de Jesús, de los pobres. Há três capítulos do livro que merecem destaque, e são os capítulos finais: A profecia nos dias de hoje, A profecia futura, e um cujo título não consigo lembrar, mas que se refere à sociedade moderna e a emergência da profecia no cotidiano. “Nenhum de nós é um homem genérico”, diz Comblin. Encíclicas, discursos, bulas, enunciações de princípios gerais, não mudam o mundo. Mas a profecia muda. Você muda. Pode mudar, se quiser. Mas, se não quiser, dirá: Por que este artigo está em portunhol e não em alemão, em catalão, em sânscrito ou em alguma das línguas mortas ou habladas en la China, em Vietnam ou em Coquimbito.

A radicalidade, a lucidez, a clareza, a contundência e a inocência do cristianismo de José Comblin merecem a leitura deste e dos seus outros livros. É isto.

Deixe uma resposta