Fazer música não é tirar onda, explica o rapper Emicida

Rapper Emicida, que está se destacando no Rap Nacional. Foto: Bruno Christophalo.

Emicida é o apelido de Leandro Roque de Oliveira, uma das grandes revelações do Rap Nacional. Em conversa com o Fazendo Media, o rapper mostrou que o seu pensamento rápido e direto não é algo que aparece só nas batalhas de MC’s ( mestre de cerimônias) ou nas letras das suas músicas. Ele demonstra que sabe muito bem quais são os seus objetivos e como alcançá-los, e assume a responsabilidade de ser uma referência “pros muleques que tão chegando”. E sentencia: “o Rap pode ser bem maior”.
O encontro com Emicida aconteceu em Bauru, cidade no interior de São Paulo, onde ele esteve para encerrar o 2° Festival Canja, organizado pelo Enxame Coletivo. Sobre o Festival, ele declarou em seu twitter: “Fui mais louco que Coachella” – um dos mais famosos festivais de música alternativa que acontece todo ano na Califórnia, Estados Unidos.
Pra quem já mordeu um cachorro por comida, você está crescendo cada vez mais sem nenhuma gravadora por trás para te ajudar. Qual foi a maior mudança social na sua vida desde então?
Acho que o barato mais louco de ver essas coisas acontecendo é a renovação, tá ligado? Eu sou a renovação de uma coisa e vai ter um moleque de 13, 14 anos que vai ser a renovação do que eu tô fazendo. O mais da hora pra mim, o mais louco, o bagulho mais maravilhoso, é o ciclo, é você ser surpreendido por um artista que viu o que a gente não consegue ver por causa do monte de luz que tem ao nosso redor. Sempre tem aquele moleque que tá ali no canto sozinho, que tá olhando um detalhezinho do palco que nóis não viu e aí ele vem e aparece.
O mercado agora tá totalmente diferente, e você é o exemplo vivo disso. Você acha que a tendência do mercado é a sua pegada de você mesmo gravar, prensar e vender? As gravadoras vão morrer?
Cara, eu lancei minha gravadora porque eu não acreditava nas que existiam. Acho que eles não compreendem minha música. As experiências que eu vi de gravadoras grandes trabalhando com o rap foram todas uma bosta, salve raras exceções, mas que também acabaram se dissipando com o tempo. E hoje você não tem, com exceção do Marcelo D2, outro artista em uma gravadora grande. Então tem muito mais erros do que acertos quando o assunto é Rap Nacional e Major. O que eu acredito que é a tendência, e que deve ser e não pode mudar, é o trabalho, tá ligado? As pessoas têm que sujar a mão mesmo e cair pra rua porque a música é isso aqui.  As pessoas têm dificuldade de vincular a música com trabalho, eles acham que o bagulho é tirar onda, comer umas minas, ganhar um dinheiro e viajar. Só que mano, isso aí é uma visão muito simplista, muito superficial da coisa, o trampo mesmo é diário como qualquer outra profissão. E até mais, porque o esforço intelectual e o esforço físico têm que estar muito sincronizados.
Emicida em Bauru, cidade no interior de São Paulo, onde ele esteve para encerrar o 2° Festival Canja, organizado pelo Enxame Coletivo. Foto: Bruno Christophalo.

