
A imprensa marrom está por todo o lado: um sujeito desvia mais de 3 milhões do Ministério do Esporte, o próprio Ministério descobre e o denúncia e ele é indiciado pelo Ministério Público. Aí o réu decide, num ato de desespero, dizer que é tudo culpa do ministro e do partido do ministro. E o que a revista VEJA faz? Dá capa para ele sem apurar e sem ouvir o outro lado. Sem provas físicas, que a própria revista reconhece que “teriam surgido” nesta terça.
Bem vindo ao jornalismo-esgoto no qual nos metemos. Gente assim não só ganha dinheiro como está sendo promovida em redações como as da VEJA. E se processar o sujeito que tentou derrubar um chefe de Estado, aí é “atentado à liberdade de expressão”.
Até o editor-chefe do jornal ‘O Globo’ em Brasília soltou, via twitter: “Meu boa-noite repete ex-ombudsman do Globo, Luiz Garcia: ‘A denúncia em si não é notícia. Pra ser publicada, precisa ser apurada’.”
A democracia é mais uma vez testada, não por grandes figuras históricas, mas pelo que há de mais sujo e baixo: a imprensa marrom.
Matérias sobre o tema aqui, aqui e aqui.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
