A gente não quer só polícia, meu camarada…

As UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora, implantadas em algumas comunidades do Rio, vêm sendo alvo de muitos aplausos por parte da opinião publicada e da população. Diga-se de passagem: a imensa maioria dos moradores de comunidades “aquinhoadas” e, mesmo aqueles cidadãos residentes nas favelas ainda não atingidas, apóiam essa mais nova descoberta de Cabral.
A pretexto de inibir o varejão do tráfico – armado e ilícito – de entorpecentes, um arremedo de operação de guerra vem sendo engendrado.  O combate à causa, às raízes dessa problemática, por motivos irreveláveis, continua num plano secundário. Se é que algum plano existe.  Armas e entorpecentes passeiam por nossas fronteiras, certamente contando com uma “diversidade unificada” de políticas facilitadoras. A ingerência da politicagem no aparato da segurança pública, a corrupção sistêmica e  o despreparo dos agentes são de conhecimento geral.  As horrendas condições de trabalho e a péssima remuneração de nossos policiais também nos dão algumas pistas para desnudarmos essa questão. Junte-se aí a substituição do indispensável – mas “escanteado”  – uso da inteligência pela truculência.   
O que há nas favelas, não se deve negar, é a ponta visível e “mais violenta” desse mega negócio transnacional. Onde meros proletários, engrenagens descartáveis dessa poderosa usina, cuidam, com zelosa e inconsciente subalternidade, da mais-valia do narco-capital. Por essas e outras e, como historicamente acontece, fica economicamente cômodo, é claro, criminalizar a pobreza. Atacar a banda mais vulnerável, fulminando o inimigo e varrendo o gentio para as periferias – danem-se os “efeitos colaterais”. É a mão pesada e calejada do Estado arcaico, meramente policialesco.
Enquanto isso, os intocáveis desse baronato – esses sim -, os verdadeiros traficantes, limitam-se a mover e remover as peças do tabuleiro. Vide os serviços “delivery” implementados com extraordinário sucesso para as camadas médias e altas da sociedade, origem de boa parte de seus dividendos. Na outra ponta, diversificam seus investimentos, migrando. Tal qual fizeram os contraventores: do Bicho, aos Caça-Níqueis. Do Leme ao Pontal, pausando para um Recreio na Barra, eles aguardam… enquanto as coisas se ajeitam.
Pois bem… antes que algum incauto lance mão daquela velha e simplista interpelação: “então é melhor conviver com a bandidagem? “, rebato, de pronto: “claro que não!” Evidente que ninguém deseja viver sob o jugo nefasto do “tráfico”, tampouco quer fazer o jogo escabroso desses tiranetes . Da mesma forma, cidadão algum – notadamente o morador de favela – merece ser achacado e barbarizado por maus policiais. Homens de preto, gente como nós, mas adestrados para reprimir e humilhar pobres e negros, gente como eles. Sobretudo quando esses agentes públicos travestem-se em milicianos e, da mesma forma, subjugam essas populações. Este sim, o verdadeiro poder paralelo. Por estar incrustado no aparelho estatal e por contar com a conivência, ora menos explicitada, de certas autoridades. Que prendam, julguem e condenem os que vivem à margem da lei. Dentro da lei.
Todavia, o nó górdio incide na resistência do Estado em prover políticas públicas consistentes e continuadas a essas populações. As UPPs são um plano incipiente de policiamento militarizado, não um projeto de segurança pública que, necessariamente, depende de diversos outros elementos garantidores de uma cultura de direitos.  UPPs, para as “maiorias”, são como UPAs, para as “minorias”. Funcionam como uma espécie de amortecedor, adormecedor de consciências.  Um placebo de Lexotan de efeito instantâneo, mas imaginário. Não cura, pelo contrário, amplia o problema e retarda possíveis soluções.
O que tem uma coisa a ver com a outra? É que, sempre que se fala em violência, em falta de segurança, em marginalidade, toda vez que esse assunto é videotizado, cai nos ouvidos e salta aos olhos, sobra sempre para os sobrantes.  Aí, o que se quer invisível e distante, torna-se real e palpável. Pra muita gente boa, favela é “quinem” o “caviar” do Zeca Pagodinho: “nunca vi, nem comi. Eu só ouço falar”!
