11 de setembro: dez anos e nada mudou

O atentado no dia 11 de  setembro nos Estados Unidos está completando dez anos. A data atingiu em cheio a autoestima do norteamericano, e de repente todos imaginavam que o governo estadunidense iria reavaliar sua política externa. Pensamos que depois dos atentados a cabeça do americano médio mudaria em relação aos outros povos, mas nada mudou. Pelo contrário, o mundo está mais inseguro.
A doutrina Monroe dizia que a América era para os americanos, hoje ela poderia ser mudada da seguinte maneira:O mundo pertence aos americanos e quem  se atreve  a nos desobedecer será punido (leia-se bombardeado).
Há anos os Estados Unidos têm dado opinião em vários países dizendo o que é certo ou errado, argumentam que as sanções ou invasões são de ajuda para libertar o povo do opressor. Isso é válido para os ditadores da Egito e Tunísia, que por muitos anos massacraram o povo com aval do governo americano e outras potências ocidentais? Seríamos inocentes em acreditar nessas mentiras, existem outros interesses além de “salvar” os oprimidos. Um deles é expandir os tentáculos em determinadas regiões do mundo, numa outra versão da doutrina Monroe.
Todos ficaram chocados com o acontecido no 11 de Setembro,quando mais de três mil morreram ou desapareceram. O que dizer de outros três mil antes dos atentados e outros milhares após?As guerras feitas para combater o terror ceifaram mais de cem mil pessoas, em sua maioria civis, mulheres e crianças. Quem está chorando por dessa gente?
Com essa política externa equivocada,os Estados Unidos estão intervindo na vida e tradições dessas nações desrespeitando a cultura alheia. Dizendo, ainda, que suas práticas são erradas e as deles certa.
Além da crise econômica, os EUA vivem uma crise de desconfiança até entre os seus vizinhos do continente,onde até então era um terreno fértil para praticar os seus golpes políticos e financeiros. Novos governos com forte apelo popular deram um sinal amarelo para o vizinho do norte. Não satisfeitos, deram um golpe no Haiti, tentaram outro golpe na Venezuela, fortaleceram laço militar com a Colômbia,onde possui bases militares gerando um clima de desconfiança na região.  Dentro do seu próprio território, a chamada guerra preventiva desconhece o direito à privacidade do homem. Criou-se uma paranóia onde quaisquer pessoas  descontentes com o rumo do país são consideradas terroristas.  Prisões  são feitas sem nenhuma acusação formal,telefones são grampeados sem permissão judicial.  Além do farto  material para filmes, cujos principais suspeitos são do povo Islã,chamados de radicais.  Cria –se  uma onda antiislã,realidade já evidenciada pela Europa.
Não podemos esquecer da mídia conservadora e burguesa,que desde início apoiou uma retaliação militar americana.  O jornalista brasileiro Ali Kamel, das Organizações Globo, em um artigo às vésperas da guerra do Iraque deu o seu apoio incondicional à luta contra o terror sem conhecer os limites da própria. Veja as opiniões sustentadas pelo jornalista em O espírito de Munique e as razões de Bush.
Oxalá que nesse décimo aniversário do Onze de Setembro todos nós e principalmente a  sociedade média americana reflita sobre o mal que seu país faz para o mundo.
(*) Fabio Nogueira é coordenador de pré-vestibular comunitário e militante da Educafro.

Um comentário sobre “11 de setembro: dez anos e nada mudou”

  1. Ano que vem haverá eleiçoes para presidente dos E.U.A, Obama,não disse para que veio.Deixará o seu nome na história,porém no campo da politica externa e economica tem sido o fracasso total.
    Preparem-se, o candidato Republicano já começa por as unhas de fora dizendo o que fará.
    Aguardem os próximos capitulos!

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