Os bispos da Igreja Católica Romana da Alemanha decretaram que às pessoas que optarem por ficar fora do “imposto-Igreja” não devem ser administrados os sacramentos nem os funerais religiosos, tornando-se mais duros em relação aos fiéis que escolherem não pagar.
Alarmados pela onda de católicos dissidentes que se afastam da crença, os bispos baixaram, na quinta-feira, um decreto declarando tal defecção um “grave erro”, e fizeram uma ampla lista de serviços eclesiásticos dos quais eles devem ficar excluídos.
Os alemães oficialmente registrados como católicos, protestantes ou judeus pagam um imposto religioso de 8 ou 9% de sua cota anual de imposto. Eles podem isentar-se disto, declarando ao Escritório local de imposto que estão deixando sua comunidade de fé.
Por ano, o total dos que deixam a igreja normalmente em torno de 120 mil, pulou para 181,193, há dois atrás, como indicadores de décadas de abusos sexuais contra crianças, cometidos por padres, envergonhando a hierarquia e suscitando um pedido de desculpas por parte do Papa Bento, alemão-nato.
Este decreto esclarece que não se pode deixar parcialmente a Igreja, disse uma Nota da Conferência Episcopal: “Não é possível separar a comunidade espiritual da Igreja da Igreja institucional.”
O imposto-Igreja aportou, em 2010. para a Igreja Católica Romana em torno de 5 bilhões de Euros, e 4.3 bilhões de Euros para as igrejas Protestantes, de acordo com as estatísticas oficiais.
NADA DE FUNERAIS RELIGIOSOS
Os bispos disseram que as conseqüências de deixar a Igreja não haviam sido claramente enunciadas no passado. Alguns católicos tentaram permanecer ativos em sua paróquia ou ter funerais religiosos, apesar de haverem deixado a Igreja para não pagarem o imposto.
O Vaticano já tinha dado sua aprovação, antes que o decreto fosse publicado, disse a Nota.
Os católicos que deixam, não podem mais receber os sacramentos, exceto uma bênção especial, antes da morte, diz o decreto. Não podem mais trabalhar na Igreja ou em suas instituições, tais como escolas e hospitais, nem atuar em associações patrocinados pela Igreja, tais como grupos caritativos ou coros.
Não podem ser padrinhos de crianças católicas, e devem ter uma permissão do bispo para se casar uma pessoa católica, numa cerimônica eclesiástica. “Se a pessoa que tiver deixado a Igreja não mostrar qualquer sinal de arrependimento, antes da morte, podem ser recusadas as exéquias religiosas.”, acrescentou a Nota.
A Conferência dos Bispos disse que os pastores locais iriam convidar todos os que se afastaram da Igreja a se encontrarem e a discutirem suas razões de deixarem, para explicar as conseqüências e oferecer uma oportunidade para que se reintegrem à Igreja.
O ÊXODO PROTESTANTE
As Igrejas Protestantes da Alemanha também têm visto um constante êxodo, nas últimas décadas de membros que, registrados por ocasião do batismo, deixam por não mais crerem, por discordarem de alguma política ou por quererem livrar algumas centenas de euros, em razão do imposto-Igreja.
Uma importante onda de desligamento tanto da Igreja Católica quanto das Igrejas Protestantes ocooreu no início dos anos 90, quando o Governo instituiu taxas para financiar os ex-comunistas da Alemanha Oriental.
Desde que a imposição foi quase a mesma do imposto-Igreja – cujas origens remontam ao século XIX – os alemães podiam neutralizar tal imposto, se deixasse sua igreja.
Os Católicos e os Protestantes são quase equitativamente distribuídos na Alemanha, com cada grupo com cerca de 24 milhões, ou 30 % da população de 82 milhões. Há cerca de 4 milhões de Muçulmanos e 120 mil Judeus, na Alemanha, que tem uma população total de cerca de 82 milhões de habitantes.
(Editing by Robin Pomeroy)
Fonte: Reuters
http://www.reuters.com/article/2012/09/21/us-germany-catholic-churchtax-idUSBRE88K0LX20120921
Trad. Alder Júlio Ferreira Calado
