
É importante relembrar o que já foi escrito por muitos: não existe tráfico de drogas ou milícia sem o Estado. Nosso dinheiro, nosso impostos, são utilizados não apenas eventualmente — trata-se de um sistema que não pode sobreviver sem o aparato estatal.
No mais recente episódio, relatado por esta reportagem do jornal O Dia, o tenente-coronel Márcio de Oliveira Rocha, que comandou o Batalhão de Choque, é acusado pelo Ministério Público de ter chefiado uma quadrilha fardada quando estava à frente do 6º BPM (Tijuca).
Segundo o MP, o esquema de cobrança de propina montado pelo grupo rendia mais de R$ 100 mil por mês, pagos por mototaxistas e motoristas de transporte alternativo com pontos em pelo menos três favelas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A investigação é da 19ª DP (Tijuca).
O bar Bingo da Barão (foto), aqui pertinho, na rua onde moro (em frente à sede do 6º BPM), era o ponto usado para recolher o dinheiro. Segundo o MP, o local era ponto de encontro dos PMs, mas também servia para guardar valores ilícitos deles. Em meio às investigações, os policiais mudaram o local de entrega da propina para outro comércio na Rua Pinto de Figueiredo.
Segundo o MP, os policiais também recebiam dinheiro em pontos nos morros da Casa Branca, Salgueiro e Chácara do Céu. O MP queria que o caso fosse investigado pela Justiça comum, pois a ordem estaria vindo diretamente de Márcio, comandante do 6º Batalhão.
Trechos da escuta e outros detalhes na matéria do jornal O Dia: http://bit.ly/1hGJ6wG
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Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
