Desaparecimento Forçado: uma realidade na Colômbia

São pessoas que vivem sob escolta do medo da polícia, do exército e dos paramilitares. Ao dar um depoimento ao Fazendo Media, C., que preferiu não se identificar para não ser mais uma vítima desta truculência, membro da Asociación de Familiares de Detenidos Desaparecidos (ASFADDES), que luta pela justiça e memória dos desaparecidos da Colômbia, afirmou que nos últimos dez anos foram praticados mais de 15 mil casos de desaparecimentos forçados no país. Ao perguntar sobre mais detalhes destes desaparecimentos, C. diz que a ASFADDES não trabalha mais com estatísticas pelo fato disso não sensibilizar mais as pessoas. 
“A partir deste número (15 mil) paramos de contar, pois já não aguentamos mais. Por isso, decidimos trabalhar pela memória e conscientização dos desaparecidos, caso contrário não teremos condições de civilizar a sociedade sobre os desaparecimentos forçados”, destaca C. 
Segundo a divulgação no sítio Costa Rica Hoy (costaricahoy.info), o coordenador da Comisión Nacional de Búsqueda de la Defensoría del Pueblo, Andrés Peña, afirmou à agência EFE que são quase 50.000 casos de desaparecimentos forçados na Colômbia. É a nação que mais sofre com os desaparecimentos do mundo. 
A violação começou com o desaparecimento de pessoas envolvidas com lutas políticas, como em sindicatos e movimentos sociais. Hoje este quadro mudou, pois desaparecem pessoas – em alguns casos famílias inteiras – pelo fato das forças repressivas  deduzirem um suposto envolvimento delas  com as Farc. 
“São os paramilitares e grupos formados por empresas multinacionais que desaparecem com as pessoas com objetivo de esvaziar o local e utilizá-las para a guerrilha”, observou C. 

Membros que trabalhavam na Asfaddes, Angel José Quintero e Claudia Mousaive, desaparecidos em 2002. Foto: Reprodução

Reforçada pela ação do governo que oculta os desaparecimentos, a impunidade é tamanha que não existe no país sequer um registro de alguém que tenha sido preso por praticar esse tipo de crime na Colômbia. Mas para combater este terrorismo de Estado, a ASFADDES trabalha para entrar em vigor um projeto de lei que puna quem praticar este crime.  Outra ação da Associação é a Campanha pela Ratificação Plena contra os Desaparecimento Forçados, com objetivo de ratificar a Convención Internacional Contra las Desapariciones Forzadas, um mecanismo que permite combater essas violações e punir responsáveis.  Para C., as Farcs é um movimento guerrilheiro que hoje em dia perdeu todos os seus ideais, transformado em um movimento mercenário que dificulta o trabalho das organizações que lutam pelos direitos humanos para reivindicar a memória das pessoas.“ Quando se fala em direitos humanos na Colômbia, tende-se a associar os que trabalham com direitos humanos  a envolvidos com a guerrilha”, conclui C. 
Mais informações: http://www.asfaddes.org/

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