A educação como prevenção da criminalidade

Em meio aos preparativos para a Copa do Mundo 2014 e para sediar os Jogos Olímpicos 2016, temos assistido – com muito entusiasmo midiático – aos esforços do governador Sérgio Cabral Filho para melhorar a imagem da “cidade maravilhosa”.
A proposta de ocupação das Favelas temperada com uma pitada de espetacularização jornalística é a receita de sucesso contra a criminalização, apresentada pelo Governo à sociedade carioca.
A princípio, estão todos satisfeitos. O morador do asfalto, com a valorização do seu imóvel; a polícia, com o aumento da credibilidade profissional; o governo, com o aumento da popularidade; a mídia, por sua vez, com o aumento do ibope a cada nova ocupação; e até mesmo o favelado, alimentando a esperança de dias melhores.
O único problema nessa história toda é como está sendo abordada a criminalização dentro do contexto problema social. Estão tratando o crime como o câncer da sociedade, quando na verdade é um sintoma. Estão tentando remediar o efeito colateral ao invés da causa dessa mazela social.
As últimas gestões governamentais no Rio de Janeiro foram voltadas para a política do enfrentamento. Investimentos em armamentos, em carros blindados e no constante aumento do contingente policial – que é sempre insuficiente frente ao crescimento da criminalização.
Infelizmente, na educação há muito tempo não vemos acontecer melhorias. Estão instalando UPPs nas comunidades periféricas, mas não se fala em construir escolas com boa infraestrutura para atender as crianças em horário integral. Não temos escolas profissionalizantes suficientes para preparar os jovens dessas comunidades para o mercado de trabalho, que está em alta, precisando de mão de obra qualificada. Isso tudo sem mencionar o vergonhoso  piso salarial do professor.
Segundo Sérgio Cabral, a política de enfrentamento é o “remédio amargo” necessário para diminuir a criminalidade. Cresci ouvindo o ditado popular “é melhor prevenir do que remediar”. Quem sabe um dia, as nossas autoridades governamentais percebam que a prevenção da criminalidade depende, exclusivamente, de propostas políticas que priorizem o setor da Educação.
(*) Cléber Araújo é morador da Rocinha e edita o blog

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