Já faz alguns dias, que tenho me voltado nesta direção, a de encontrar a criança que fui. Percebo que no passado, tentei procurar na luz, quando na verdade o que estava procurando, estava em outro lugar, menos evidente.
Agora que escrevo estas anotações, me dou conta de que não tenho muita certeza acerca do que me impulsou a ir nesta direção. Uma conversa com a minha companheira, a percepção de que havia, e ainda há, uma trava interna, algo que ficou enganchado, um mecanismo de auto-punição e rechaço, culpa.
Na leitura do livro de Nathaniel Branden, Auto-estima, como aprender a gostar de si mesmo, tenho encontrado e continuo a encontrar, uma guia segura e simples, sem rebuscamentos. Aspectos de mim mesmo que nunca tinha olhado com uma mirada clara, não condenatória, começam a se revelar como partes de uma operação em andamento, a da recuperação total do meu sentido de viver.
O livro de Branden propõe sentenças que o leitor ou a leitora devem completar. E se não tiverem a resposta certa, podem inventar. É um bom exercício. Alguma coisa muito tênue começa a chegar perto. Começo a ter uns vislumbres de mim mesmo, como se a criança que fui estivesse se aproximando, percebendo que não precisa ter medo.
Há um lugar confiável onde ela poderá se aninhar: esse lugar sou eu mesmo. Este fim de semana passado, fui para Praia Bela com a minha esposa. Muito verde. Mar, rio. O céu azul. As colinas verdejantes. Os barrancos. As matas, os insetos, os pássaros. Suspendi a leitura do livro sobre a auto-estima, mas alguma parte da atenção continuava voltada nessa direção.
Hoje, segunda-feira, retomo a leitura e os exercícios. Uma antiga tristeza começa a dar lugar a uma sensação de despreocupação, de paz, tranquilidade. Como se tudo estivesse no lugar certo, como se houvesse um lugar para mim no mundo.
Não preciso fazer tanto, nem receber tantos elogios. Vou me voltando para um auto-conceito positivo, que é a base da auto-estima. Aceitação, com responsabilidade. Viver conscientemente.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

Em busca da criança interior. O título me remete às reuniões da TC e dos inúmeros exercícios que tenho feito ao longo da minha vida para estar cada vez mais perto de mim. O texto chegou em boa hora! A semana começa a ter o sentido e o tom desejado! Um grande abraço.
Valeu Rolando!!!Continue em busca da sua criança!!!!É uma libertação quando a gente a encontra….as vezes ela ficou encalhada em algum obstáculo ou trauma de infância…Ela nos mostra o caminho da verdade, da autenticidade , da libertação , do viver o nosso sentimento , do desabrochar das nossas emoções …ela nos permite viver o AMOR com mais autenticidade…
Neste encontro que tivemos eu a vi dentro de vc,,,ela é linda demais!!!!
Parabéns e um grande abraço para vc e sua companheira de viagem, Maria, uma pessoa que mto admiro!!!!
Obrigado amigo pela sua grande contribuição para a nossa necessidade de avaliar e reavaliar, todas as nossas ações, e, até, omissões tão frequentes no cotidiano.
Parabéns e muitas felicidades…
Atenciosamente
Parabéns Rolando!
Maravilhoso o encontro com a sua criança interior. A sua descrição, verdadeira e sábia, me remeteu a uma profunda reflexão e, ainda a lembrança que aprendi de que o aspecto divino da criança interior que habita em nós é uma fonte que quando percebida conscientemente pode nos oferecer coragem, entusiasmo e, principalmente cura.
Clea
Lembro-me de ter lido esse livro duas vezes: há dez e há cinco anos.
Chamou-me à atenção o quanto aquela criancinha alegre, espontânea e chorona que fui, se transformou em uma mocinha séria, brava e que se esforçava para mostrar-se inteligente.
Na infância solitária, tentava me distrair pintando, desenhando ou fazendo todo tipo de trabalhos manuais e presenteando minha mãe… que não se comovia com eles!
Bem, mesmo carente de atenção, aprendi a não chorar, a estudar muito, ajudar colegas e me defender bravamente quando minha integridade era ameaçada de alguma forma.
Hoje, acolho aquela criança tão bonitinha que eu era e me libertei da necessidade de ter que me provar para os outros. Acho que a fé no amor de Deus, pessoas amigas, a TCI e minha maturidade têm me ajudado nesse empoderamento.
Uma coisa que me chamou atenção em seu texto, Rolando, é a questão da culpa. No fundo, acho que eu me sentia culpada de ter vindo ao mundo sem ser desejada e de dar trabalho à minha mãe, que não conseguia gostar de mim, não importava o que eu fosse ou fizesse… triste realidade!
Hoje, aceito o sofrimento e as limitações dela e meus sem culpá-la, tampouco culpar-me. Tudo faz parte e eu posso escolher o que levo disso tudo.
A aceitação, o viver consciente e com responsabilidade, integridade e autenticidade são libertadores.
Obrigada, Rolando por me lembrar disso!