A Candelária e os 788 degraus

Por Max Laureano

Os sábados para mim são dias mágicos. Pode-se ir a tantos lugares, sem a pressão da segunda-feira escravocrata. Pode-se fluir pela cidade, sem a opressão do trânsito. Ou pode-se ter uma aula diferente, de comunicação comunitária.

Dia três de agosto foi essa a minha opção, e de minha filha. Fomos aprender a olhar parte do centro da mui bela cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, por um viés diferente, e depois subimos os 788 degraus da favela de Santa Marta.

O sol de inverno carioca apareceu e nos brindou com calor. A cidade descortinou-se. A Cinelândia, ponto de encontro estava com uma luz, uma energia, a qual os estudantes da turma 2013-1 do curso de Comunicação Comunitária do Núcleo Piratininga de Comunicação pareciam tomar para si e querer espalhar.

natana

A professora Natana Magalhães nos levou para uma outra cidade. A do Rio de Janeiro que lutou, que foi partida, que se rebelou. Um outro olhar sobre os caminhos da cidade é possível. Ela nos mostrou. Através das vielas, dos Paços, das avenidas, das ruas, do Centro, e seus cortiços, suas histórias. Até o local onde ocorreu a infâmia do Massacre da Candelária. Paremos para pensar, orar, conversar. E então recarregar as energias, e se inspirar, evitando o esquecimento e a acomodação, fazendo assim que a lembrança do que foi feito com aquelas pessoas, meninos e meninas não se apague. E que nunca mais aconteça algo assim.

Aula de 03-08-13 (39)

Após o almoço, pegamos o caminho do metrô, e descobri que minha filha já havia se entrosado tanto com a turma, que pegara uma parte da matéria sobre mulheres para escrever. E ela nem acabou o ensino médio. Tampouco estava listada na turma deste ano. Mas ano que vem estará. Segundo ela.

E já começou bem a menina, pois já chegamos para subir os famosos 788 degraus, citados pelo repper Fiell, cicerone em nossa nova  etapa na aula, no morro Santa Marta.

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