Vive-se um eterno porvir. – “Agora entra a polícia, é uma questão emergencial, as coisas passaram dos limites. Vocês se livrarão dos bandidos, mas, podem aguardar, depois virão as”…
Depois a galinha pôs, cara pálida! É sempre assim! É como salário de aposentado: “somos a favor, sabemos, tá baixo, mas, se aumentar agora, quebra a Previdência”. Pimenta no dos outros é refresco. Para os que estão “de fora”, é mole! Além de não ouvirem mais os odiosos estampidos que, para alguns, só incomodam os debaixo, terão sua propriedade e negócios valorizados. Também tem esse lado. É justo, mas…
Que, ao invés de suscitar remoções tendenciosas, inventando áreas de risco, para transformá-las em áreas de ricos. Que, ao contrário de construir vergonhosos e milionários muros, e maquiadas fachadas, venha um policiamento comunitário, respeitoso, solidário e preparado. E, de quebra, venham os postos de saúde, as escolas,  o esgotamento sanitário, a água encanada, limpa e constante, a limpeza urbana, a iluminação digna, a acessibilidade, as creches comunitárias, a legalização fundiária, o título definitivo de propriedade. Que se tracem metas e se destinem verbas para a construção de casas populares e verifique-se a possibilidade real da ocupação dos imóveis “abandonados” (só no Centro seriam dez mil).  Que venham melhores oportunidades. Integre-se, mantidas as peculiaridades, a favela à cidade. Que cheguem os empregos, oportunidades de trabalho, renda e vida. O resto, tal qual os “de baixo”, os “de cima” levam na chinfra.
É isso… Que as descobertas eleitorais de Cabral não encubram nossos olhos com sua hipocrisia. Não turvem nossa razão, tantas vezes egocentricamente equivocada. Pode não parecer, mas estamos todos no mesmo barco. E, para alcançarmos o porto seguro nessa, ainda nossa, terra brasilis do grande Maia, só nos resta filosofar: “nós não precisamos de muita coisa.  Só precisamos uns dos outros”.
(*) Ricardo Crô é membro da associação de moradores do morro dos Trapicheiros, na Tijuca (RJ).

8 comentários sobre “A gente não quer só polícia, meu camarada…”

  1. Concordo plenamente com suas preocupações. As UPPs não são planejadas para se livrar dos bandidos armados e retomar o território ao controle público e social; não há conjugação entre política de segurança pública (militarizada) com programas sociais e serviços urbanos; não há conjugação com o serviço social às famílias e levantamento das condições gerais dos moradores e da comunidade para superar a situação em que se encontravam. Isto, cinicamente, está sendo jogado para um momento futuro quando tudo estiver bem controlado e seguro.
    Cabe então a pergunta: quando?
    Tendo data para entrar mas, não, para sair, e o controle centralizado nas mãos de um comando militar, A vida sócio-cultural e os direitos políticos desses cidadãos passam a ficar sob implacável militarização. Estão sitiados em suas próprias casas; uma prisão a céu aberto.
    A mídia terrorista, faz, na frente, a blindagem nas subjetividades das classes médias amedrontadas, e fora desses contextos, desinformada sobre o que realmente acontece no cotidiano da vida nas favelas.
    O modelo é de guerra preventiva: ocupação militar do suposto território “inimigo” de traficantes varejistas, como se estes fossem inimigos da pátria. Esta simulação de guerra e “heroísmos”, constrói o cenário que, se não barrarmos à tempo, caminhará para o sinistro.
    Após os supostos ataques terroristas em 11 de setembro nos EUA, este modelo de guerra assimétrica e preventiva entrou em cena na invasão do Iraque e Afeganistão. Já vinha sendo testado na Palestina através de Israel. E, como agora amplia-se a militarização na América Latina, o plano Colômbia, que é uma geoestratégia de controle militar da América do sul, estendendo-se para o Rio de Janeiro através das políticas de segurança, alegando como na Colômbia que se trata do combata ao narcotráfico e ao terrorismo, a ocupação militar do território será tranqüila.
