Feroz crítico das operações militares nos morros do Rio de Janeiro, o carioca Carlos Latuff usa o desenho como uma ferramenta política. O cartunista divide seu tempo criativo entre o profissional e o militante. Sobrevive de trabalhos que faz para a imprensa sindical de esquerda. Porém, não deixa de apoiar diversas causas no Brasil e no mundo com charges publicadas gratuitamente na internet (ver emhttp://twitpic.com/photos/CarlosLatuff). Seus desenhos sobre a violência policial e militar nas favelas de sua cidade vão direto à raiz do problema e questionam a visão da imprensa e da classe média sobre o problema. Com perdão do clichê: valem mais que mil palavras. Mas também vale a pena ouvir o que o Latuff tem a dizer. Por isso selecionamos algumas charges acrescidas de trechos da entrevista feita com Latuff:
“O efetivo policial militar que foi empregado para a última operação no Complexo do Alemão foi inédito, nunca se colocou tanto policial e tanto militar como dessa vez. Realmente foi um grande espetáculo, uma mega operação militar. Até porque os policiais – civis e militares – se assemelham muito e inclusive trabalham com a mesma filosofia de soldado de infantaria, que é diferente da do policial. A meta do policial é combater o crime, prender o criminoso e levá-lo ao julgamento. O principio da infantaria é acabar com o inimigo. É matar o inimigo. Então a filosofia da polícia aqui no Rio de Janeiro é de matar o inimigo e não de prender o criminoso.”
“Nessa busca desenfreada por audiência, havia cobertura de todas essas ações ao vivo através de equipes em terra e de helicópteros, tudo transmitido ao vivo num verdadeiro reality show sanguinário em que os moradores da favela foram postos na linha de tiro. A imprensa apóia integralmente as ações do governador Sérgio Cabral. Não existe contraponto, não existe crítica. Tudo que apresentaram na televisão é apoio a essas operações. A imprensa não tem o menor interesse em esclarecer a população de que o que estamos vendo é uma pirotecnia, um show de fogos, em que quem tá levando fogo é o favelado. Porque quem aplaude esse tipo de ação é a classe média, que tá segura no seu apartamento.”

“As UPPs me parecem uma reorganização, um upgrade na criminalidade. Essa ação que foi mostrada na TV nada tem a ver com acabar com o tráfico de drogas, é uma ação de retaliação contra esse segmento [Comando Vermelho] do tráfico de drogas. Está havendo uma mudança no tráfico de drogas aqui no Rio de Janeiro. Um fenômeno que tem acontecido aqui é o advento das milícias que são grupos criminosos formados por policiais, ex-policiais, militares, ex-militares, bombeiros, ou seja, elementos que pertencem ou pertenceram ao aparato de repressão do Estado. De acordo com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), hoje as milícias ocupam mais favelas que o tráfico de drogas.”
“A favela sempre vai ser olhada com maus olhos pelo Estado. Porque a favela nos lembra que vivemos num sistema excludente, é a prova viva de que o sistema exclui. Da favela podem surgir levantes por indignação das pessoas de serem excluídas. Então a favela sempre terá de ser controlada pelo Estado. A classe média sempre vai desejar ações violentas contra a favela. Não há como acabar com as favelas, não há como absorver aquelas pessoas dentro do sistema capitalista, eles sabem muito bem disso. O que acontece é que as favelas são fonte de renda pra muitas ONGs, Igrejas, policiais inescrupulosos. Isso é um fato. A favela é um gueto, mas é um gueto que dá lucro pra muita gente, não só para o traficante ou o miliciano. Quando o controle social não se dá através da polícia, se dá através da ONG, do pastor. Tudo pra manter o favelado sob controle e impedir que sua revolta se expresse, se exploda.”
“A favela é um território que precisa ser controlado. Mesmo que não haja traficantes ali, existem pobres, existem pessoas insatisfeitas com sua condição social. Se o sistema não tem como resolver, só resta a repressão, a contenção daquela população. Então a presença ostensiva dos policiais dentro daquela favela cumpre esse papel de reprimir e conter um segmento social que é excluído.”

“É muito lamentável que essa missão da ONU liderada pelo Brasil no Haiti, dita humanitária, tenha servido na verdade como um campo de provas das forças armadas aqui do Brasil. O que se verificou é que as favelas do Haiti, como Cité Soleil, tem servido de laboratório para treinamento de tropas para combate em área urbana. Isso não é mais segredo, já foi divulgado amplamente pela imprensa. Eu acho que se o Brasil realmente estivesse interessado em ajudar o Haiti ele não teria mandado tropas, e sim mandado médicos, bombeiros, técnicos para reconstruir o país.”
(*) Entrevista publicada originalmente no blog Fragmentos Ativos – Fragmentos Políticos.


Pingback: Tweets that mention :: Fazendo Media: a média que a mídia faz :: » “A filosofia da polícia do Rio de Janeiro é de matar o inimigo e não de prender o criminoso” -- Topsy.com
99% da população apoia a morte dos traficantes, mesmo se os mesmos se entregarem.
A frase BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO, é adorada e repetida por todos.
Difícil achar no Rio quem pese diferente disso.
Amigos não é bem assim,ao meu ver isso é muito bom pq os bandidos fogem do morro e vão preocurar outras favelas outros lugares para vender a droga,isso é fato é claro que isso não vai acabar assim,mas se são estaladas esas tal UPP’s os bandidos perdem força pq dentro da favela é um esconderijo deles que por anos a policia não pissava lá e pq ?Pq aquilo era dominado por traficantes e era tipo de uma fortaleza pra eles eles conheciam cada beco cada viela,andavam por tudo dentro daquela area tinham conhecidos em cada esquina do morro,era muito dificil a policia entrar lá pq aquilo era uma cidade dominada por traficantes la dentro da favela era como eles ta em casa eles dominavam tudo e todos,agora se eles forem vender drogas em outros lugares como avenidas,casas normais residencias,apartamentos,em viadutos é bem mais facil da policia pegar eles,então isso ajuda e muito,não sou partidario nen Lulista,mas tenho que concordar foi uma estrategia muito bem pensada do governo Lula,pq os outros governos nunca se preocuparam do os digamos “Favelados” A classe média adora falar assim,eles são favelados por falta de apoio do governo PSDB e PMDB e a ditadura que só soube lucrar no governo e não fizeram nada,a não ser vender nosso patrimonio e sucatear nossas empresas,e depois vendelas por 10% do valor que elas valem,uma vergonha é ese povinho que se acha rico votar em PSDB ainda,e votar nessa bandidage do PSDB e DEM,é o fim mesmo,ainda bem que a maioria pensa diferente ainda bem pq se não seriam mais 4 longos anos de atraso como no governo FHC governo de estagnação e falencia.Agora é só progresso no governo Dilma !! AEWWWW !!!