Eu nem pretendia escrever mais sobre o tiro que Cesar Benjamin deu no próprio pé, ao se deixar utilizar como azeitona na empada da Folha de S. Paulo, mas não resisto a esta Nota da Redação grotesca que o jornal acaba de cometer:
“A Folha avaliou que era de interesse público publicar [grifos meus: o vocabulário é tão limitado quanto a argumentação…] o artigo. Trata-se do depoimento de uma pessoa com credibilidade, que atuou na cúpula do PT e que narrava uma conversa com o então candidato à Presidência. O texto não afirmava que o ataque havia ocorrido, mas que o candidato relatara a ação”.
Em primeiro lugar, o jornal afinal admite, implicitamente, que o ataque não ocorreu. Só que esconde sua ambígua mea culpa no Painel do Leitor, depois de haver trombeteado a acusação falsa numa página inteira. As boas práticas jornalísticas exigiriam que desse ao restabelecimento da verdade o mesmo destaque concedido à mentira desmascarada.
Quanto aos critérios editoriais enunciados, ensejam mais um questionamento: e se Lula, da mesmíssima forma, houvesse relatado sua viagem a Marte, seria “de interesse público publicar o artigo”? Qualquer bobagem que o Lula diga e uma pessoa com credibilidade reproduza, é digno de publicação nas páginas da Folha?
Ora, tratava-se de uma tentativa de estupro, em local com muitas testemunhas. Então, das duas, uma:
- ou realmente ocorreu e cabia à Folha comprová-la, com depoimentos da vítima, dos companheiros de cela e dos carceireiros;
- ou não ocorreu e a Folha jamais deveria ter dado tanto espaço, para que se aludisse com tamanha dramaticidade, a um não acontecimento, potencialmente dos mais danosos à imagem do presidente da República.
Porque há uma grande diferença entre um presidente que faz gracejos de mau gosto e um presidente que tentou estuprar “o menino do MEP”. E a Folha sabe muito bem disto.
Para fingir que não praticou um jornalismo manipulador e irresponsável, a Folha novamente subestima nossa inteligência. E se desmoraliza ainda mais.

A Folha de São Paulo vem perdendo leitoras e leitores num país que não suporta mais a baixeza de um certo “jornalismo” pago pela ultradireita mis imoral. Veja, espero, seguirá pelo ralo logo mias.