    Soma-se a isto, ultimamente, o acordo militar Brasil-EUA assinado, na surdina, recentemente pelo ministro da defesa Nelson Jobim, sem que a comissão de relações internacionais da câmara dos deputados ou mesmo o Itamarati, que deveriam tratar disso, pudessem interferir.
    Leia artigo do Mauro Santayana –
    http://fazendomedia.org/?p=3394
    “O ministro Nelson Jobim, sem que o Congresso e o povo fossem ouvidos, assinou, em Washington, tratado militar com os Estados Unidos. O objetivo é restaurar o acordo que existia antes e que o general Geisel rompeu em 1977. O governo cometeu erro político de que se dará conta no futuro…”
    Veja mais em meu blog –
    http://linhasnomades.blogspot.com/
    Mídia e máfia carioca, seqüestram governos desde o primeiro governo Garotinho e ascensão de Álvaro Lins, com as ameaças de morte ao então nomeado para a secretaria de segurança pública Luis Eduardo Soares.
    Neste atual governo, Sérgio Cabral, logo na conjuntura de sua posse, ações encobertas desta máfia, mobilizaram bandidos, que escravizam, para tacar fogo em ônibus com pessoas dentro afim de produzir um grande impacto internacional e condicionar os rumos de terrorismo de estado para o combate ao suposto “terrorismo” existente.
    Isso, fez com que o governador, que havia no processo de campanha prometido dar fim ao caveirão e humanizar a política de segurança, junto com o assassinato, execução, do segurança de sua família nas imediações do Rio comprido, entregou-se ao seqüestro de seu governo e ganhou espaço midiático para pautar o seu governo nas experiências colombianas como bons exemplos a ser seguido no Rio de Janeiro.
    Tanto Sérgio Cabral quanto Lula, ficaram condicionados em seus discursos de posse para o combate ao terrorismo. E, por ocasião da organização e preparativos para o PAN desencadeou-se o paramilitarismo, ambiguamente nominado pela mídia terrorista como “MILÍCIA”.
    Expandiram-se pelas favelas com o apoio dessa mídia e autoridades como César Maia e Eduardo Paes. Diziam ser “um mau menor”. É neste mesmo contexto que é lançado o filme “Tropa de Elite” incrementando na subjetividade social a apartação, a aceitação da tortura, a execução sumária, e o fascismo militarista como solução aos problemas do Rio de Janeiro.
    Com o trabalho da polícia federal, se desvendou o que estava por trás das “simpáticas” milícias: máfia de caça-níqueis, policiais militares, policiais civis, bombeiros, agentes penitenciários e, POLÍTICOS DO PMDB na chefia de tais milícias.

  2. A CPI dessas milícias, revelou vasos comunicantes inclusive com a TV Globo denunciada em pronunciamento do deputado, PSOL, Marcelo Freixo:
    Pronunciamento do deputado Marcelo Freixo, 12/05/2009, Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro
    “Já que estou aqui citando a importância da luta pedagógica na política, acho que o Sistema Globo de Televisão, a Rede Globo, lamentavelmente prestou um desserviço ao Rio de Janeiro na semana que passou. Falo isso com pesar, não tem aqui uma carga ideológica. Esse debate é necessário e importante, mas quero ser pontual na minha crítica.
    Na semana passada, houve um seriado na Rede Globo chamado Força Tarefa. Desde o filme Tropa de Elite, criou-se uma cultura – não estou aqui para questionar –, visivelmente se construiu um público para esse tipo de espetáculo. Está também no teatro, agora há uma peça do Luiz Eduardo com o Domingos Oliveira. Há diversas obras de arte, de livros a peças de teatro e cinema, cujo enredo passa pela ação policial, pelos conflitos urbanos. Pois bem, um desses seriados é o Força Tarefa da Rede Globo, que foi ao ar na última quinta-feira (07/05).
    Nesse episódio, o tema era milícias. Eu, por acaso, estava em casa e, quando vi que era sobre milícias, parei para assistir ao seriado. De alguma maneira, a Rede Globo tenta se redimir da última novela, onde um miliciano exerceu o papel de herói, papel do Antônio Fagundes. Nesse momento, nesse seriado, a milícia era caracterizada como algo negativo, extorquindo a sociedade, extorquindo os moradores. Menos mal. No final das contas, o recado é que a milícia é enfrentada e depois o tráfico volta.
