A África sem fantasia

fabio nogueiraNo começo de ano fui brindado com a minissérie Raízes. O filme foi extraído do livro homônimo do escritor Alex Halley. O escritor fez um apanhado de sua família desde o Gabão ( Costa Ocidental africana) até a abolição dos escravos nos Estados Unidos em 1865 .
A primeira versão do filme foi exibida no final da década de 70, eu tinha entre onze e treze anos de idade. Ainda tínhamos a TV preta e branca, a TV colorida era artigo de luxo. Não tinha opinião formada sobre o tema abordado, lembrava que havia bastante violência contra os escravos que fugiam da senzala . O filme deixou boas lembranças.
Nesta nova versão. a África foi apresentada não como um continente como um todo. Não foi nem pode ser apresentada como um continente uniforme. Temos de conhecê-la como um mosaico cultural, religioso, étnico e linguístico. Em geral, temos dificuldade de ingerir esses aspectos desse belo continente e seus países membros. Antes o continente africano tem que passar pelo filtro do coletor dos ex-colonizadores europeus. São eles que determinam o que somos obrigados a entender, a África como deve ser. Os seus países, práticas religiosas diferentes do cristianismo europeu, uma gente louca sem coração e alma .Não chega a ser nenhuma novidade, pois fazem o mesmo com países do continente americano.
Há no Brasil a lei que obriga todas as escolas públicas ou privadas a incluírem temas falando sobre África e seus aspectos e o negro brasileiro. A lei é válida e serve para não nos deixar presos a estereótipos do desconhecimento e domine o nosso imaginário com pensamentos equivocados. Lamentavelmente, essa assimilação tomou conta de todos erroneamente.
O triplo dilema ao amarrar a África e seus países : 1) Prisioneira de seu passado, manipulado pelo colonizador; 2) O presente indigesto e maléfico com a participação de grandes corporações internacionais, cuja a exploração dos riquíssimos recursos naturais é proveniente de exploração da mão de obra com vista grossa dos governos; 3) O mais importante de tudo, a criação da identidade nacional para cada país do continente com líderes nacionalistas e progressistas .
Não há lideres atuais africanos iguais ou melhores aos que já passaram. Há falta de líderes do mesmo quilate como Mandela, Nasser, Thomas Sankrafa, Agostinho Neto, Patrick Lumumba, Amílcar Cabral. Os que estão no poder são fantoches das grandes potências. Recebem milhões de dólares para manutenção do domínio pós – colonial, interesses estratégicos e exploração dos fartos recursos minerais do continente. A China, por exemplo, é o país que tem mais investido no continente, em especial a região oriental da África e sob a condição de pagar o preço bem alto aos governos desses países em troca do silêncio das atrocidades chinesas. Enquanto isso (…) os governos marionetes calam-se. O desenrolar do tempo vai nos dizer qual será o futuro que espera as nações africanas. Queria ser otimista.
Ao olharmos para o passado africano descobrimos o pioneirismo desse continente. Vamos saber que a filosofia, astronomia e a medicina preventiva foram inventadas pelo povo africano. A apropriação da cultura do velho continente deixou no anonimato muita história por muitos anos.
O livro A África na sala de aula visita a história contemporânea da professora Leila Leite Hernandez, que nos explica com mais amplitude o processo histórico. Enxergarmos com olhos singelos a contemporaneidade africana surpreenderá os mais desavisados. Saberemos como era a participação dos movimentos pela luta de independência e seus atores sociais e assim por diante. A África vai além de belas paisagens, animais exóticos, fome e miséria. Mergulharmos neste caldeirão colorido de diversidade faz com que pensemos que a África sempre foi um continente turbulento. A África deve ser olhada como uma região percussora de várias conquistas da humanidade .
O futuro da África e seus mais de 40 países é incerto. Muita coisa tem que ser feita para melhorar a qualidade de vida de seus milhões de habitantes. Para tirarmos esta dúvida, a idade média de um homem angolano é em média 45 anos. Imaginem os outros países?

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