Papa Francisco: a esperança na vida eterna

Missa celebrada em 05-06-2016

A Palava de Deus, que escutamos, nos reconduz ao evento central da fé: a vitória de Deus sobre a dor e sobre a morte. É o Evangelho da Esperança que jorra do Mistério Pascal de Cristo, que irradia do Seu rosto revelador de Deus, Pai consolador dos aflitos. É uma palavra que nos chama a permanecermos intimamente unidos à Paixão de nosso Senhor Jesus, para que se mostre em nós o poder de Sua Ressurreição. Com efeito, na Paixão de Cristo está a resposta ao grito angustiante e às vezes indignado, que a experiência da dor e da morte suscita em nós. Trata-se, não de escaparmos da Cruz, mas de nela permanecermos, como fez a Virgem Mãe, que sofrendo junto a Jesus, recebeu a graça de esperar contra toda esperança.

E esta foi também a experiência de Estanilslau Jesus Maria e de Elisabete Hesselblad, hoje proclamados santos: permaneceram intimamente unidos à Paixão de Jesus, e neles se manifestou o poder de Sua Ressurreição.

A primeira Leitura e o Evangelho deste Domingo apresentam justamente dois sinais prodigiosos de ressurreição: o primeiro operado pelo Profeta Elias, enquanto o segundo por Jesus. Em ambos os casos, os mortos são filhos muito jovens de viúvas, que são restituídos vivos às suas mães. A viúva de Sarepta, que não era hebreia, mas que havia acolhido, em sua casa, o Profeta Elias, se acha indignada com o profeta e com Deus, porque justamente quando Elias era hospedada por ela, seu filho adoece e vem a falecer em seus braços. Então, Elias diz àquela senhora; “Dê-me seu filho.” “Dê-me seu filho” – eis uma palavra-chave: expressa o compromisso de Deus diante de nossa morte, sob qualquer forma. Ele não diz: “Se vire!”, mas diz: “Dê-me”. E, de fato, o profeta pega a criança, e a leva a um compartimento superior da casa, e ali, sozinho, em oração, “luta com Deus”, pondo-O ante a surdez daquela morte. E o Senhor escutou a voz de Elias, porque, na verdade, era Ele, Deus, que falava e agia no profeta. Era Ele que, pela boca de Elias, dissera à viúva: “Dê-me seu filho.” Era Ele que o restituía à viúva. A ternura de Deus se revela plenamente em Jesus. “

No Evangelho, ouvimos como Jesus deu grande prova de compaixão por aquela viúva de Naim, na Galiléia, que acompanhava seu único filho, ainda adolescente, à sepultura. Então, Jesus se aproxima, toca o esquife. Para o cortejo fúnebre, e por certo terá acariciado o rosto banhado de lágrimas desta pobre mãe. “Não chore”, diz-lhe Jesus. Como se pedisse a ela: “Dê-me seu filho”, Jesus pede para Si nossa morte, para dela nos livrar, e para nos dar a vida de volta. Com efeito, aquele jovem despertou de um sono profundo, e se pôs a falar de novo. E Jesus o devolveu à sua mãe. Jesus não é um mago: é a ternura de Deus incarnada. N´Ele opera a imensa compaixão do Pai.

Uma espécie de ressurreição é também aquela relativa ao Apóstolo Paulo, que, de inimigo e feroz perseguidor dos cristãos, torna-se testemunha e arauto do Evangelho. Essa mudança radical não foi obra sua, mas dom e da misericórdia de Deus, que o escolheu e o chamou com Sua graça, e nele quis revelar o Seu Filho, para anuncia-Lo em meio aos povos.

Paulo diz que nele o Pai se alegra em revelar o Filho, não apenas a ele, mas nele, isto é, como que a imprimir na sua pessoa, carne e espírito, , a Morte e Ressurreição de Cristo. Assim, o apóstolo não será apenas um mensageiro, mas uma testemunha. Também sobre cada um de nós, pecadores, Jesus não cessa de fazer resplandecer a graça da vitória, que dá vida. E hoje, dia após dia, Ele diz à Mãe Igreja: “Dê-me seus filhos” – somos nós todos – e toma sobre Si os nossos pecados, os assume, e nos restitui vivos à mesma Igreja. E isto acontece, de modo especial, durante este Ano da Misericórdia.

A Igreja hoje nos mostra dois de seus filhos, que são testemunhas exemplares deste Mistério de ressurreição. Que eles possam cantar para sempre, com o Salmista: “Senhor meu Deus, Tu mudaste meu lamento em dança. A Ti darei graças para sempre.” E, todos juntos, unamos nossas vozes, dizendo: “Eu Te exaltarei, ó Senhor, porque me levantaste.”
https://www.youtube.com/watch?v=BAhnR2I5AE4
(Do minuto 49:02 ao minuto 57:14 )
Trad.: AJFC

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