A barbárie de Pinheirinho

“O governo de São Paulo e a Prefeitura de São José dos Campos disseram que não houve uso de armas letais em Pinheirinho”. Conforme se vê na foto abaixo, da AFP, publicada pelo The Guardian.

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IMAGENS DA BARBÁRIE. O vídeo abaixo mostra o contexto dos despejos: os criminosos por trás dos crimes.
Imagens da brutalidade contra mulheres, crianças, idosos, deficientes, civis desarmados. (Vídeo do Coletivo de Comunicadores Populares. Filmagem e entrevistas: Cristina Beskow, Yan Caramel, Gabriel de Barcellos. Edição: Jefferson Vasques.)

Testemunha afirma ter visto uma criança de aproximadamente 4 anos chegar ao Hospital Municipal gravemente ferida após desocupação violenta na comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos. Ouça a entrevista aqui (áudio).
Parece piada, mas dezenas de moradores do Pinheirinho confirmaram que a Prefeitura de São José dos Campos estava oferecendo passagens para o Norte e para o Nordeste. Parece piada, mas não é.
Lideranças da sociedade civil presas, políticos e a imprensa impedidos de circular na área, civis alvejados com armas letais. O que é, afinal, Estado de Direito?
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MAIS UM RELATO ATERRORIZANTE DE PINHEIRINHO. “Filmamos os tratores na área de entrada do Pinheirinho (a qual não fomos autorizados a entrar pelo cordão de isolamento da polícia militar – que fazia parte de um contingente de mais de MIL policiais na área). Depois de cinco minutos bombas e tiros foram disparados contra todos nós (nós estrangeiros e eles moradores) que estávamos na área reservada para o recadastramento e apoio aos moradores. Mais de 400 famílias dentro das tendas tiveram de correr para fora da área para que não fossem atingidas pelo ataque da polícia.”
Vejo debates sobre o “número de mortos”. Não importa se houve mortos ou não! Foi uma tentativa de assassinato, de massacre de civis!
É essencial a imediata responsabilização criminal do prefeito Eduardo Cury (PSDB), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e seus respectivos comandantes militares e da polícia.

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VIOLÊNCIA GRATUITA DA PM: QUANDO O ÓDIO DE CLASSE SE MANIFESTA

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PINHEIRINHO [1]. A estupidez e a barbárie mais uma vez reaparecem para o país: um direito fundamental, a moradia, é tratado como caso de polícia.
Desde Canudos até hoje, pouco mudou. Saiba o que aconteceu aqui.
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PINHEIRINHO [2]. A cobertura mais uma vez “falhou” – ou , se preferirem, foi ideologizada.
Tente encontrar livros que incentivem este tipo de cobertura (clique aqui).
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PINHEIRINHO [3]. Sobra a mídia: “Mais uma vez, a culpa é do chefe? Não, a culpa é nossa, dos peões das redações. Ninguém cobra de nós antecipadamente dar a uma matéria um determinado viés que trate sobre questões penais e ignore problemas como o déficit de moradia. E mesmo assim, coletamos informação oficial aqui, conversamos com alguns moradores ali e quase sempre deixamos de lado o ponto central da disputa.”
A reflexão é de Sil S., disponível aqui.
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PINHEIRINHO [4]. Do secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos: “A comunidade de Pinheirinho foi agredida de forma brutal”.
Ele relata: “Fui ver as perspectivas para construir um programa habitacional para aquela comunidade. Fui passar o dia para conversar sobre a possibilidade de verticalização, construção de prédios. Ouvi os gritos dos policiais dizendo para eu voltar. Peguei um cartão da Presidência da República, mas recebi armas apontadas para mim.” (Leia no Brasil de Fato)
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PINHEIRINHO [5]. Três dias antes da barbárie, a seguinte notícia foi publicada pela Agência Brasil:
“O Ministério Público Federal (MPF) em São José dos Campos ingressou com uma ação civil pública pedindo que a Justiça declare que o município é responsável pela situação das pessoas que ocupam há sete anos um assentamento na periferia da cidade, denominado Pinheirinho. A ação, de acordo com o MPF, é baseada na omissão da administração municipal em promover medidas como a regularização fundiária e urbanística do local, o que levou à ocupação.” (na íntegra aqui)
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PINHEIRINHO [6]. Nos abrigos: “Uma tragédia humanitária. Assim a dona de casa Luiza dos Reis Salatiel, 77, definiu a situação vivida ontem pelos expulsos da invasão Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de SP). Na escola Dom Pedro de Alcântara, transformada em abrigo para 2.500 pessoas, a Folha viu pelo menos três doentes com pneumonia, um com tuberculose e uma pessoa com sequelas de AVC jogados em colchões no pátio de esportes.
Crianças e bebês brincavam em meio a restos de comida e a fezes de pombos espalhados. Um animal morto estava preso na rede da quadra. Apenas quatro banheiros imundos serviam às mulheres. Os homens tinham de se contentar com três.” Leia na Folha o relato.
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QUE INSÔNIA! Do deputado federal Chico Alencar tuitando de madrugada: “Dá insônia um país que gasta R$ 20 bilhões em estádios para a copa de futebol e não tem recursos para política habitacional! Tira o sono o país em que parte da Justiça, com seus bandidos togados, é insensível ao direito de moradia e serviçal da especulação!”

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