Mensagem no “Ângelus”, dia 10.07.2016
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, a Liturgia nos propõe a conhecida parábola do bom samaritano, extraída do Evangelho de Lucas, Em seu relato simples e estimulante, ela nos indica um modo de vida, cujo centro de gravidade não somos nós mesmos, mas os outros, em suas dificuldades, a quem encontramos pelo nosso caminho, e que nos interpelam. Os outros nos interpelam. E quando os outros não nos interpelam, aí há algo de errado, algo nesse coração não é cristão.
Jesus faz uso desta parábola, num diálogo com um doutro da lei acerca do duplo mandamento que permite entrar na vida eterna: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a sim mesmo. “Sim, diga-me”, responde aquele doutor da lei, “mas quem é o meu próximo?” Nós também podemos colocar-nos esta pergunta: quem é o meu próximo? A quem devo amar como a mim mesmo? Meus parentes? Meus amigos? Meus compatriotas? As pessas de minha religião?… Qeum é o meu próximo?
E Jesus responde com esta parábola: ao longo da estrada de Jerusalém a Jericó, um homem é vítima de assaltantes, maltratado e abandonado. Por aquela estrada passam, primeiro, um sacerdote, depois um levita, que, ao vê-lo ferido, não se detêm, passam adiante. Em seguida, passa um samaritano, isto é, habitante da Samaria, e como tal, desprezado pelos judeus, por não observar as verdadeiras leis da religião. Este homem, justamente este homem, ao contrário dos outros, ao avistar aquele pobre infeliz, diz o Evangelho, dele se compadeceu, aproximou-se dele, ligou-lhe as feridas, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, confiou-o aos cuidados do dono da hospedaria, pagou-lhe pela diária, e disse-lhe que, em breve, pagaria todo o restante. A esta altura, Jesus se volta para o doutor da lei, e lhe pergunta: “Qual desses três – o sacerdote, o levita e o samaritano – te parece ter sido o próximo daquel que caiu nas mãos dos assaltantes?” E ele naturalmente – porque era inteligente, respondeu: “Aquele que teve compaixão”.
Deste modo, Jesus inverteu completamente a perspectiva inicial do doutor da lei – e nossa, também! -: para decidir acerca de quem é ou quem não é o meu próximo, não devo catalogar os outros. Ser ou não ser próximo, depende de mim. Depende de mim ser próximo da pessoa que encontro e que precisa de ajuda, mesmo que seja desconhecida ou até adversária. E Jesus conclui: “Vá, e também faça o mesmo.” Aproximem-se do irmão e da irmã que você encontra passando necessidade: “Vá e você também faça o mesmo!” Fazer boas obras, e não apenas dizer belas palavras dirigidas ao vento – aqui me vem à mente aquela canção “Parole, parole, parole”… Não. Fazer, fazer! E por meio das boas obras que fazemos com amor e alegria, para com os outros, nossa fé germina e frutifica.
E perguntemo-nos – e cada um de nós responda, no fundo do seu coração – perguntemo-nos: será que a nossa fé é fecunda – produz boas obras? Ou é estéril, e portanto mais morta do que viva? Será que eu me faço próximo ou passo ao largo do caminho? Será que sou daqules que selecionam as pessoas, ao seu bel prazer? É bom fazermos essas perguntas, com frequência, porque, no final das constas, nós seremos julgados pelas obras de misericórdia. O Senhor poderá dizer-nos: “Mas, você se lembra daquela vez, na estrada de Jerusalém a Jericó? Aquele homem semi-morto era Eu. Você se lembra? Aquela criança faminta era Eu! Você se lembra: aquele migrante que muitos queriam manadar embora, era Eu. Você se lembra: aqueles vovozinhos isolados, abandonados em pensionatos, era Eu. Aquele enfermo solitário no hospital, sem que ninguém viesse visita-lo, era Eu…
Que a Virgem Maria nos ajude a andar pelo caminho do amor, do amor generoso para com os outros. Que ela nos ajude a andar pelo caminho do bom samaritano. Que ela nos ajude a viver o mandamento principal que Cristo nos deixou. È este o caminho para entrarmos na vida eterna!
https://www.youtube.com/watch?v=0HDBiA21cqA
(Do minuto 1:55 ao minuto 10:42)
Trad.: AJFC
