A história não é para amadores

ana paula henrkelAo contrário do que muitos pensam, a profissão de historiador requer muito de nós, seja dentro da sala de aula ou mesmo na área de pesquisa. A história não é inventada: são anos de pesquisa e estudos para transmitirmos algo para a sociedade em geral. Ser historiador, para ter um diploma pendurado na parede, para enfeitar, não valerá de nada.
É corriqueiro e chega a ser engraçado pensar e brincar, dizendo que todos que estudam história são esquerdistas, comunistas ou socialistas. Em parte é verdade. Há historiadores, escritores, químicos, físicos, biólogos, sociólogos e outros de várias profissões que tem suas preferências ideológicas. Quando passa da brincadeira para o lado pessoal é outra questão.
Estava lendo o texto da ex-jogadora de vôlei, Ana Paula Henkel, sobre o desfile da Paraíso do Tuiuti. Ela descarrilou críticas ao desfile da Escola de Samba do Rio de Janeiro pelo tom político que a agremiação apresentou. O constrangimento foi maior por causa dos últimos carros apresentados onde não faltaram criticas às políticas neoliberais e a manipulação, como uma das maneiras de ser escravizado. Enfim, quem pagou o pato (não aquele da FIESP), foi outra vez o professor de história. Falou que os professores de escola estão mais preocupados em formar alunos com tons críticos e isso poderia acarretar um perigo para o futuro da nação.
O constrangimento era nítido naqueles que apoiaram o golpe e estão em silêncio, vendo a retirada de direitos sociais.
http://politica.estadao.com.br/blogs/ana-paula-henkel/paraiso-no-tuiuti-dos-outros-e-refresco/
A “ Estoriadora”, dentre outras falácias, afirmava que a CLT era fruto do fascismo italiano. É verdade? As leis trabalhistas têm suas origens na Itália fascista, mas não se pode afirmar que a nossa lei era fascista.
Uma pergunta para “estoriadora”: quantas nações da época tinham admiração pelo fascismo? Os EUA, o Reino Unido e outros tinham fortes ligações com esse regime nefasto. Isto quer dizer que essas e outras nações eram também fascistas?
Ana Paula, você como “estoriadora” é excelente jogadora de voleibol. O jogo contras as cubanas deixou-a perdida na história. Será que foi muita pancada da Mireya Luis que causou algum tipo de lesão cerebral?
Não serei leviano em afirmar que os trabalhadores das agremiações têm registro em carteira, apesar de que, até o momento, nunca vi ou ouvi uma escola de samba do Rio de Janeiro ser autuada por trabalhos semelhantes à escravidão moderna .
Ana Paula, fique sabendo que a profissão de Historiador mexe na vida social de milhares de pessoas. Não trabalhamos com ‘achismo’ e genéricos estão fora de cogitação. Você pisa num terreno sem conhecê-lo e poderá passar por ridícula.
O professor de história tem o direito de escolher qualquer linha ideológica partidária; o que ele e outros não podem fazer é impor esta linha ideológica aos alunos. Por esse lado, me sinto bem a vontade com meus alunos. Não sinto receio de expor meus pensamentos e ideias. Não será o programa nefasto que se chama ‘Escola sem Partido’ que irá ser o regulador ou censor. O pensamento é livre. A história tem poder de curar a mente e a ignorância dos ingênuos (as).
Nos últimos anos, tem surgido muitos ‘especialistas’ em história. Eu os tratos como ‘Estoriadores’. Esses não têm o trabalho de pesquisa, de ler textos. Ficam brincando com assuntos sérios que um dia a História irá cobrá-los por falarem ou escreverem falácias. Lembre-se : a História não é para amadores!
Fábio Nogueira: estudante de história da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro. E-mail historiadorfabioucb.49@outlook.com

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