“Bolívia – Passos das revoluções” na Bienal Internacional no Rio

boliviaApesar de nossa vizinha, é expressiva a omissão da mídia e da Academia sobre a Bolívia e os demais países da América do Sul. Nesse sentido, a fim de fazer um recorte histórico do processo de mudanças em curso nesse país, será lançado pela editora Muiraquitã, na XIV Bienal Internacional do livro do Rio de Janeiro, o livro Bolívia – passos e revoluções.
Esse trabalho é fruto das pesquisas de três historiadores do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, localizado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ). Os autores Daniel Chaves, Miguel Sá e Rafael Araújo, fazem uma análise dos últimos acontecimentos na Bolívia, dentro de um contexto histórico-cultural dessa região. Veja a divulgação do livro abaixo:
“BOLÍVIA – PASSOS DAS REVOLUÇÕES” (Editora Muiraquitã, 2009) é um livro escrito a seis mãos por Daniel Chaves, Miguel de Sá e Rafael Araújo. Pretende, de forma modesta, traçar um breve diagnóstico da crise política de 2007, que se estendeu por 2008 e já possuía as suas raízes no tempo presente nacional boliviano, desde os anos 50. Cientes das limitações inerentes à avaliação de um processo ainda em curso, oferecemos algumas chaves de leitura que, com sorte, iluminarão debates sobre nosso país vizinho, infelizmente ainda objeto de pouca atenção por parte tanto da imprensa quanto da academia brasileiras.
Desde o início do século XX – senão em toda a sua história – a Bolívia apresenta-se como um país que carrega marcas profundas em relação a problemas sociais, econômicos, políticos e culturais, os quais são, em boa medida, também enfrentados pelos demais países sul-americanos. Na Bolívia, temos uma sociedade caracterizada por profunda desigualdade social, com uma elite oligárquica historicamente incapaz de produzir um projeto de nação que abarcasse a população como um todo.
O racismo contra o indígena – quíchuas, aimarás, guaranis – aparece como característica central. “Los índios de mierda”, inicialmente excluídos, logo alçados a categoria de mão-de-obra necessária, depois ‘permitidos’ e, por fim, estabelecidos. No final da história, vemos que esse índio era de certa forma autônomo, teimando em resistir e transformar a si e aos outros, mesmo diante de toda opressão.  Hoje, assistimo-lo chegar ao poder, após mais de 50 anos (ou 500?) de luta política, cultural e social.
As mudanças, contudo, não se reduzem à ascensão de um indígena à presidência da república. Seria insuficiente e reducionista tentar descrever a Bolívia desta forma. Ainda mais após a virada para o século XXI, quando as Guerras da Água (Cochabamba, 2000) e do Gás (El Alto, e logo em seguida por todo o país, 2003) enterraram de forma dramática a Bolívia “velha” e centralizada, quiçá cínica por conta dos notórios contrastes entre os projetos políticos pomposamente anunciados e as cruas realidades diárias de dominação pessoal e coletiva.
A nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia em 2006 trouxe o país andino para o centro dos debates políticos brasileiros. Manchetes de jornais, discursos nas tribunas do Congresso, conversas na rua e discussões em sala de aula repentinamente abordavam a Bolívia como um tema central. No entanto, à despeito do novo interesse, os discursos sobre o país vizinho demonstravam certa falta de domínio de suas principais características históricas, econômicas, culturais e políticas. Tal desconhecimento das dinâmicas sociais bolivianas tornou-se até perigoso, na medida em que propiciou posturas agressivas, a ponto de uma invasão militar pelas Forças Armadas brasileiras tornar-se uma possibilidade cogitada tanto na imprensa quanto na Câmara dos Deputados.
Este livro busca fornecer subsídios para uma abordagem mais consistente, a fim de desfazer mal-entendidos, questionar análises apressadas e apresentar contribuições que destoam do senso comum sobre o tema. Se algum debate mais profundo emergir desta leitura – mesmo que discordando das conclusões aqui apresentadas – já estaremos mais do que realizados.
Serviço:
Lançamento do livro Bolívia – passos e revoluções
XIV Bienal Internacional do livro do Rio de Janeiro (Riocentro)
15 de setembro às 13 horas na ilha “Letras e Niterói”

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