Por Isaac Bigio
LONDRES, 29/12/2004. O terremoto que golpeou os dois extremos do Índico, o terceiro oceano do planeta, assassinou dezenas de milhares de pessoas que viviam separadas por milhares de quilômetros e em países que não tinham entre si o menor contato.
O recente atentado telúrico foi mais imprevisível, letal e global que a soma de todos os atentados terroristas juntos na história. Faz tempo que muitos cientistas reclamam que o maior perigo para a humanidade são as mudanças geológicas e climáticas.
Não há como prevenir os terremotos, porém há como gerar respostas mais rápidas de socorro. No dia 28 de dezembro Blair considerava que esses fatos não poderiam suspender suas férias, mas a ajuda que seu país cedeu aos flagelados era inferior ao custo de um míssil utilizado na guerra iraquiana. A ínfima ajuda cedida pelos EUA às vítimas do sismo asiático equivale ao custo de uma hora de bombardeio contra Bagdá. Isto não é uma brincadeira, mas sim a realidade de suas preferências. Tradução: Pepe Chaves
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
