7 de outubro: o desenlace (eleição na Venezuela)

Última semana de campanha: “Chávez – coração da minha Pátria”; “O caminho é Capriles” (Foto: Jadson Oliveira)

Por José Vicente Rangel – da sua página semanal, toda segunda-feira, “O Espelho”, que o jornalista mantém no Últimas Notícias, jornal privado de maior circulação da Venezuela.
1º) Esta é a última coluna que publico antes do próximo 7 de outubro, quer dizer, da data das eleições. A da segunda-feira, 8 da semana que vem, é outra coisa.
Já os venezuelanos restemos a nos ater ao fundamental que, mais além de qualquer outra consideração, tem que ver com o respeito ao resultado que anuncie o Conselho Nacional Eleitoral sobre quem ganhou e quem perdeu. A data é o desenlace de uma expectativa.
2º) Tenho a certeza de que o ganhador será Hugo Chávez, e o escrevo não só porque estou a seu lado por razões suficientemente conhecidas, mas porque sua vitória a confirmam dados essenciais em todo o processo eleitoral: as pesquisas, todas sem exceção — claro, não as de encomenda elaboradas à última hora por gente de Capriles —, e o que ratifica a mobilização de rua. Um e outro dado é severamente questionado pela oposição. Se as pesquisas favorecessem a Capriles se teriam convertido em instrumento chave de sua campanha, mas como não é assim, as desqualificam ou as ignoram.
Por isso que empresas de pesquisa como Datanálisis, Ivad e outras, as quais os meios de comunicação e setores que estão com a oposição respeitavam e utilizavam em campanhas anteriores, hoje as desprezam. A razão?: que essas pesquisas — também outras sérias, mas acusadas de estar vendidas ao chavismo — dão a Chávez uma vantagem sobre Capriles que oscila entre 15% e 20%. Diferença esta que a poucos dias da votação é praticamente irreversível, e, além disso, como o demonstram os fatos, supera provas como Amuay (explosão da refinaria), El Palito (outro acidente menor em outra refinaria), apagões, sabotagens e miseráveis ataques do poder midiático.
As pesquisas, universalmente usadas, servem para medir as tendências da opinião pública. Atualmente, por exemplo, a dois meses das eleições nos Estados Unidos, segundo as pesquisas Obama conta com 48% de aceitação e Romney 43%. Lá não as desqualificam, e menos ainda o candidato em desvantagem. A reação é trabalhar mais e revisar a campanha. Aqui não. O primitivismo de Capriles o coloca na situação de disparar contra o mensageiro. Sem dar-se conta de que o triunfalismo o impede de avaliar os trabalhos de campo, e o faz esquecer que ainda não toca o teto de Rosales (Manuel Rosales, derrotado por Chávez em 2006), que perdeu frente a Chávez com 38%. Perderá agora Capriles frente a Chávez e Rosales?
3º) Outro dado é a mobilização de rua. Capriles e os meios de comunicação que o servem montaram uma campanha baseada na suposição de que “Chávez perdeu a rua”, empregado todo gênero de argumentos, desde os menos nobres, que jogam com a saúde do Presidente, até a utilização, como o faz um diário de circulação nacional, da galhofa e da informação falsa, ao veicular supostos fracassos dos atos públicos nos quais participa o candidato socialista, e, ao mesmo tempo, praticando uma vulgar manipulação da informação, se magnifica a atividade pública de Capriles. No entanto, a realidade é diferente: o trabalho do candidato da direita, árduo sem dúvida, o pulveriza Chávez com seus deslocamentos pelas diversas regiões do país.
4º) Outro aspecto da campanha que influi na definição das tendências e dá como um fato o triunfo de Hugo Chávez, é o relativo ao programa e ao discurso. Enquanto o aspirante à reeleição tem uma clara definição programática e reconhecida capacidade oratória que facilita a comunicação com o povo, o candidato Capriles vive a tragédia de não saber o que fazer com sua oferta programática. Está atado numa mortal contradição: ocultar seu verdadeiro programa, que implica desmontar o Estado de bem-estar social e voltar ao projeto neoliberal da quarta República (período de 1958 a 1998) —com o qual estão comprometidos tanto ele como a maioria dos que o acompanham —, apelar a novos programas e cair em contradições ao negar o projeto da MUD (Mesa da Unidade Democrática), elaborado por analistas, cientistas políticos, economistas.
Se a esse caos programático que desconcerta seus próprios partidários, se soma a limitada capacidade oratória do candidato e deplorável condição para comunicar-se, não há mistério no que ocorre com sua candidatura. Por isso que o esforço físico que faz não se reflete nas pesquisas e na rua.
5º) Por último, minha impressão é que a vitória de Chávez em 7 de outubro será contundente. Porém se impõe não baixar a guarda. Há que votar nesse dia de maneira ordenada e pacífica e não cair em provocações. Mas se estas surgem há que ter confiança que o Estado e o governo revolucionários têm capacidade de conjurar com rapidez e de forma incruenta as tentativas desestabilizadoras. A vitória popular não será frustrada pela versão de fraude que alimentam os aventureiros, os mesmos do 11 de abril (golpe de 2002) e da sabotagem petroleira. Além disso, o chavismo conta com uma vantagem adicional de caráter ético sobre seu adversário, devido à visão que tem do processo histórico venezuelano.
No suposto negado de ganhar o candidato da oposição, o compromisso do chavismo é respeitar o resultado. E neste plano ético também Capriles está em desvantagem: até agora cala e sua atitude faz presumir que joga com cartas marcadas.
Tradução: Jadson Oliveira

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