A lucrativa indústria da economia gratuita

O paradoxo de se oferecer produtos e serviços gratuitamente na internet para aumentar os lucros é o tema do novo livro do jornalista inglês Chris Anderson. Free está em 12º lugar na lista de best-sellers no jornal New York Times pelo seu apelo em tempos de crise. Segundo consta, o livro mostra como sobreviver numa era em que o conteúdo gratuito parece ser a palavra de ordem de nove entre dez negócios intelectuais na rede.
Mas como lucrar oferecendo serviços de graça? Para o jornalista, a resposta está no alcance da internet e na venda de anúncios. Quando se oferta produtos gratuitamente a milhões de usuários, as empresas lucram com a cobrança nas propagandas que aparecem nas buscas feitas pelos internautas. O livro cita o Google como o carro-chefe dessa nova fase do capitalismo: a economia gratuita.
Localmente, sendo China e Brasil grandes laboratórios do modelo, a banda brasileira Calipso também é tida com estando na vanguarda. O autor cita o modo como o grupo divulgou inicialmente o seu trabalho, preferindo ganhar dinheiro fazendo shows e permitindo que seus Cds fossem vendidos pelos camelôs a preços módicos. Com isso, eles garantiram a popularização do estilo.
O próprio Chris faz de suas palavras lei: apesar do livro Free: the future of a radical price, publicado pela Hyperion, ser vendido na sua versão de papel por US$ 26,99, a versão digital pode ser acessada de graça. O jornalista também foi o editor da Bí­blia digital Wired e assina ainda outro recente sucesso, The Long Tail.
Recentemente, artistas brasileiros lançaram o manifesto Música Para Baixar (MPB). Ele defende que o usuário que baixa música não é um criminoso, e sim um divulgador da obra do artista, no melhor estilo Banda Calipso. Mas nem todo mundo pensa que oferecer o seu trabalho gratuitamente na internet é uma forma interessante de negócio. A cantora Zélia Duncan, inicialmente listada entre os criadores do movimento, rapidamente retirou o seu nome dizendo que não havia entendido o texto direito.
E para o estudante americano Joel Tennenbaum, da Universidade de Boston, o suposto download de 30 músicas da internet está custando bem mais caro do que se ele tivesse comprado as canções no ITunes, como espera a indústria fonográfica. Ele foi condenado no dia 1º de agosto a pagar US$ 675 mil a quatro majors do setor por baixar e compartilhar músicas em sites e programas como o Kazaa e o Napster.

Um comentário sobre “A lucrativa indústria da economia gratuita”

  1. É fato, a tecnologia está cada vez mais acessível e democrática, assim como deve ser o acesso à cultura, a boa música, estamos numa nova era, a da informação e da comunicação, o cruel monopólio da indústria destacando o da fonográfica e de software está aos poucos desmoronando e tendo que rever suas estratégias.

Deixe uma resposta