“É terrível viver com medo”

Ontem foi um dos melhores dias da minha vida. Em que sentido? No sentido de ter tido e ainda ter, estar sentindo, acolhimento. Pertencimento. Segurança.

Saber, sentindo, que tenho um lugar. Que sou apreciado, querido, valorizado, reconhecido. Algo tão importante e vital.

O que é que tinha acontecido? Um dos meus artigos, “Reconstrução”(1), recebera comentários elogiosos da parte de várias pessoas, terapeutas comunitárias.

Migrante e alguém que carrega consigo as marcas da violência, não pude menos que sentir que algo de muito bom acontecera.

Nem toda pessoa vai me atacar. Nem todo mundo é um traidor, uma traidora. Alguém que se vale da proximidade para me ameaçar e me prejudicar.

Ao contrário, estas pessoas, terapeutas comunitárias de vários Estados do Brasil, me fizeram chegar as suas impressões positivas acerca deste relato publicado na revista Consciência.

Lembro dos primeiros tempos. Esta revista tinha uma grande quantidade de pessoas escrevendo e publicando. Era o ano 2000 ou mais.

Revista de livros. Muitos dos meus escritos foram reunidos em livros. Mosaico, Libertatura. Um Terapeuta Comunitário em busca de si mesmo.

Um deles, Resurrección (2009) foi compilado por uma colega de Mato Grosso, a quem nunca serei suficientemente grato. Maria Helena Rodrigues de Oliveira.

Ela simplesmente colhera meus textos publicados em Consciência, os imprimira numa gráfica, encadernados, y me los envió por correio.

Isso era como ter renascido. Valor da vida. Vida de escritor. E não era apenas essa emoção, que já era muito. Era o sentido que para ela e para mim, tinha o de termos dado a luz esse livro.

Um testemunho de resistência, insistência, resiliência. O quanto esta profissão, ofício, arte ou como queriam chamar, faz pela vida. Gente solitária ou isolada, pessoas que podem estar se sentindo sem um lugar sob o sol, vêm a tona.

A frase que da o nome a estas anotações é de Rutger Hauer, o último androide no filme Blade Runner, O caçador de androides.

Esta revista nasceu no meio do boom de publicações digitais. É o prosseguimento de um sonho de juventude.

Que não se perca como lágrimas na chuva!

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(1) https://revistaconsciencia.com/reconstrucao-2/

(01/09/2024)

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