O texto a seguir obedece à mesma lógica dos que partilhei dias atrás. Ou seja, se trata de me introduzir nesta rede da TCI, para ir partilhando o que vou conseguindo recuperar e estabelecer em mim mesmo, como modos mais felizes de existência e coexistência no mundo. Este aprendizado se nutre fortemente das rodas de TCI de que participo semanalmente.
Tenho partilhado anotações sobre a experiência de ser parte destas redes da TCI. O apreço encontrado da parte de pessoas que me são queridas, bem como também de outras que ainda não conheço pessoalmente, me reforçou e me reforça ainda mais, no sentimento de que esta é uma prática essencialmente humana, humanizadora. Aqui existimos como gente. Gente que insiste, resiste, não desiste.
A vida é muito curta, como sabemos. O tempo vai passando e o que vai ficando como colheita, como vivência diária aqui neste mundo, são muitas vezes, instantes fugazes que eternizamos. Momentos de partilha e prazer. Crescimento comunitário. Expansão para além dos limites do que tínhamos nos habituado a considerar como válido ou ainda inevitável. A vida desabrocha, floresce, se mostra mais bonita. Revivida.
Venho melhorando os sentimentos a respeito de mim mesmo, o meu existir em família e em reuniões ou encontros sociais. De uma atitude defensiva, quase de fuga, ou agressiva, venho estando em algumas outras que julgo mais positivas. Apertura. Sensação de que sou necessário. Sentir também que preciso das outras pessoas para arejar o meu interior. E assim aos poucos, um sentimento de ser parte e fazer parte, vão me dando a sensação de que sou querido e aceito. Assim, também eu mesmo me aceito e me quero mais.
A vida vai fluindo melhor. Não me sinto tanto como um estranho, alguém que não tem um lugar.
A vida pode ser mais divertida, mais cotidiana, mais natural, menos programada, menos projetada, menos repetitiva, menos monótona, menos mecanizada, mais surpreendente.
Pausa é sobre tudo, suspensão do preconceito. A atitude defensiva. O medo de ser agredido. A capacidade de confiar.
Como é que eu gostaria de ser visto? Luz. Riso. Sobre tudo sorrindo. Inteiro. Pois é. É isso aí!
Tento descansar. Nem sempre consigo. Insônia. Penso demais. Penso sobre tudo. Penso que o pensar excessivo pode vir a ser uma espécie não sei se de fuga ou de esconderijo, ou não sei mais o que. O que sei é que muitas vezes não me deixa dormir. Vou pra lá, vou pra cá. Arranjo preocupações. Sei que não preciso, mas sabe como é. Então escrevo. Leio. Pinto.
O que sei é que muitas vezes toda esta atividade interna, todo este movimento emocional, de sentimentos e reflexões, se traduz em anotações que partilhadas me devolvem um respiro. Por isso insisto.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
