Lembranças

Hoje à tarde, assisti a missa com a minha esposa na igreja de Santo Antônio de Lisboa. A tarde estava meio choviscante, mas mesmo assim chegamos lá. Várias vezes, durante o ofício, pensei: não é o brilhantismo das palavras do padre, ou a novidade do que aqui se escuta, que me faz bem. São ecos da minha vida.

Voltei à minha infância, passei por momentos que se costuraram como num rosário até o dia presente, o instante em que estou aqui, ou em que estive ali, no meio a tantas pessoas, ouvindo as palavras que falavam de Deus, Jesus, a vida, a justiça, o amor, a caridade, a família.

Foram lembrados casamentos, falecimentos, aniversários. Lembrei da Terapia Comunitária, a roda da vida. Mas não é para lembrar de algo em especial que partilho estas anotações, e sim para dizer o quanto me faz bem sentir que há a proteção de Deus acima de todos nós, de todas as pessoas. A bênção, os cantos.

Lembrei de uma canção, A barca, que ouvi pela primeira vez em Beberibe, em 2009, no congresso da Terapia Comunitária. O padre abençoando os caminhos de todos os presentes, as pessoas se cumprimentando, voltando para casa.

Pensava que a vida continua sendo para mim um mistério inexplicável. Isto é: há explicações, algo explicam, mas a totalidade é mais. Não sei como é a vida eterna. Mas lembrei de José Comblin: o amor é a parte nossa que não morre, é Deus mesmo em cada um, em cada uma de nós.

Agora partilho estas anotações, nesta noite de domingo.

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