    Aconselho aos diretores de televisão da Rede Globo que leiam o relatório da CPI das Milícias, porque em 65% das áreas onde hoje há milícia no Rio de Janeiro, antes não havia tráfico. Assim, não é verdade a lógica “ou milícia, ou tráfico”. Na verdade, a lógica que precisamos implementar na sociedade é milícia/tráfico de um lado, Estado do outro. Temos que defender o poder público sobre todo o território, com sua soberania sobre todo o território, e não jogar a sociedade na falsa polêmica de milícia ou tráfico, como se os moradores tivessem que escolher sob qual tirania vão submeter suas vidas. Qualquer morador do Rio de Janeiro tem que submeter sua vida à lógica do Estado democrático, e é isso que temos que exigir para todo o território e o conjunto de pessoas. Todas têm o mesmo valor, ou pelo menos deveriam ter.
    De alguma maneira, o seriado era crítico à milícia, mas colocava a fragilidade de “ou milícia, ou tráfico”. Até aí tudo bem. Mas qual é o desserviço? O desserviço é o que veio depois. Esse seriado foi gravado numa comunidade no Rio de Janeiro chamada Rio das Pedras, que é uma das milícias mais antigas do Rio de Janeiro. É uma área de milícia. O relatório da CPI concluiu isso. As investigações da Polícia Civil indicam isso. As investigações da Polícia Militar, a Secretaria de Segurança Pública. Todo cidadão do Rio de Janeiro sabe que em Rio das Pedras funciona uma milícia, a mais antiga do Rio de Janeiro, clássica milícia. Diversos dos seus líderes foram indiciados pela CPI, diversos foram investigados pelo Ministério Público, diversos estão respondendo a processos na Justiça. A Rede Globo, mesmo assim, desconsiderando isso, abrindo mão de qualquer necessidade ou cuidado de pesquisa, resolve fazer a gravação dentro de Rio das Pedras. Para isso, evidentemente, negocia com a Associação de Moradores de Rio das Pedras.
    Mas o mais grave está por vir: o presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, que é uma pessoa indiciada pela CPI, investigada pelo Ministério Público como miliciano, recebeu toda a equipe da Globo e trabalhou no seriado como policial da Corregedoria. É inacreditável! Ele era policial da Corregedoria e, diga-se de passagem, foi filmado com muito cuidado – sistematicamente aparecia, não era um simples figurante. É o policial da Corregedoria que atua no enfrentamento às milícias.
    É evidente que não estou cobrando de qualquer emissora, de qualquer veículo de comunicação o papel de ação policial ou de investigação. Não é isso, não se trata disso. Mas não se pode tratar assim de um assunto como esse, de um assunto como as milícias, que representam hoje a maior ameaça à segurança pública do Rio de Janeiro, a maior ameaça ao estado democrático do Rio de Janeiro. As milícias representam hoje a maior ameaça, o que há de mais grave, e o governo já admite isso – age pouco, mas admite isso. Falamos isso há muito mais tempo e ainda esperamos uma ação mais concreta do governo sobre as milícias – não tem. Aliás, esperamos uma ação do Estado e não só do governo – do Judiciário e do Ministério Público também.
    Nesse sentido, quando se quer fazer um documentário, quando se quer tratar desse assunto, o mínimo de cuidado deveria haver. Não se pode dizer que é descuido pegar alguém que está indiciado por ser miliciano e colocá-la para trabalhar como policial corregedor enfrentando as milícias. Isso beira o deboche, beira uma ironia inaceitável! Não é em nome da arte que se pode justificar isso, não há licença poética para tamanha atrocidade, não há.
    Eu não poderia deixar de me pronunciar depois do trabalho que esta Assembléia fez, depois do relatório da CPI, depois da coragem que esse Parlamento teve de indiciar 225 pessoas, entre elas o novo ator. É um afronta ao trabalho desta Casa, é uma afronta ao trabalho dos bons policiais, é uma afronta ao trabalho do Ministério Público e de todos aqueles que querem um Rio de Janeiro diferente. Não é um detalhe pegar alguém que está sendo investigado por ação de milícia e colocar para trabalhar como policial corregedor que enfrenta as milícias.