Você acha que aqui no Brasil o Rap tem chances de virar um espetáculo, como no exterior, com os artistas como atração principal de festivais?
Cara, sinceramente, eu acredito que dá para o rap ser bem maior. A gente vem de uma cultura de miscigenação monstruosa e o que acontece é que a gente bebe de várias fontes e os caras lá são preconceituosos com várias fontes. Então a gente tem ingrediente pra caralho pra conversar com o mundo. Devido a algumas limitações por causa do formato, a gente ficou um tempo olhando para o nosso umbigo, mas acho que agora as pessoas tão ousando. Estão misturando mais músicas, misturando mais ideias e a tendência é a gente fazer uma música nossa, que eu nem sei se vai ter o nome de Rap, mas que vai ser música falada e vai dialogar com o mundo inteiro. Porque a gente tem ingredientes o suficiente para isso, tem vivência para isso, e eu acredito que a nossa poesia é uma das mais ricas do mundo.
Existem críticas que você seria o rapper de playboy, pois também canta a vitória e não só a vida dura, como muitos fazem. Você acredita que sofre preconceito dentro do próprio meio do rap?
Mano, eu sofro preconceito dos quase. Dos que queriam estar onde eu tô. Dos caras que quase foram alguma coisa dentro do mercado, tá ligado? De resto, não acontece nada, até porque esses caras não têm coragem de falar nada na minha cara. Eles falam muito, mas quando eu trombo esses caras na rua e enquadro eles na ideia e falo: “e aí, você não falou tal bagulho?”, os caras vêm “não, não foi bem assim não, eu quis dizer outra coisa”. O bagulho é que eu tô trabalhando mesmo, meto o pé, e eu não tô disputando com eles, tô disputando comigo. Minha superação é mais interessante do que qualquer outra coisa. Pra eles pode ser arrogância, mas pra mim eu quero que se foda.
Emicida, você tem duas mixtapes lançadas, há uma previsão para um disco com o formato de álbum mesmo, diferente do que você já lançou até então?
Se Deus quiser, no ano que vem. Fé em Deus, vamos colocar uma velinha acesa, porque mano, ano que vem eu tô me esforçando pra sair. Daqui a dois meses sai o EP junto com K-Salaam e Beatnick e ano que vem a gente chega com o álbum.
E o trabalho em conjunto com o Macaco Bong, que inclusive abriu o Festival Canja 2011, aqui em Bauru?
Mano, a gente tá conversando, só que a agenda dos caras é bode e a minha pelo amor de Deus. Eu tô há três semanas sem ir pra minha casa na minha cidade, tá ligado? Tá bem foda pra gente parar e esboçar alguma coisa. Eu comecei a estudar música pra poder acrescentar realmente num projeto como esse do Macaco Bong, e produzir a música que eu acho que a gente pode produzir, fazer a coisa com a grandeza que a gente pode fazer. Eu fui buscar outros ingredientes porque eu não queria ser um artista limitado dentro de um projeto que pode ser tão vasto.
Emicida, sete letras, um propósito. Qual é ele?
Cara, meu propósito é a superação, irmão. Da realidade, da música, da arte, do cenário, da vida. Eu tô aqui pra vencer. Minha maior conquista é plantar isso aí nos moleques, tá ligado? Os moleques tavam todos aí de cabeça baixa acreditando que favelado tinha que comer lixo e virar ladrão. Agora quem desacreditou de nóis tá fudido, porque esses moleques levantaram a cabeça, eles vão lutar e vão vencer. Daqui a dez, quinze anos, nóis tá com os presidentes e com os ministros lá, vai ser tudo nosso nessa porra aí, você vai ver.
“E se a maioria de nós partisse pro arrebento, a porra do congresso tava em chamas faz tempo…” ( verso da música “Triunfo”)
Tá indo, irmão, tá indo. Agora nóis chegou e tem voz! É nóis!
(*) Bruno Christophalo é estudante de jornalismo. Colaborou Paulo Pastor, também estudante da Unesp.

4 comentários sobre “Fazer música não é tirar onda, explica o rapper Emicida”

  1. O Rapper WILL finaliza seu projeto musical do gênero Rap/HipHop Gospel intitulado: “Depois De um Longo Deserto…”
    Fruto de muito trabalho, garra, determinação e respeito, esse projeto até então em caráter DEMO, está disponível de Minas Gerais para o mundo, está focado, e tem tudo pra expandir e representar o Rap Nacional (e muito bem representado por sinal).
    Buscando seu lugar ao sol, evoluindo musicalmente atingiu a maturidade nesse DEMO.
    MixTape que veio pra enriquecer e abrilhantar ainda mais esse tão almejado trabalho musical.
    Projeto de produção independente sem vínculo contratual com algum selo ou gravadora.
    Projeto muito bem elaborado com forte potencial pra despertar atenção de um bom produtor musical, e forte candidato pra entrar no casting de gravadora que tenha visão de que o Rap Nacional está em ascensão, está muito bem representado como outros estilos musicais.
    Fonte: williamderesponsa.blogspot.com

  2. eu escrevi uma musica de um amigo quando ele me deixo porque tinha que se mudar pra outro lugar e ele ne nei sabia pra onde mora mas hoje eu fiz esa musica para ele…………..

  3. Esse “emocida” é um idiota, o cara nem respeita o rap que ele canta, ele acha que ele quem começou o rap, ele não tem gravadora porque ninguém ligou pra idéia dele, ele quer mais é ganhar dinheiro fazendo modinhas, tipo “rap universitário”. Se liga “emocida”, o rap é muito maior que tu, tá ligado?

Deixe uma resposta