
Foto: Carla Batista (MST-PB)
Evento discutiu reforma agrária popular e os efeitos do capital energético no semiárido.
Redação do Brasil de Fato – João Pessoa (PB), 28.out.2025 às 15h04
No último fim de semana (de 23 a 26/10), a Vila São João, em Campina Grande, foi palco da Feira Paraibana da Agricultura Familiar 2025 (Fepaf), que reuniu camponeses, pesquisadores, educadores e militantes em torno do tema “Agroecologia no enfrentamento às mudanças climáticas”. A atividade contou com a participação ativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Paraíba (MST), que levou à feira a diversidade da produção dos assentamentos e acampamentos do estado, com alimentos livres de agrotóxicos, artesanatos e produtos beneficiados.

Além da mostra e comercialização, o MST promoveu espaços de formação e debate político, com destaque para a Conferência e Assembleia em Defesa da Natureza. O evento contou com debate e participação de Dilei Shiochet, da coordenação estadual do MST, e o professor e pesquisador Jonas Duarte, que abordaram os desafios da agroecologia como resposta à crise ambiental e climática.


Para Dilei Schiochet, a conferência reafirmou que a agroecologia vai além de uma técnica de cultivo. Trata-se de um projeto político e civilizatório que se contrapõe ao modelo destrutivo do agronegócio, propondo um equilíbrio entre ser humano e natureza.

Ela acrescenta que as feiras da agricultura familiar são momentos de reencontro, intercâmbio de saberes e valorização cultural. Segundo ela, “a feira estadual da agricultura familiar aqui na Paraíba são um momento de reencontro das pessoas. São momentos de intercâmbio de produtos, são trocas de experiências, trazem o valor cultural do processo de produção, trazem a alegria das pessoas que vão exibir os seus produtos. Então, toda feira é um ato cultural. Fazer cultura é aquilo que produz a nossa existência”, destacou Schiochet.

Impactos do capital energético no semiárido paraibano
Durante os debates, foi denunciado o avanço do capital energético sobre terras camponesas na Paraíba. Segundo dados apresentados, cerca de 4 mil hectares foram apropriados por empreendimentos eólicos e fotovoltaicos, provocando alterações drásticas no clima local, como aumento da temperatura, surgimento de redemoinhos e dificuldades na produção de alimentos.

A concentração de placas solares tem intensificado o calor em regiões do semiárido, inviabilizando o cultivo de frutas como o mamão, mesmo com irrigação. Além dos impactos ambientais, foram relatados problemas sociais, como a expulsão de famílias do campo, aumento de casos de depressão e prejuízos à saúde dos camponeses.
Rumo à COP30
A oficina de agroecologia e mudanças climáticas proposta pelo MST durante a feira rememorou a Cúpula dos Povos e apontou a reforma agrária popular como uma das principais políticas capazes de enfrentar a crise climática.

“Só os camponeses, os pequenos e a agricultura familiar podem recompor a natureza, porque, lamentavelmente, a COP30 virou um balcão de financeirização do carbono. E o capital vai financiarizar o nosso carbono. E nós não podemos admitir que o carbono e que todo esse bioma da Amazônia, como o bioma da Caatinga, sejam privatizados. Porque os recursos naturais de qualquer nação e de qualquer país têm que estar a serviço do seu povo, e não a serviço de grandes empresas que destroem o meio ambiente.” comentou Schiochet.



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Editado por: Cida Alves
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