    Fica aqui o meu repúdio a esse desserviço promovido pela Rede Globo, a essa ação antipedagógica, lamentável, injustificável. Espero que se pronunciem publicamente, que peçam desculpas a todos aqueles que estão enfrentando, sobre os efeitos que têm. Todo mundo sabe hoje o que significa enfrentar as milícias no Rio de Janeiro, o risco que todo mundo que as enfrenta está correndo para isso virar um seriado em que aquele que estamos enfrentando vira ator e faz papel de corregedor.
    Sinceramente, Sr. Presidente, eu não estou aqui para isso e acho que, por mais poderosa que seja, a Rede Globo não tem esse direito. Faltou respeito a todos aqueles que enfrentam as milícias, inclusive os jornalistas do próprio jornal O Globo, alguns ameaçados – há jornalistas da Rede Globo e do jornal O Globo que tiveram que ficar fora do Rio de Janeiro porque foram ameaçados por milícia. Nem respeito aos seus profissionais, da própria casa, tiveram. Isso é inaceitável! Fica aqui o meu protesto e espero que estejam mais atentos nas próximas produções.”
    Enfim, como essa tentativa ficou desmoralizada, vieram com as UPPs ; não se fala mais em milícias e o Álvaro Lins está solto. Tudo agora se condiciona aos megaeventos que virão: copa do mundo e olimpíadas.
    Confira abaixo o misterioso acordo militar Brasil-EUA por Nelson Jobin, ministro da defesa:
    http://www.resistir.info/brasil/acordo_militar_eua_12mai10.html
    Abraços!

  3. Senhor editor, postei meu comentário em duas partes. Por que somente a segunda está aparecendo em outros computadores e somente para o meu, as duas partes? Permanecendo assim, fica incompreensível o que estou tentando comunicar.
    Agradeço esclarecimentos.
    Abraços!

  4. Um pedaço da primeira parte:
    Concordo plenamente com suas preocupações. As UPPs não são planejadas para se livrar dos bandidos armados e retomar o território ao controle público e social; não há conjugação entre política de segurança pública (militarizada) com programas sociais e serviços urbanos; não há conjugação com o serviço social às famílias e levantamento das condições gerais dos moradores e da comunidade para superar a situação em que se encontravam. Isto, cinicamente, está sendo jogado para um momento futuro quando tudo estiver bem controlado e seguro.
    Cabe então a pergunta: quando?
    Tendo data para entrar mas, não, para sair, e o controle centralizado nas mãos de um comando militar, A vida sócio-cultural e os direitos políticos desses cidadãos passam a ficar sob implacável militarização. Estão sitiados em suas próprias casas; uma prisão a céu aberto.
    A mídia terrorista, faz, na frente, a blindagem nas subjetividades das classes médias amedrontadas, e fora desses contextos, desinformada sobre o que realmente acontece no cotidiano da vida nas favelas.
    O modelo é de guerra preventiva: ocupação militar do suposto território “inimigo” de traficantes varejistas, como se estes fossem inimigos da pátria. Esta simulação de guerra e “heroísmos”, constrói o cenário que, se não barrarmos à tempo, caminhará para o sinistro.
    Após os supostos ataques terroristas em 11 de setembro nos EUA, este modelo de guerra assimétrica e preventiva entrou em cena na invasão do Iraque e Afeganistão. Já vinha sendo testado na Palestina através de Israel. E, como agora amplia-se a militarização na América Latina, o plano Colômbia, que é uma geoestratégia de controle militar da América do sul, estendendo-se para o Rio de Janeiro através das políticas de segurança, alegando como na Colômbia que se trata do combata ao narcotráfico e ao terrorismo, a ocupação militar do território será tranqüila.
    Soma-se a isto, ultimamente, o acordo militar Brasil-EUA assinado, na surdina, recentemente pelo ministro da defesa Nelson Jobim, sem que a comissão de relações internacionais da câmara dos deputados ou mesmo o Itamarati, que deveriam tratar disso, pudessem interferir. (…)

  5. Segundo pedaço:
    Leia artigo do Mauro Santayana –
    http://fazendomedia.org/?p=3394
    “O ministro Nelson Jobim, sem que o Congresso e o povo fossem ouvidos, assinou, em Washington, tratado militar com os Estados Unidos. O objetivo é restaurar o acordo que existia antes e que o general Geisel rompeu em 1977. O governo cometeu erro político de que se dará conta no futuro…” (…)

  6. Terceiro e último pedaço:
    Veja mais em meu blog –
    http://linhasnomades.blogspot.com/
    Mídia e máfia carioca, seqüestram governos desde o primeiro governo Garotinho e ascensão de Álvaro Lins, com as ameaças de morte ao então nomeado para a secretaria de segurança pública Luis Eduardo Soares.
    Neste atual governo, Sérgio Cabral, logo na conjuntura de sua posse, ações encobertas desta máfia, mobilizaram bandidos, que escravizam, para tacar fogo em ônibus com pessoas dentro afim de produzir um grande impacto internacional e condicionar os rumos de terrorismo de estado para o combate ao suposto “terrorismo” existente.
    Isso, fez com que o governador, que havia no processo de campanha prometido dar fim ao caveirão e humanizar a política de segurança, junto com o assassinato, execução, do segurança de sua família nas imediações do Rio comprido, entregou-se ao seqüestro de seu governo e ganhou espaço midiático para pautar o seu governo nas experiências colombianas como bons exemplos a ser seguido no Rio de Janeiro.
    Tanto Sérgio Cabral quanto Lula, ficaram condicionados em seus discursos de posse para o combate ao terrorismo. E, por ocasião da organização e preparativos para o PAN desencadeou-se o paramilitarismo, ambiguamente nominado pela mídia terrorista como “MILÍCIA”.
    Expandiram-se pelas favelas com o apoio dessa mídia e autoridades como César Maia e Eduardo Paes. Diziam ser “um mau menor”. É neste mesmo contexto que é lançado o filme “Tropa de Elite” incrementando na subjetividade social a apartação, a aceitação da tortura, a execução sumária, e o fascismo militarista como solução aos problemas do Rio de Janeiro.
    Com o trabalho da polícia federal, se desvendou o que estava por trás das “simpáticas” milícias: máfia de caça-níqueis, policiais militares, policiais civis, bombeiros, agentes penitenciários e, POLÍTICOS DO PMDB na chefia de tais milícias.

  7. Para uma conclusão:
    Domenico Losurdo e a linguagem do Império.
    Estudioso de Nietszche e Heidegger e crítico do pensamento liberal, o autor italiano veio a ao Brasil para o lançamento do livro “A linguagem do Império – léxico da ideologia estadunidense”. Nele, Lusurdo buscou definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente. Ele debateu com intelectuais brasileiros, a partir de 3 de maio, em São Paulo (USP e PUC), Marília (Unesp), Campinas (Unicamp), Belo Horizonte (UFMG), Fortaleza (parceria com a Prefeitura) e Rio de Janeiro (UFF e Uerj).
    Estudioso de Nietszche e Heidegger, crítico do pensamento liberal pretensamente universalista, o autor busca neste livro definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente. Segundo Losurdo, os Estados Unidos utilizam-se de categorias como “terrorismo”, “fundamentalismo”, “ódio ao Ocidente” e “antiamericanismo” como “armas de guerra” para rotular não só seus inimigos como também os que não mostram disposição em cerrar fileiras neste combate aos que ameaçam seu modelo de sociedade. “Quem não estiver com a América é automaticamente inimigo da paz e da civilização”, aponta Losurdo, que busca nesta obra refletir sobre os perigos desta política, a partir da qual “a lista dos possíveis alvos pode ser continuamente atualizada e aumentada”.
    O suposto “narcoterrorismo” de varejistas favelados também está englobado aqui.
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16560
    “O misterioso e vergonhoso acordo militar Brasil-Estados Unidos” , que o governo brasileiro precisa vetar:
    http://www.resistir.info/brasil/acordo_militar_eua_12mai10.html
    Ufa!
    Abraços!

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